Para Augusto Cury, as emoções são campos de energia em contínuo estado de transformação. Elas passam por inevitáveis ciclos diários sendo por isso difícil conseguirmos o equilíbrio emocional perfeito. Alguma flutuação emocional é típica do ser humano e é entre estados de prazer e estados de tristeza que a nossa vida avança. Os problemas só começam a surgir quando os estados negativos (como a ansiedade, a angústia, a tristeza, e muitos outros) tomam conta da nossa vida, dominando-nos totalmente.
As emoções são muito antigas
O Homem é o ser vivo mais emotivo da Terra. Para o bem e para o mal, as emoções fazem parte da nossa vida. Elas têm uma origem muito longínqua no tempo. Os investigadores pensam que as primeiras emoções terão começado a ser "produzidas" no cérebro de espécies muito antigas de primatas, há cerca de 60 milhões da anos, numa época em que o nosso planeta estaria habitado por uma grande diversidade de espécies de protoprimatas.
Todos os estudos sugerem que as primeiras emoções nos primatas terão sido o medo e a cólera (esta associada ao medo na agressividade defensiva), e obviamente relacionadas com a sobrevivência. O medo era o motor da fuga aos perigos e da precaução mas também do ataque em nome da defesa da vida.
Ao contrário dos primeiros primatas que eram animais muito barulhentos e excitados (como os macacos actuais) e, por isso, facilmente detectados pelos predadores, os símios superiores e mais tarde os hominídeos aprenderam a desenvolver o controlo das emoções para poderem sobreviver e serem capazes de estabelecer e sustentar relações sociais entre si, das quais poderiam depender a sua sobrevivência e a evolução das famílias e das próprias espécies.
Com o avançar dos tempos, o cérebro dos antigos humanos evoluiu (lentamente) e desenvolveu outros tipos estruturas capazes de produzirem outras emoções.
Actualmente, somos o animal com o maior e complexo repertório emocional. As emoções são, por conseguinte, objecto de muitas investigações e, nos anos mais recentes, tem merecido muitas obras de divulgação e alimentado uma infinidade de páginas e horas na comunicação social.
Treinar as emoções
Ao contrário de outras competências psíquicas, as emoções escapam facilmente ao controlo da razão e da auto-crítica. Elas podem tornar-se avassaladoras e dominarem, por completo, a nossa vida. Por isso é que rapidamente se tornaram muito populares os livros de auto-ajuda dedicados à inteligência emocional (uma terminologia cientificamente discutível mas geralmente aceite).
Nos livros de Augusto Cury, as emoções são, também, por excelência, o tema mais focado. Uma das suas primeiras obras dedicadas à matéria é o livro Treinando a Emoção Para Ser Feliz, o qual data de 2001. Foi um sucesso imediato pois durante o primeiro ano produziram-se 14 edições, só no Brasil.
Foi um trabalho que Cury dedicou a "todos aqueles que não desistem de si mesmos e que descobriram que a vida é o maior de todos os espectáculos (...) e àqueles que, mesmo com lágrimas, anseiam pelo direito de ser livres e felizes...". Trata-se de um verdadeiro guia para a felicidade, algo que "tem muitas filhas e filhos: o amor, a tranquilidade, a sabedoria, a alegria, a paciência, a tolerância, a solidariedade, o perdão, a perseverança, o domínio próprio, a bondade, a auto-estima".
Uma sociedade neurótica
A complexidade do mundo actual, com as suas ambiguidades, a rapidez das transformações a todos os níveis (tecnológicos, políticos, sociais, etc.) e as pressões que se exercem sobre as pessoas, tornou a nossa vida um pouco mais complicada e difícil do que antigamente. Vivemos apressadamente sob o signo da competição. E isto gera desequilíbrios emocionais e o avanço de doenças psicossomáticas. Para Cury, "estamos adoecendo colectivamente no território da emoção", não apenas por perturbações clássicas como a ansiedade ou o síndrome do pânico mas também por inúmeros outros transtornos psíquicos e comportamentais como a instabilidade, a irritabilidade emocional, a paranóia e o que ele designa como "síndrome do pensamento acelerado".
Hoje, o mundo tornou-se numa "máquina de stress". As pessoas sofrem imenso com ideias negativas, preocupações existenciais, obsessões com a imagem e a estética, e muitos outros desequilíbrios.
Reflectir sobre o futuro
Em Treinando a Emoção, Cury alerta-nos também para um problema psicológico que não deixa de ser interessante sob o ponto de vista clínico: o envelhecimento da emoção. O autor constatou que geralmente as crianças são mais alegres que os adolescentes, que estes são mais alegres que os adultos e que estes são mais alegres que os idosos. Ou seja, os estados emocionais de sinal negativo aumentam em número e em gravidade com a idade, embora variando de caso para caso.
Isto é devido à memória, a qual regista os acontecimentos de maior carga emocional. Cury chama a este fenómeno de RAM (registo automático da memória, o qual aparece descrito em pormenor no seu livro Inteligência Multifocal). Ora o envelhecimento precoce da emoção começa à medida que "vamos entulhando o centro da memória de uso contínuo" com registos negativos (rejeições, perdas, frustações, etc.), os quais vão afectando a nossa memória existencial.
Cury apressa-se a apelar para a necessidade de "rejuvenecermos" as emoções. E apresenta-nos seis medidas:
1º Contemplarmos o belo nos pequenos eventos da vida.
2º Irrigarmos a mente com pensamentos agradáveis.
3º Pensarmos como adultos, sentirmos como crianças.
4º Não sofrermos por antecipação imaginando o pior.
5º Protegermos as emoções (pensar muito em algo negativo aumenta a ansiedade e esta, quando crónica, envelhece a emoção).
6º Não sermos carrascos de nós próprios (colocando metas difíceis de atingirmos, evitar os sentimentos de culpa, etc.).
A educação emocional
Milhares de anos depois de termos criado diferentes civilizações não faltam os conselhos e chegados a este ponto - uma sociedade neurótica - é tempo de "repensar a nossa espécie". A violência nas escolas, as crises entre os povos, a discriminação, o terrorismo e tantas outras evidências da nossa falta de poder para gerirmos as emoções com inteligência, racionalidade e sentido crítico devem merecer da nossa parte um olhar crítico mas de sinal positivo e pró-activo.
Augusto Cury sugere, por isso, que "temos de reflectir para onde estamos caminhando e que tipo de homem estamos formando". A educação é um campo vastíssimo para muitas aprendizagens. A educação emocional, que Nelson Lima (Instituto da Inteligência) tem defendido como alternativa à inteligência emocional, é uma ideia baseada nas obras de Cury e representa um passo em frente no sentido de uma sociedade melhor. A começar no berço. Para que continuemos a ser uma espécie bem sucedida no grande palco da Vida.
