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SABERES DA INTUIÇÃO

A intuição é uma faculdade que está presente em quase todas as tomadas de decisão, mesmo nas mais complexas. A sua importância é tal, que um dos seus estudiosos recebeu um prémio Nobel pelo trabalho sobre a intuição nas tomadas de decisão (Herbert A. Simon, Nobel de Economia em 1978).

Há autores que nos aconselham a seguir mais as intuições do que a lógica dos raciocínios ponderados. Mas não será arriscado confiar assim tanto na intuição dada a sua natureza subjetiva? Talvez. Mas depende de cada caso e depende das pessoas, já que a natureza e a segurança da intuição variam de pessoa para pessoa. De facto, há pessoas bastante intuitivas, enquanto outras são um desastre (as suas intuições não são de confiar).

Reconsideremos a definição. Segundo as últimas propostas dos investigadores, a intuição é um processo que assenta em mecanismos mentais inconscientes ligados à percepção, à aprendizagem e à memorização em si mesma. Tudo reunido chega-se à conclusão que a intuição pode também ser entendida como uma forma de «conhecimento implícito», ou seja, um conjunto de informações que guiam as pessoas nas tomadas de decisão e nas ações sem que elas tenham consciência da sua proveniência.

O segredo reside no facto de captarmos muita informação e aprendermos muitas coisas sem que tenhamos consciência disso. A nossa mente consciente tem uma capacidade limitada de gerir a informação mas a um outro nível e através das várias portas sensoriais (os sentidos) há mais informação que é assimilada.

RESSONÂNCIA EMOCIONAL

O psicólogo canadiano Eric Berne, o pai da «análise transacional», referiu que o «conhecimento intuitivo» é construído a partir de elementos sensoriais discretos (ou subliminares) em que a percepção e a síntese ocorrem abaixo do nível da consciência. Na verdade, o pensamento, a memória e o comportamento funcionam de forma permanente sob um duplo nível: consciente e deliberado por um lado e nãoconsciente e automático por outro.

O cérebro tem como uma das suas principais responsabilidades a chamada regulação vital. Capta a todo o instante os sinais (informações e estímulos) vindos do exterior e do interior do corpo e toda essa informação que chega de forma ininterrupta contribui para o estabelecimento das atividades mentais, em especial das vivências emocionais.

Talvez todo este trabalho de cartografia sensorial possa colaborar na formação da intuição. A intuição alimenta-se das experiências e informações acumuladas ao longo do tempo. Será pois uma espécie de arquivo inteligente guardado na memória implícita.

Todd Lubart, da Universidade Paris V, elaborou uma teoria a que chamou de «ressonância emocional» que também ajuda a explicar a intuição. Através desse processo, cada elemento que se apresente na nossa memória é associado a traços emocionais, correspondentes a experiências vividas anteriormente.

Cada vez que nos confrontamos com as várias situações da vida, o cérebro estabelece umaligação com os conhecimentos armazenados levando a uma associação criativa de conceitos na nossa mente (isso ajudanos a manternos conhecedores do mundo que nos rodeia e a entender o que se passa). É um trabalho contínuo de reconhecimento da realidade e que nos permite cartografar mentalmente o que se passa remetendo todo o material novo para a memória, associando ao que já lá existe armazenado.

Se a inteligência é o resultado de uma série de conjugações e de fatores, podemos admitir que a intuição não lhe é estranha. O indivíduo inteligente é alguém que sabe usar a sua intuição. Ele aprende a ler nas subtilezas dos eventos, nos pormenores que escapam à maioria. E faz outra coisa deveras importante: reúne muita informação. Não se satisfaz apenas com o que sabe, é um curioso e gosta de saber mais e mais, indo além da sua especialização. A sua intuição é assim o resultado de saberes e experiências acumuladas.

Se é verdade que tomar uma decisão consiste numa análise da tarefa, na planificação, na decomposição e na seleção de uma estratégia especial de execução, não é menos verdade que a informação, a emoção e a intuição são três forças que não podem ser ignoradas.

Razão versus emoção é a equação das decisões inteligentes (prudentes, ajuizadas, críticas). A intuição fornece impressões que partem de um outro nível, menos precisa na sua definição mas amplamente usada pelas pessoas inteligentes. É um saber que não se sabe de onde vem (estará espalhada por diferentes regiões do cérebro) mas que está lá na hora das decisões, pronto a ser usado.

A elaboração mental de uma escolha deve pois juntar a razão, a emoção, a memória e a intuição. É certo que nada fica garantido quanto ao sucesso de uma decisão, pois muitos outros fatores nos escapam. Mas isso tratase de um risco que sempre corremos e do qual é difícil fugirmos.

Dizse também que a intuição é uma forma de inteligência muito antiga, que ainda possuimos. Em épocas primitivas, em que o saber era muito reduzido e pouco se conhecia do mundo, a mente humana desenvolveu um sentido de sobrevivência baseado em impressões e emoções primordiais que ajudaram a desenvolver a intuição. Esta explicação agrada-me.

Nelson S. Lima 

MUDANDO A PERSONALIDADE...


Gosto muito da teoria do professor espanhol José António Marina (autor, entre outros, do livro Inteligência Criadora) sobre a construção da personalidade. Ele distingue três fases na emergência da personalidade no ser humano: a personalidade recebida (a matriz pessoal, geneticamente condicionada cujos principais elementos são as funções cognitivas básicas, o temperamento e o sexo); a personalidade aprendida (conjunto de hábitos afectivos, cognitivos e operativos a partir da personalidade-básica e que formam o carácter) e a personalidade escolhida (que inclui o projecto vital e o sistema de valores e que traduz o modo como a pessoa concreta, numa situação concreta, enfrenta ou aceita o seu carácter).
Resumindo, temos:

Funções básicas + temperamento + sexo = personalidade recebida
Personalidade recebida + hábitos = personalidade aprendida 
Carácter + comportamento = personalidade escolhida.

Temos pois, como ponto de partida, uma matriz biológica (onde se destaca o temperamento) sobre a qual se constroem as fases seguintes.

Quer isto dizer que a personalidade é algo dinâmico que permite ao sujeito um amplo espaço de liberdade de escolher e agir no mundo. Não obstante, aquele que, por exemplo, vive sobre o efeito poderoso da matriz biológica está muito dependente do temperamento e do acaso.

Esta sua teoria, refere Marina, está próxima da de Walter Michel, o qual considera que os traços principais da personalidade são:

- Os valores subjectivos, preferências, metas.
- O modo como um sujeito constrói e processa a informação referente a si mesmo, aos outros e aos acontecimentos do mundo.
- As expectativas sobre as consequências da acção.
- As competências cognitivas e comportamentais.
- Os sistemas auto-reguladores e a capacidade do sujeito para manter os planos a longo prazo.

Não sendo tão prisioneiros dos genes e da hereditariedade (como antes se pensava) podemos então concluir que aquilo que define a personalidade é o modo como escolhemos e realizamos os nossos planos pessoais com a ajuda das nossas faculdades, aptidões e aprendizagens.

Um estudo recente publicado numa revista da Association for Psychological Science (USA) concluiu que, ao contrário do que se pensava antigamente, vários traços de personalidade podem mudar ao longo da vida, mesmo depois dos 60 anos de idade.

O carácter flexível de várias características, influenciado por numerosos factores (meio, educação, auto-aprendizagem, etc.), tornam as pessoas diferentes à medida que avançam na idade. É evidente que essas alterações variam de indivíduo para indivíduo mas o estudo realizado atesta que ninguém escapa a esse processo de mudança.

No caso, por exemplo, da "estabilidade emocional" ela tende a acentuar-se com a idade sendo mais evidente em idades mais avançadas no que nas idades mais jovens. A "estabilidade emocional" é um dos factores da personalidade conhecido como "neuroticismo". Outros traços, como a "abertura à experiência" e a "sociabilidade", tendem também a sofrer alterações.

Um dado muito curioso é que, na generalidade, as mudanças ocorridas na nossa personalidade ao longo da vida são de sinal positivo. Por outras palavras, tornam a personalidade mais agradável.

Nelson S. Lima 

A EDUCAÇÃO E O FUTURO DO MUNDO


O grande recurso que vai diferenciar as nações - muito mais do que o dinheiro e os recursos naturais (entre outros bens) - será o conhecimento que souberem reunir e utilizar nos diferentes domínios, em especial na economia, na ciência, na tecnologia e na cultura.

Em última instância, o que vai diferenciar os países pobres e os países ricos, será o conhecimento e o "know how" (o saber fazer) mais a capacidade de cada um para gerar boas ideias e inovações, e saber aplicá-las, enriquecê-las e também exportá-las.

(Recordo-me de ter aprendido, algures nos anos 80, que o Japão tornou-se numa potência económica quando passou a centrar-se na formação e no conhecimento. Lembro-me de ter lido uma vez no semanário Expresso um artigo sobre a "imitação criativa" que os japoneses tão bem souberam fazer (os japoneses não têm fama de ser um povo de inventores mas de inovadores; eles "limitaram-se" a melhorar aquilo que no Ocidente já estava inventado - e assim se tornaram excelentes na eletrónica, no sector automóvel e em outros outros a partir dos anos 70/80).

Ora é através de políticas de educação ousadas e intensivas que, no mundo atual, as nações poderão gerar riqueza.

DIZ-ME O QUE SABES....

E, a um nível mais pessoal, é assim que, no futuro, "o fosso entre ricos e pobres será muito mais estreito" porque "dependerá muito menos do lugar onde moramos e mais do nível de educação de cada um de nós" - escreveu a editora da "The Economist", Zanny M. Beddoes. Para esta jornalista, "um melhor nível de educação é a melhor forma de reduzir a desigualdade de rendimentos".

Investir numa nova educação, que prepare jovens para mercados de trabalho bem diferentes do que eram até há apenas 5 anos (e investir também numa atualização de conhecimentos, reciclagem e requalificação de trabalhadores adultos), será pois uma das mais inteligentes e oportunas decisões que os países poderão tomar visando aumentar a riqueza e o bem-estar da população.

Também por isso, e porque estamos num mundo cada vez mais afastado do que conhecemos até agora, é urgente uma reforma completa na educação (nos conteúdos, nos modelos, nos métodos, nos meios, etc.).

Em muitos países, como Portugal e Brasil, a educação sofre ainda de um grande atraso pois rege-se por reformas e remendos que ainda não escaparam da influência da Era Industrial. As escolas são ainda, na generalidade, mais parecidas com depósitos de estudantes do que como verdadeiros centros de conhecimento, pensamento e criatividade.

Nelson S. Lima

A MENTE É UM LABORATÓRIO

 

Uma das mais belas referências à "inteligência" humana é do sempre eterno Einstein, um dos mais notáveis representantes da ciência moderna. Ele disse o seguinte: o verdadeiro sinal de inteligência não é o conhecimento, mas a imaginação.

O que mais me intriga é que nada ou pouco mais que nada se tem feito para dar à imaginação (que alimenta a criatividade e a inteligência) o devido lugar na imensa lista de possibilidades da mente.

Por exemplo, na maioria dos sistemas de ensino, a criatividade está limitada. Salvo casos muito raros, não há lugar para a imaginação pois nem sequer há liberdade para a ter. O ensino tem um formato que aprisiona a mente (raras são as excepções e poucos os modelos de aprendizagem que a estimulam).

O PENSAMENTO COMO FERRAMENTA DE TRABALHO

Ora, gostaria de alertar os pais e os professores (e os ministros da educação) que, em muitas atividades, é no campo da imaginação que tudo acontece. Por isso Einstein deu tanta importância a essa faculdade. É que ele - tal como muitos outros cientistas - não usava um laboratório para experimentar os seus conhecimentos. As suas experiências eram MENTAIS.

Como explicou físico teórico Dr. Michio Kaku, Einstein "estava constantemente a realizar sofisticadas simulações mentais do futuro; por outras palavras, a sua mente era o seu laboratório".

Sabemos que cientistas teóricos como Einstein e Michio Kaku - e como muitos outros que não são cientistas - dedicam a maior parte do tempo a PENSAR por meio de "experiências mentais" pois é nesse espaço virtual que acontecem grandes coisas e o conhecimento é processado e, em regra, avança e prospera.

Nelson S Lima

OS ROBOTS SOCIAIS E OS SEUS DIREITOS


Como diz a letra de uma canção portuguesa "o mundo pula e avança". E aqui temos um salto civilizacional: os "direitos" das máquinas inteligentes!

Surpreendido? Não fique. Já estão a ser preparados por entidades como a Sociedade Americana para a Prevenção de Violência contra Robots (ASPCR) e também por governos como o da Coreia do Sul que espera ter uma lei já em vigor em 2020 onde atesta que "os robots têm o direito de existir livremente e de serem protegidos contra violência e abusos" (suponho que por parte dos humanos e de outros robots).

Não me surpreende que já tenham sido constituídas sociedades de amigos dos robots da mesma forma que existem sociedades amigas dos animais tal como existem clubes de admiradores e colecionadores de automóveis, aviões e outros aparelhos.

Tudo isto resulta do facto de estarmos cada vez mais perto de uma sociedade servida por "robots sociais" que nos ajudarão na medicina, na segurança, na educação, na gestão de edifícios inteligentes, no tráfego urbano, etc.

Para a investigadora Kate Darling, do conceituado Massachusetts Institute de Technology (MIT), "importa estabelecer regras que protejam as máquinas inteligentes pois elas estarão cada vez mais presentes na nossa vida".

Convém recordar que o nosso futuro estará cada vez mais associado a máquinas "inteligentes" e isso parece-me irreversível. Por exemplo, no Japão, há robots que sabem cozinhar e que trabalham em restaurantes. Também existem robots músicos e robots que executam trabalhos domésticos.

Mas o mundo das máquinas inteligentes não se reduz aos robots. Estão a ser construídos olhos artificiais que restituirão a visão a pessoas cegas bem como próteses destinadas a substituir órgãos ou partes de órgãos (como o cérebro) através de pequeníssimas máquinas inteligentes.

Poderá levar um século até que a inteligência dos robots se aproxime e até ultrapasse a inteligência de muitos humanos. O futuro está em aberto. Tudo pode acontecer!

Nelson S. Lima 

Nota:
Recordo que a palavra "robot" deriva da antiga palavra checa para "trabalhador" tendo sido aplicada pela primeira vez em 1920 na peça de teatro "Robots Universais Rossun", de Karel Capek, que conta a história de uma raça de seres mecânicos de aspecto humano.
Nessa história, os seres humanos passaram a menosprezá-los e a tratá-los violentamente, o que levou à sua revolta e à consequente destruição da raça humana. Os robots tomaram então conta da Terra mas foram envelhecendo e desaparecendo sem se reproduzirem. No final da peça, porém, dois robots apaixonam-se e fica em aberto a possibilidade de um novo mundo.

QUANDO AS EMOÇÕES NOS APRISIONAM


Todas as doenças são psicossomáticas visto que envolvem funções orgânicas e estados e processos mentais. No seu estudo está a Medicina Psicossomática propriamente dita e que representa um novo paradigma médico.

Ela relaciona-se, por exemplo, com a Medicina Integral, em que corpo e mente não mais são entendidas como entidades separadas mas integradas num todo que é o Kosmos (toda a unidade total do Universo, das coisas espirituais aos objectos inanimados e às matérias científicas).

Sabemos que a saúde e a doença são resultantes de múltiplas linhas de força, biológicas, psicológicas, culturais e sociais. Uma mesma doença desenvolve-se de forma particular em cada caso, em cada pessoa, em cada época, em cada lugar, em cada contexto. Não obstante, o contexto psicológico e emocional têm, na saúde, uma importância extraordinária.

A palavra “psicossomático” vem do médico Heinroth, em 1818. Ele sabia que as emoções influenciavam as doenças. Também criou o termo “somatopsíquico” para dizer que o corpo também modifica a psique. Em 1876, outro autor, Maudsley, escrevia que “se uma emoção não se libertar, fixar-se-á nos órgãos e perturbará o seu funcionamento”.

Actualmente, tem-se consciência que os factores responsáveis pela saúde ou pela doença constituem um SISTEMA no qual os factores psíquicos e comportamentais assumem valores diferentes na origem (patogénese) das diferentes doenças.

Já as perturbações somatoformes (as doenças que afectam o estado psíquico) são consideradas plurifactoriais onde interagem factores genéticos, emocionais, as crenças de saúde e de doença de cada pessoa, certas características da personalidade assim como acontecimentos da vida. Na maior parte dos casos, os pacientes apresentam uma mistura de factores orgânicos e psicológicos em qualquer doença, influenciando-se uns aos outros.

A verdade é que a mente (a sua natureza, a personalidade, os conteúdos de pensamento, os estados emocionais e outros factores) afecta a susceptibilidade de cada um a qualquer doença e pode até ter uma influência substancial no seu envelhecimento e na natureza e no momento da sua eventual morte.

Nelson S. Lima

A FELICIDADE VARIA COM A IDADE?

Em Ljubljana, capital da Eslovénia, um país eslavo. Em 2016, com 70 anos de idade
É-se mais feliz em criança, na adolescência, na vida adulta ou na velhice? Ora, dirão muitos de vocês, esta pergunta não tem cabimento. Pode-se ser feliz em qualquer altura da vida, da mesma forma que a infelicidade pode agarrar-nos em qualquer outra etapa.

Não obstante, há estudos referindo que, para além de muitos outros fatores que estão presentes na felicidade, a época da vida também tem a sua influência. Mas tudo isto tem de ser visto no seu conjunto. E não separadamente.

Falando por mim, quis a vida (ou o destino, caso se acredite nele) que me sinto mais feliz agora do que quando era mais jovem. Com excepção da infância de que tenho boas memórias. Ou seja, a infância e a idade sénior, no meu caso pessoal, foram mais benéficos (têm sido), o que vem confirmar alguns estudos.

NA VIDA ADULTA NÃO FALTAM DECEPÇÕES
Vejamos. Na infância é-se feliz porque vive-se um mundo sem preocupações, o imaginário ocupa nossa mente, a inocência predomina e as brincadeiras são uma constante. E na idade sénior (depois dos 60) já se viveu o suficiente para se atingir a maturidade e uma certa sabedoria que nos proporciona uma agradável serenidade. Já nos sentimos realizados, a família está constituída e olhamos com algum distanciamento mas muito interesse (no meu caso) os problemas do mundo.

Durante o resto do tempo - no fim da adolescência e durante a vida adulta - as canseiras e as preocupações são bem maiores do que nas outras idades, afetando a felicidade (stress ocupacional, divórcios, complicações diversas, esforço de realização profissional, etc.). Na verdade, é na casa dos 35-45 anos de idade que as pessoas têm mais problemas e têm menos momentos de felicidade.

É certo que a felicidade não é um estado permanente. Ela é feita de oportunidades, ou seja, de momentos felizes. Creio, porém, que na infância e na velhice esses momentos são mais prolongados no tempo pois há menos sobressaltos e aborrecimentos.

A FELICIDADE A QUE TEMOS DIREITO
Bem, meus amigos, isto não é nenhuma teoria nem pretendo afirmar nada de novo. É apenas uma opinião alicerçada no que a vida me ensinou e no que vi nos outros, incluindo meus amigos. Mas acredito que se a minha vida tivesse sido outra (tivesse nascido noutra época, noutro país, noutra família) eu poderia ter uma opinião diferente. É óbvio.

Então, e em jeito de conclusão, digo: a cada um a sua felicidade. E isso é um direito que deveria estar nas Constituições de todos os países. Ou seja, deveria ser uma obrigação de todos os Estados proporcionarem condições para que o seu povo pudesse ser o mais feliz possível.

Nelson S Lima

COMO A POBREZA AFETA O CÉREBRO DAS CRIANÇAS


Penso que todos achamos óbvio que a pobreza causa numerosos problemas às suas vítimas, nomeadamente no estado de saúde. Isso não acontece apenas por falta de apoios, de dinheiro, de educação e de melhores condições de vida.

O estado de pobreza gera hipersensibilidade no sistema nervoso, causando problemas cognitivos, comportamentais, envelhecimento precoce e menor esperança de vida.

Um estudo publicado na revista "Nature Neuroscience" (nº 18, 2015), intitulado "Family Income, Parental Education and Brain Development in Children and Adolescents" e assinado pelo neurocientista K.G. Noble, concluiu que o cérebro das crianças que vivem em condições de miséria é, aos 11 anos de idade, 5% menor do que o de crianças de estratos sociais mais protegidos.
Note-se: a investigação abrangeu mais de mil crianças em diversas fases das suas vidas.

O QUE ACONTECE?
Foi descoberto e confirmado em outros grupos idênticos que as regiões do cérebro mais atrofiadas por condições de vida frágeis incluem o córtex parietal (e restantes regiões envolvidas na linguagem, planeamento, pensamento, aprendizagem e regulação da ansiedade) devido a hipersensibilidade emocional, alimentação deficiente, ambiente familiar disfuncional, sentimentos de incapacidade, medos e baixa auto-estima.

Tudo isto desencadeia desequilíbrios químicos no cérebro devido a permanência de mais cortisol no sangue, o qual, por sua vez, aumenta a quantidade de mielina que reveste os neurónios ligados ao hipotálamo (de onde provém a noção do "eu") e à amigdala (que reage às ameaças).

Também a pobreza leva à falta de saúde por danificar o ADN e as células. Resultado: pressão arterial mais elevada, mais doenças, menos esperança de vida, menos chances de sucesso e défices cognitivos (daí o facto das crianças pobres sentirem mais dificuldades em aprender).

Outro problema a considerar: uma criança que tenha crescido pobre durante os primeiros 25 anos de vida vê diminuida a sua esperança de vida, em média, seis anos.

Também se verificou que uma criança em situação de pobreza enfrenta um risco 20 a 40% maior de morrer de doença, especialmente cancer, AVC e ataque cardíaco numa idade mais precoce do que a de pessoas emocionalmente e socialmente equilibradas graças a melhores condições de vida.

Este é o campo das neurociências que mais tem contribuído para o estudo da biologia do cérebro e suas reações face aos desafios da vida, sejam eles quais forem.

A neurociência, que atualmente junta cientistas cognitivos, biólogos, neurologistas, neuropsicólogos, físicos e outros especialistas, está ainda na sua infância mas o seu contributo para compreender a relação do sistema nervoso com a saúde em geral e o ambiente tem sido notável.

Nelson S Lima

CIÊNCIA: POR QUE ESTAMOS LIGADOS AO UNIVERSO?


Quando nos olhamos parecemos todos diferentes. E somos, de facto, em pormenores. Não obstante, somos todos iguais mesmo quando uns são mais altos, outros mais gordos, outros mais brancos ou mais negros do que nós, quer habitemos em São Paulo ou façamos parte de uma tribo perdida da Austrália. Todos nos reconhecemos como humanos pois há traços únicos que faz com que o cérebro nos caracterize como tal. É que somos uma única espécie, a do "ser humano".

UM PASSO ATRÁS
Não obstante, se recuarmos na história não mil anos nem dez mil anos ou até cem mil anos, há um momento, bem afastado no tempo, em que estamos muito perto de nos assemelharmos a outros primatas de braços bem mais comprimidos, com o corpo coberto de um emaranhado de pêlos e talvez saltando de árvore em árvore comendo frutos silvestres.

MAIS PARA TRÁS
Se recuarmos mais começaremos a deixar de visualizar traços hominídeos e já não nos reconheceríamos como humanos ou primos muito afastados e primitivos. Continuando a viajar rumo a um tempo ainda mais afastado de hoje vamos perdendo completamente vestígios de qualquer traço primata e, obviamente, muito menos a possibilidade de nos deparamos com animais que, hoje, associamos a nós.

MAIS LONGE AINDA
Saltemos bem longe, mais para trás e paremos num tempo distante de nós cerca de 380 milhões de anos. O que vemos? Animais semelhantes a peixes começando a sair da água, com a respetiva cabeça, olhos, cérebro e com algo parecido com patas. Serão os primeiros animais vertebrados (dotados de esqueleto) e com uma série de mecanismos, como os dos membros superiores, que funcionavam como atualmente.

ATÉ AO PRINCÍPIO DA VIDA
Mas podemos viajar muito mais para trás, mais de 3 mil milhões de anos e encontramos pequenos seres vivos conhecidos como protozoários (que significa "primeiros animais") feitos de um amontoado de células bem desenvolvidas. E se recuarmos mais vamos descobrir outros seres mais pequenos dotados de uma só célula.
A nossa história como seres vivos começa decisivamente aí, mais precisamente há 3,5 mil milhões. O que nos liga a eles? Muita coisa ao nível celular e, por isso, também descendemos deles.
Uma grandiosa aventura que, convém lembrar, é bem mais antiga se quisermos aprofundar o que havia antes dos primeiros microrganismos unicelulares.
Em rigor, descendemos da energia que deu origem à vida e ao nosso universo.

ATÉ ANTES DA MATÉRIA
É por isso que, embora tanto tempo passado, continuamos ligados à energia que provém do universo apesar de tão diferentes sermos das milhões de espécies animais que nos precederam, incluindo répteis e peixes muito antigos (e de quem herdámos estruturas cerebrais onde se processam os instintos e funções básicas de vida - como a regulação da temperatura do corpo - e que um cientista, muito oportunamente, chamou de "cérebro reptiliano").
Estamos pois todos conectados ao mundo vivo, ao mundo animal, ao mundo vegetal e ao passado onde tivemos, algures no tempo, uma "semente de energia" que deu origem a tudo. Estamos já no território do KOSMOS (palavra de origem grega que significa TUDO).

Nelson S Lima

O RELÓGIO DA VIDA (1)

Ritmos Biológicos


A influência dos ritmos biológicos nos processos químicos do organismo talvez seja a maior prova de como nós estamos profundamente mergulhados nos diferentes campos de energia que compõem a vida e como estamos em interação constante com o ambiente terrestre.

Ou seja, o ser de manhã, de tarde, de noite, de inverno ou primavera incide sobre a dinâmica da vida, incluindo a forma como o corpo reage a estímulos “marcados” do tempo. Esta organização temporal do organismo atingiu, efetivamente, um grau de complexidade impressionante de tal forma que ignorar ou lutar contra ela pode ser altamente perigosa.

A grande contribuição do estudo da cronobiologia é a de fornecer diretrizes de como nosso organismo se comporta em determinados períodos. Por exemplo, o chamado ritmo circadiano é um dos mais importantes pois estende-se por 24 horas. Nesse período de tempo ocorrem múltiplos eventos no corpo que são mais ou menos ativos conforme as horas. O do sono é o mais conhecido.

O estudo dos mecanismos marcadores de tempo na intimidade dos organismos, ou “sistemas de temporização” permite-nos também compreender como somos sistemas abertos sujeitos a grandes oscilações, o que nos afasta bastante de uma visão mecanicista do corpo cuja eficiência é a mesma em qualquer momento.

O que é o cronotipo
É óbvio que os ritmos biológicos variam de pessoa para pessoa. Deparamos então com os “cronotipos” que são determinados geneticamente. Por exemplo, existem as pessoas  matutinas que se sentem muito melhor de manhã e as vespertinas que atingem o seu ponto mais alto ao entardecer. 

Este grupo é o mais predominante (abrangendo cerca de 80% da população). Daí que as manhãs são geralmente menos produtivas do que as tardes não tanto por serem mais curtas mas porque o ritmo biológico dessas pessoas está orientado para ser assim. Os outros ritmos e funções corporais estão estabelecidos de forma mais uniforme entre todos nós.

Sejamos matutinos ou vespertinos, as variações da temperatura, da pressão arterial e das muitas outras atividades eletroquímicas do organismo obedecem a um ritmo semelhante entre todas as pessoas.

Finalmente, diga-se que o nosso “relógio biológico” é controlado por uma estrutura nervosa no cérebro - o chamado núcleo supraquiasmático, localizado no hipotálamo anterior - que marca todas as funções do organismo, ditando os ritmos relacionados com a duração do dia (níveis de luz), da temperatura corporal, etc.

Os "ritmos biológicos" nos seres vivos (animais e plantas) têm uma origem genética, são hereditários e visam o equilíbrio e a eficiência corporal, a adaptação ao ambiente, a saúde e a sobrevivência.

Nelson S Lima

O CÉREBRO OCULTO

É fácil de entender que milhares de memórias e conhecimentos estejam fora do nosso alcance consciente e estejam algures espalhados no cérebro. Basta lembrar-nos como, de repente, temos uma ideia ou uma solução que buscávamos sem sucesso.

Ou então, o material dos sonhos. Onde está esse material que alimenta os sonhos que ocupam uma boa parte do nosso sono? Mais ainda: aquilo que se chama intuição - uma espécie de conhecimento difuso mas que muitas vezes está certo. Onde se gera a intuição? E os pensamentos? De onde vêm os pensamentos? Já reparou que estamos sempre a pensar em alguma coisa? Na verdade, eles são produzidos por campos de energia psíquica de que não temos previamente consciência.

Podemos afirmar que o mundo inconsciente da psique é enorme, intemporal e não ocupa espaço no cérebro. Está lá e não está. Há toda uma actividade mental, incluindo emoções, que desconhecemos e que interferem na nossa vida consciente.

Mais impressionante ainda: está demonstrado cientificamente que tomamos as nossas decisões meio segundo antes de sabermos o que decidimos. É como se uma inteligência inconsciente agisse em nosso nome pondo em causa a ideia de que somos seres independentes e que mandamos nos nossos pensamentos. Parece que não é bem assim que as coisas se passam.

Os processos inconscientes ajudam a automatizar gestos. Por exemplo: depois de muito treino um atleta ou um artista executa as suas provas de forma natural, sem necessidade de pensar o que fazer a não ser manter-se concentrado. Mas o conteúdo da competência foi aprendido e depois age sob o efeito do inconsciente cognitivo. Todos os dias os nossos sentidos captam milhões de informações (imagens, sons, cheiros, etc).

A maior parte dessa informação nós não damos conta dela pois é recolhida de forma não consciente. Ela fica guardada na memória. O registo é automático, quer queiramos quer não. Depois, mais cedo ou mais tarde, esse material vai alimentar ideias, pensamentos, intuições e sonhos. Ele dirige nossos comportamentos e escolhas. Alimenta a nossa personalidade.

Nelson S Lima

MATURIDADE COGNITIVA

A "informação" alimenta o cérebro e a sociedade. Ela é determinante para o desenvolvimento económico, tecnológico, científico e social. Ela flui através de múltiplos canais que cobrem o planeta como uma rede cada vez mais extensa - a infosfera.

O "conhecimento" forma-se através da pesquisa, da arte da pergunta, da curiosidade intelectual e da ciência e fornece a humanidade de novos saberes e novas competências que lhe permitem progredir rumo a um mundo que se renova todos os dias e que cada vez mais influencia os contornos do nosso futuro pessoal e coletivo.

A "sabedoria", fruto da informação acumulada, da vivência experimentada, do conhecimento partilhado, da inteligência multifocal e multidimensional, do crescimento humanista e da maturidade espiritual, oferece-nos um sentimento de segurança e uma visão mais esclarecida do mundo em que vivemos.

Nelson S. Lima
Em Liubliana (Eslovénia)

AMIZADES NO MUNDO VIRTUAL

Relações humanas, entre o real e o virtual

A conhecida escritora Inês Pedrosa, numa recente entrevista à "Visão", disse que a "amizade virtual vale zero". E sobre isso nada mais acrescentou. Eu também já tive a mesma opinião sobre as amizades que aqui se fazem mas depois fui mudando e percebendo que também há amizades verdadeiras mesmo que, tecnicamente falando, possamos consentir chamá-las de "virtuais" (o que não significa que sejam "falsas" ou "inexistentes").

Nas relações humanas, aquilo que é "virtual" é entendido como algo que não é formalmente verdadeiro (mas que também não é falso) e aciona o nosso cérebro para lhe dar algum "corpo", o que nos ajuda a aceitá-la como estando próximo da realidade conforme nossos sentidos nos dão a perceber.

A "realidade virtual" é, com efeito, uma realidade feita de outros elementos mas onde o principal ponto é que não se pode tocar, cheirar e "sentir" a presença de alguém (e não nos iludamos: esses sentidos são deveras importantes nos animais sociais).

Conheci pessoas e realizei amizades neste mundo virtual, feito de imagens e sons, mas sem o toque nem o cheiro. Não obstante, algumas tornaram-se fortes e viçosas. Outras distinguem-se pela sua presença constante e leal. E outros relacionamentos, tal como na vida "real", ficaram perdidos na distância e no silêncio.

Há um estudo que diz que, acima de 150 pessoas, é difícil mantermos contactos regulares com todas elas. E isso eu constato. Tendo mais de 4.600 pessoas registadas na minha página do Facebook é-me completamente impossível, por exemplo, acompanhar o que todos escrevem e comunicam.

A maioria mantém-se, outros afastam-se por algum motivo (e pode haver muitos motivos perfeitamente honestos e compreensíveis) e não sei mais deles. Perderam-se na "núvem" - este universo de conexões imensas que assenta na internet (e que eu gosto de chamar "sociosfera").

QUANTO VALEM AS AMIZADES VIRTUAIS?

Vem tudo isto a propósito do valor da "amizade virtual". Se para a escritora Inês Pedrosa "vale zero" (opinião que respeito) para mim a "amizade virtual" valerá mais ou menos conforme nós a cultivarmos e investirmos nela. Pode então haver belas amizades "virtuais", melhores, mais honestas e íntegras do que muitas e hipotéticas amizades "reais" que qualquer um de nós terá.

As regras da "amizade virtual" são simples. Não diferem da "amizade real". O que torna qualquer uma delas importante é o que elas significam para nós. Tenho "amigos virtuais" de que não prescindo. E isso quer dizer que eu estou nos dois mundos (se bem que o filósofo Pierre Lévy tenha declarado que ambos são reais, distinguindo-se apenas na forma como estamos em cada um deles).

Sejam pois bem-vindos os "virtuais" tanto como os "reais". A amizade será o que quisermos que ela seja. E isso é da responsabilidade de cada um de nós.

Nelson S Lima

COMO PODEMOS ENTENDER O PROGRESSO?


A palavra progresso deve ser das mais usadas dos últimos 150 anos. O progresso aparece quase sempre associado à técnica, à indústria, aos negócios e também à ciência. No geral, o progresso é entendido como sinónimo de modernização e aperfeiçoamento em diferentes campos da atividade humana.

Esta perspetiva do progresso é, porém, redutora porque o progresso deve também incluir valores mais elevados como os intelectuais, os estéticos, os morais e os espirituais.

Temos assim uma diversidade de progressos onde eu destaco o progresso moral e o progresso espiritual que, na realidade, são os que, baseados em diversos valores, devem nortear a humanidade.
Infelizmente, os níveis de progresso variam bastante. Por exemplo, há quem diga que avançamos mais rapidamente no progresso tecnológico do que no progresso moral ou até no espiritual. E daí as dificuldades que vivemos atualmente devido ao desfasamento desses níveis.

Seja como for, qualquer progresso deve ter como aspiração a melhoria da qualidade de vida da humanidade e, então, torna-se necessário que as pessoas entendam o progresso como um valor multidisciplinar integral (técnico, científico, estético, moral e espiritual).

O PROGRESSO PESSOAL
O progresso deve ser usado como uma motivação para melhorar os padrões de vida da sociedade em todos os aspectos e não apenas num ou dois.

A ideia de progresso deve ajudar-nos a fazer apelo à nossa capacidade de criar, fazer e executar com diligência, rigor e prontidão o que quer que seja que nos torne mais civilizados, mais altruístas, mais generosos, mais criativos e mais íntegros.

Aprender ou ensinar esta ideia mais vasta e abrangente do que deve ser o progresso teria repercussões no nível de vida das pessoas, na saúde, na política, na educação, nos negócios, no trabalho e no desenvolvimento do potencial de cada um de nós.

Nelson S Lima

PODEMOS MELHORAR AS EMOÇÕES?


Numa época caracterizada por medos, incertezas, pensamentos acelerados, angústias e depressões, "treinar a emoção é desenvolver as funções mais importantes da inteligência tais como aprender a gerenciar os pensamentos, proteger a emoção dos focos de tensão, pensar antes de agir, se colocar no lugar dos outros, perseguir os sonhos, valorizar o espectáculo da vida" - escreve A. Cury no prefácio do livro "Treinando a Emoção para Ser Feliz".

Há, nesta obra, uma advertência muito curiosa e oportuna: "muitos livros de auto-ajuda vendem uma ideia inadequada do que é ser feliz" - escreve Cury. "A felicidade - diz ele - tem muitas filhas e filhos: o amor, a tranquilidade, a sabedoria, a alegria, a paciência, a tolerância, a solidariedade, o perdão, a perseverança, o domínio próprio, a bondade, a auto-estima. Nunca se viu uma família tão unida!".

E essa unidade aqui descrita através dos nomes dos seus vários membros (amor, alegria, perdão, etc.) não pode ser desfeita. "Se você maltratar alguns dos seus membros, tem grande chance de perder a família toda" - adverte Augusto Cury.

De forma que a melhor maneira de você cultivar a felicidade é "aprender a conhecer o mundo da emoção". Veja: a felicidade, diz o mestre, é amiga do tempo e nós precisamos de tempo para treinar a emoção. Mas, como treinar a emoção? Não são as emoções demasiado biológicas, arreigadas em nosso organismo e nossa psique, para poderem ser treinadas? Sim, as emoções são feitas de estruturas pesadas.

O medo, por exemplo. É uma emoção básica, essencial à vida. Em doses normais, o medo apenas aparece quando se justifica. Ajuda a nos proteger contra os perigos. Mas, quando incentivado por uma sociedade complexa como a nossa, o medo pode tornar-se num monstro horrível e aniquilar nossas potencialidades para sermos felizes (você sabia, por exemplo, que 1% das crianças têm medo de aprender assuntos novos?)

Parece estranho quando sabemos como as crianças são curiosas e gostam de aprender. Pois é. Mas há crianças que têm medo que as coisas novas que vão aprender na escola lhes tragam surpresas desagradáveis e abalem as suas crenças e como vêem o mundo. Preferem o "estado de ignorância". Infelizmente, muitos adultos também sofrem do mesmo problema e optam por manter-se incultos e analfabetos, recusando novos saberes que poderiam enriquecer suas vidas.

As emoções podem ser chamadas de "básicas" ou primitivas quando, como o medo ou a ira, vêm inscritas em nosso código genético como instrumentos de defesa e sobrevivência. Nascemos com elas. Outras, como a vergonha, são aprendidas. São emoções de 2º nível. Adquirimo-las ao longo do nosso crescimento através da interacção social com os outros. Veja como os outros podem então ser determinantes para a nossa vida emocional: podem fazer-nos sofrer ou fazer felizes. Podem ajudar-nos a sermos senhores de nossas emoções ou escravos delas (pais e professores tenham cuidado com o que dizem às crianças!).

Para que possamos viver mais felizes, Augusto Cury ofecere-nos algumas dicas precisosas. Veja:

- não faça o velório antes do tempo, não sofra por antecipação (os que sofrem por antecipação treinam ser infelizes, gastam uma energia vital, fazem de suas vidas um canteiro de preocupações e stress);
- não faça de sua vida enocional uma lata de lixo social; proteja-se dos focos de tensão, não permita que as perdas e as frustações invadam sua vida;
- não seja carrasco de si mesmo (não seja ambicioso ao ponto de colocar metas inatingíveis para si, não tenha medo de falhar e errar, proiba-se a si mesmo de sentimentos de culpa e nem cobre dos outros o que eles não podem dar!).

Nelson S. Lima 

COMO UM ALUNO BRINCALHÃO SE TORNOU FAMOSO


1. Já todos viram ou ouviram falar da série televisiva "Os Simpsons" (veja a ilustração). Ela teve início em 17 de Dezembro de 1989, nos Estados Unidos e rapidamente alcançou o sucesso, sendo passada em muitos países. Foi considerada a melhor série do século XX pela revista "Time" e tem ganho inúmeros prémios.

2. Recuemos uns anos. Matt Groening era um aluno obscuro. Na escola distraía-se a desenhar "bonecos". Mais tarde tornar-se-ia cartoonista vivendo precariamente com o que lhe era encomendado.

3. Um dia, o canal de televisão Fox convidou-o para criar uma curta animação. Ele pensou em algo que, de imediato, percebeu que não condizia com aquilo que a empresa pedira. E o maior problema é que ele tinha apenas uns minutos para encontrar uma solução. Estava na sala de espera da sede da Fox.

4. Foi ali e naqueles momentos que teve a ideia de sugerir um filme sobre uma família disfuncional. Mas faltava-lhe o título. Foi quando lhe ocorreu dar-lhe o nome de alguns dos seus familiares: Simpsons!

5. A ideia foi aprovada e a primeira animação foi concluída em Abril de 1987. Depois evoluiu para a conhecida série com o mesmo nome e que deu também origem a livros e a brinquedos com todo o sucesso que lhe conhecemos.

Esta breve história de vida de Matt Groening é idêntica a muitas outras. Alunos que passam despercebidos acabam por superar mais tarde os colegas de maior sucesso na escola.

Neste caso, o talento de Groening assentava sobretudo no seu espírito brincalhão. Ele dizia que nunca deixara de ser criança e que isso acelerava a sua criatividade.

Numerosos estudos atestam que o bom-humor e a brincadeira, mesmo nos adultos, tem numerosos efeitos positivos, desde a saúde ao trabalho. O caso que deu origem aos "Simpsons" é um dos mais interessantes.

Nelson S Lima

Os homens mentem mais, mas as mulheres...


Por muito que queiramos erradicar a mentira da sociedade, ela acontece muitas mais vezes do que poderemos imaginar e veio para ficar. Há mais população, mais complexidade, maior competição.....Ora então, isto são condições ótimas para a proliferação da mentira.

Até ao momento, todos os estudos revelam que o ser humano usa a mentira como instrumento social a fim de obter algum benefício. O problema é que todos somos mentirosos e nem os "santos" escaparam.

Há mentirosos compulsivos mas todas as outras pessoas, frequentemente, fogem à verdade, aos factos, mentindo. Numa simples entrevista de emprego as pessoas mentem para valorizar a sua imagem. Por exemplo, todas as pessoas entrevistadas dizem-se sociáveis e capazes de trabalhar em equipa. Neste caso, cerca de 30% mentem pois são introvertidas, tímidas e não gostam de trabalhar em grupo.

Há grandes mentiras e pequenas mentiras. Há mentiras perigosas e mentiras inofensivas. Seja como for, elas fazem parte dos relacionamentos humanos e muitas delas são apenas formas de fugir às responsabilidades. É o caso da pessoa que chega atrasada a uma reunião matinal e culpa o trânsito quando, na verdade, simplesmente se levantou tarde.

Não fiquemos surpreendidos. Outros primatas também usam da trapaça para enganar os seus companheiros. Truques, engodos e fingimentos são usados para arranjar parceira sexual ou para alcançar uma posição hierárquica no grupo. A mentira tem uma origem animal, biológica.

A MENTIRA HUMANA É PERIGOSA
O problema com o ser humano é que ele pode levar a mentira ao extremo e causar grandes danos, mesmo tendo consciência disso. Os psicopatas, que não se compadecem com os outros, usam a mentira e a falsidade com extrema habilidade.

Como para dizer uma mentira temos de reprimir uma verdade é difícil, por vezes, sustentar o engano. E é isso que leva a que, inadvertidamente, os mentirosos sejam desmascarados em muitas situações. Mas muitas mentiras (algumas de grande impacto histórico) nunca chegam a ser desmascaradas.

Há vários estudos científicos muito interessantes sobre esta matéria. Um deles confirma que os homens mentem mais do que as mulheres. Um dos momentos altos da mentira masculina é na sedução. Fiquem pois atentas, minhas amigas. E, senhores, acautelem-se. Tenho aqui um outro estudo que diz que as mulheres são boas detetoras de mentiras.

Nelson S Lima

EDUCAÇÃO SOCIAL


Sendo os humanos seres sociais, o seu cérebro possui estruturas e padrões de funcionamento adaptados desde longa data para a interação, a comunicação e a expressão emocional.

Mesmo durante a nossa vida, o cérebro, estando programado para a socialização, pode ser ajustado para um melhor funcionamento nas interações com os outros. A neuroplasticidade - que dá ao cérebro a possibilidade de se adaptar, aprender e modificar-se - tem aqui um papel crucial, sobretudo nos primeiros anos de vida e também durante toda a vida, com mais ou menos amplitude.

Alguns "defeitos" estruturais e funcionais levam a que certas pessoas tenham comportamentos anti-sociais que não são diretamente devidos a uma educação deficiente ou omissa.

Não obstante, o papel do ambiente social sobre o comportamento e o cérebro não deve ser descurado. A educação pode, assim, ajudar a mudar o próprio cérebro fazendo reajustes (mais ou menos limitados, naturalmente) para que ele se torne mais "sociável" favorecendo boas relações humanas e contribuindo para a saúde social e para o conforto emocional.

Nelson S Lima 

PORQUE FICAMOS DOENTES?

É durante a infância que nos livramos de muitas doenças na vida adulta!

Com o desenvolvimento da sociedade industrial e a ampliação do tempo de atividade, os seres humanos passaram a andar, em geral, descoordenados do seu relógio biológico. E então temos atualmente uma sociedade ensonada e cansada na maior parte dos dias. 

Viajamos  de noite, divertimo-nos de noite, dormimos de dia, trocamos as horas de comer e sofremos de "jet-lag" (que significa uma descompensação horária  originando uma extrema fadiga decorrente de alterações no ritmo circadiano). Com isto estamos, muitas vezes, a submeter o nosso organismo a um stress tal que pode fazer perigar a nossa vida.

Como já vimos, cada sistema do nosso organismo tem o seu ritmo biológico. Num organismo saudável o conjunto de ritmos estão coordenados, o que permite que o corpo responda com eficácia a todas as variações ambientais. Uma boa noite de sono é reparadora e permite um dia em que o desempenho é mais elevado do que num dia em que dormimos pouco. Mesmo dormindo de dia a recuperação nunca é total porque o sono diurno é diferente do sono noturno.

Os efeitos cognitivos do ritmo biológico são também notáveis. Por exemplo, a eficácia da concentração e da memória não dependem apenas da motivação e do empenho mas também das horas do dia.  É depois das 10 da manhã que a aprendizagem é mais fácil. À tarde funciona melhor a memória de longo prazo. Em alguns sujeitos é por volta das 20 horas que o estudar é mais produtivo.

De facto, a concentração aumenta lentamente ao longo do dia e diminui depois das 21 horas atingindo o seu ponto mais baixo entre as 3 e as 5 horas da manhã - precisamente o período em que, comparativamente ao que se passa de dia, há maior probabilidade de acidentes rodoviários.

Também sabemos que a concentração no sangue  de várias hormonas como o cortisol, a testosterona, a adrenalina e a noradrenalina é menor precisamente nos picos de fadiga.

Por sua vez, a ingestão de tranquilizantes ou de estimulantes conforme a hora do dia vai também alterar o ritmo biológico do cérebro e os efeitos dos químicos ingeridos. Há situações em que ficamos próximos da toxidade máxima correndo perigo de vida sem darmos conta. Será necessária uma educação médica sobre a matéria para que se consiga obter a melhor conjugação entre a ingestão de alimentos e medicamentos e as horas de receptividade ideal do organismo.

Concluindo, a toda a hora o nosso metabolismo apresenta uma dinâmica de acordo com o relógio da vida. Não há ainda aparelhos que permitam dizer-nos com exatidão quais as horas do dia, do mês e do ano em que estamos mais aptos a lidar com os diferentes componentes da vida. Embora saibamos que o Inverno "mata" mais do que o Verão ou que o álcool de manhã é mais tóxico para o organismo do que de madrugada (embora de noite tenha um efeito mais perigoso no cérebro reduzindo a capacidade de reflexos) o resto é ainda uma grande incógnita tanto mais que cada pessoa tem caraterísticas individuais únicas.

A minha sugestão é que adotemos tanto quanto possível um estilo de vida que nos aproximem dos ritmos e dos ambientes naturais. Somos seres vivos e não máquinas. Estamos sujeitos às leis da vida e não às da morte mas frequentemente estamos mais perto da condenação à finitude do que da energia que nos fornece vitalidade. Neste capítulo, o auto-conhecimento é de uma importância vital!

Nelson S Lima

VIVER ENTRE INSTINTOS E INTELIGÊNCIA


Existem muitas coisas na vida que, já estando registadas no cérebro, não devemos interferir pois acabaremos por sabotá-las. Muitas outras merecem que façamos uma reavaliação sob pena de nos deixarmos ultrapassar por acontecimentos novos e, num instante, ficarmos confrontados com mais problemas.

Existem "forças" no cérebro que estão em permanente confronto. As mais resistentes são as antigas, têm centenas de milhões de anos de evolução e estão na base do cérebro (os instintos são um bom exemplo). As mais frágeis estão no topo do cérebro, têm apenas algumas centenas de milhares de anos, no máximo um milhão de anos, quando surgiram os primeiros hominídeos de quem descendemos.

Quando enfrentamos problemas novos a razão (resultante do cérebro superior) pode ditar-nos uma decisão mas os registos antigos (inscritos nas zonas baixas do cérebro) podem tentar contrariar-nos. É por isso que a publicidade é direcionada para as zonas antigas e inconscientes do cérebro pois é mais suscetível de nos influenciar do que o pensamento crítico e racional. É assim que acontecem as compras e as decisões impensadas, feitas por impulsos inconscientes e destituídas do filtro da razão. Depois do neuromarketing surgiu agora o paleomarketing que ensina os vendedores a conhecerem os nossos desejos instintivos!

Se o cérebro trabalha assim, devemos então aprender a desenvolver o juizo crítico, o pensamento elevado e a atenção concentrada. Mas - e nestas coisas há sempre um "mas" - devemos ter também em consideração os limites da nossa própria consciência. É que a consciência nem sempre nos revela a realidade total mas apenas fragmentos ou, pior ainda, ilusões cognitivas e erros de percepção (veja-se como os bons ilusionistas nos conseguem "enganar").

Viver em sociedades complexas como as nossas está a exigir cada vez mais capacidades das pessoas mas parece que estamos a claudicar, a sermos incapazes de manter o equilíbrio ideal (vejam-se os comportamentos das pessoas, cada vez mais stressadas, ansiosas, aceleradas, inseguras, viciadas num série crescente de defesas).

Quem disse que a vida é fácil, enganou-se. Não é fácil. É um permanente desafio à nossa resistência (física, emocional e cognitiva).

Nelson S Lima

O MUNDO NÃO EXISTE


Segundo o jovem filósofo Markus Gabriel (considerado uma revelação e um menino-prodígio), esta coisa da vida é mais complicada porque... O MUNDO NÃO EXISTE. Ou talvez exista mas não como o pensamos.

Não nos inquietemos. No seu livro "Porque o mundo não existe" (2014), o autor apazigua-nos de qualquer sobressalto e declara, afinal, que "o nosso planeta existe, tal como existem os meus sonhos, a evolução, os autoclismos, a queda de cabelo, a esperança, as partículas elementares e até mesmo os unicórnios na Lua, só para citar algumas coisas". Ou seja, "o princípio de que o mundo não existe significa que TUDO ISTO EXISTE MAS DE MANEIRA DIFERENTE".

Sem entrar em detalhes nem análises sobre o livro, aquilo que resultou da minha leitura, é que nós vivemos em muito mundos e não apenas num (aquele que julgamos ser "o mundo" que nos ensinaram a "ver").

Ora o mundo, por exemplo, não é o Universo. O Universo é apenas uma parte do mundo tal como eu e você, ou uma bactéria, ou uma poeira, somos parte de um mundo qualquer.

O mundo, segundo o princípio defendido por Markus Gabriel, é TUDO onde também cabe o dito universo onde brilham as estrelas. Mas este TUDO (conceito que se aproxima do de Ken Wilber com o seu "Kosmos") inclui até os nossos pensamentos mesmo que ninguém os veja (os pensamentos realizam-se no mundo mental e, por isso, afastados da nossa capacidade de os olhar de frente ainda que possamos pensar sobre eles - já ouviu falar em "pensar sobre o pensar"? - é isso, e chama-se metacognição).

Se existem muitos mundos que fazem um mundo enorme em qual deles vivemos? Vivemos num só ou vivemos em vários? Temos o mundo das ideias, o mundo das emoções e sentimentos, o mundo das crenças, o mundo das políticas, o mundo das coisas materiais, o mundo das coisas imateriais e por aí adiante. São muitos os mundos que cruzamos ao longo da vida e que fazem de nós pessoas únicas pois cada um desses mundos é vivido de forma particular. Nós mesmos somos um mundo.

Hoje vivemos tempos atribulados e excitantes, feitos de incertezas e contradições, o que traz para primeiro plano uma crescente sensação de desorientação que tem como resultado, por exemplo, o desenvolvimento de doenças como a depressão (considerada já a doença mais disseminada nas sociedades industrializadas e urbanizadas com 2/3 da população já afetada).

Parece-me que, à medida que avançamos no tempo, mais complicado ele se apresenta e quando isso acontece temos problemas de orientação. Já não sabemos o que é verdade ou o que é real pois as fronteiras entre a mentira, a ilusão e a alucinação começam a esbater-se cada vez mais. Por isso é que anda por aí cada vez mais gente confusa e enganada, tomando decisões com base em quase nada mais do que emoções desencontradas da inteligência (aqui entendida como discernimento).

Naveguemos (na vida) com cautela.

Nelson S Lima

O QUE PODEMOS GANHAR COM A SERENIDADE?


Vivemos em constante agitação. Podemos pensar que estamos isentos da sua influência mas é de todo impossível evitarmos que este mundo tão turbulento e tão rápido na produção de novos acontecimentos (políticos, sociais, tecnológicos e outros) não deixe as suas marcas na nossa vida.

Estive hoje a pesquisar sobre o stresse e há cada vez mais consenso entre os diferentes investigadores que o stresse, nas suas diferentes formas, pode ser extremamente perigoso. Ele não apenas sujeita o organismo a uma pressão bem perceptível como também atua de uma maneira silenciosa, discreta e sem que tenhamos percepção do problema. O seu antídoto é a serenidade espiritual.

A serenidade é um estado do nosso ser que devemos praticar para fugirmos ao sofrimento da angústia, da inquietude e da intranquilidade. A serenidade é, em rigor, uma atitude perante a realidade da vida e que tem a vantagem de nos permitir avaliar objetivamente o que nos rodeia e aquilo que nos acontece. Ela também abre espaço a múltiplos valores e potencialidades que poderão nunca se revelar sob o efeito do stresse, da ansiedade e da angústia.

Só serenamente poderemos aceder à perspicácia e até ao pleno uso da inteligência. Assim, a serenidade é um recurso humano que, mais do que nunca, deveremos exercitar. Ela é como o sol que rompe e vence o nevoeiro que tantas vezes paralisa a nossa vida.

Nelson S Lima

MEU NOVO LIVRO EM CONSTRUÇÃO

Nosso cérebro: uma obra de engenharia biológica!

1ª Parte O UNIVERSO DAS NEUROCÊNCIAS   
Depois da "década do cérebro", nos anos 90 do passado século, que permitiu grandes avanços no conhecimento, estão agora a ser investidos bilhões de dólares em grandes projetos envolvendo instituições internacionais como a União Europeia, governos e instituições privadas. Destacam-se o Human Brain Project's financiado pela União Europeia, The BRAIN Initiative promovido pelo Governo dos Estados Unidos da América, o Human Connectome Project e o Allen Human Brain Atlas, os quais reúnem milhares de cientistas de diversas áreas desde a Antropologia à Biologia Evolutiva.
Os novos conhecimentos obtidos sobre o sistema nervoso têm permitido a expansão da neurociência aplicada a novos campos do universo humano como a neuroeducação, a neuroeconomia, o neuromarketing, a neuropolítica além das mais variadas aplicações médicas.

2ª Parte A MARAVILHA DO SISTEMA NERVOSO
Três características do sistema nervoso se destacam dos demais sistemas orgânicos: a rapidez de ação, a flexibilidade e a adaptabilidade.
O cérebro desenvolve-se através de um processo dependente da experiência e da estimulação. Ao longo da vida acumula um acervo formidável de conhecimentos que são registados num complexo sistema de memórias.
O conhecimento das estruturas do sistemas nervoso e de como interagem desde o interior das diferentes células neurais até aos grande grupos (redes) de células nervosas (neurónios, neuroglias, etc.) é imperativo para o avanço da ciência e da sua aplicação em diferentes áreas.

3º Parte NASCIMENTO E MORTE DO CÉREBRO HUMANO
O sistema nervoso forma-se cedo, no início da gestação, e desenvolve-se em diferentes ritmos conforme as várias etapas da vida revelando uma plasticidade extraordinária e uma interação ativa e necessária com o ambiente.
As funções do sistema nervoso são cruciais para a formação e desenvolvimento de todo o organismo e para os posteriores confrontos com os diferentes desafios da vida que ocorrem ao longo da infância, da adolescência, do amadurecimento adulto e da terceira e quarta idades.
O "envelhecimento cerebral" poderá ser um período longo de mais de 30 anos com maior ou menor perda de capacidades  devido ao aumento da esperança de vida. Nesta fase da vida, o sistema nervoso e em particular o cérebro estão sujeitos a numerosas anomalias e doenças

Nelson S Lima 

O VALOR RELATIVO DO DINHEIRO


Diz o povo na sua sabedoria milenar que “quem trabalha por gosto não cansa”. Significa isto que é o prazer da realização que deve motivar-nos. Movidos pela paixão acabamos por chegar mais próximo e até atingirmos a perfeição. O nosso valor será então reconhecido e em troca teremos não apenas o reconhecimento e a admiração dos outros. É que isso não deixa de valer dinheiro, por vezes mesmo muito dinheiro.

Se assim fizermos, se nos dedicarmos a algo socialmente útil, seremos recompensados. Pode ser um salário como podem ser muitas outras formas de distinção que, direta e indiretamente, se transforma facilmente em dinheiro. Dinheiro que depois deveremos saber gerir e não nos deixarmos enfeitiçar por ele. 

Será pois desejável que centremos as nossas energias na conquista do reconhecimento e da recompensa mais do que na focalização do dinheiro. Se trabalharmos “apenas” para ganhar dinheiro ficaremos escravos dele. Todas as nossas energias serão para ele canalizadas, muitas vezes até ao esgotamento total. 

A busca pelo dinheiro – seja de que forma for – desestrutura-nos a alma e pode transformar-nos em vilões, em pessoas “avarentas” e preocupadas funcionando como peões do xadrez capitalista.

O dinheiro - e as suas diferentes formas de representação - é, para já, insubstituível. Sem ele não poderemos viver numa sociedade de troca. Daí o desespero de quem não consegue ter um emprego pois é uma das formas honestas de o obter.

Mas ter um emprego é algo mais do que um meio para chegar ao dinheiro. O trabalho, sobretudo o trabalho produtivo, é que é o garante da sobrevivência mas também da fama que tantos procuram. Daqui resulta que, se quisermos ser livres, deveremos centrar-nos no auto-desenvolvimento e na melhoria dos nossos recursos, habilidades e conhecimentos. Não tanto no dinheiro. Ele deve ser uma consequência.

É isso que nos tornará ricos enquanto pessoas independentemente do pouco ou do muito dinheiro que consigamos obter em troca do que fizermos.

Todos os estudos apontam para o facto de que, em menos de um ano, as pessoas que se tornam milionárias nos jogos de lotaria não se sentem mais felizes do que antes. Em muitos casos as suas vidas tornaram-se até mais complicadas e atormentadas. O valor do dinheiro é pois limitado.

Nelson S. Lima 

QUANDO OS LIMITES NOS TRAVAM


Herry Worsley, herói de nosso tempo!
Estou a escrever sobre o inglês Herry Worsley, de 55 anos, com experiência de combate na Bósnia e no Afeganistão. Já retirado do exército, dedicou-se, entre outras atividades, às grandes aventuras como aquela que fez dele o primeiro homem a ir sozinho do Canadá ao Pólo Norte (em 2003) e realiando também várias travessias no continente antártico.

Acompanhei as notícias da última aventura dele. O objetivo era chegar ao Pólo Sul caminhando sozinho cerca de 1 500 kms pelo grande continente gelado da Antártida tal como já fora tentado por Ernest Shackleton (em 1915).

Desta vez, a natureza foi mais impiedosa e já quase no fim da longa jornada ele atingiu o limite das suas forças. Ficou dois dias sem se poder mexer após o que morreria por esgotamento já no hospital de Punta Arenas, no Chile. Seria a jornada da sua vida, algo com que havia sonhado desde criança.

Antes de desfalecer ainda teve tempo de transmitir uma mensagem já com uma voz quase impercetível: "A minha jornada chegou ao fim. Fiquei sem tempo e sem capacidade física - "I have shot my bolt". Tinha estado 71 dias a caminhar penosamente contra as forças da natureza. Tudo terminou no dia 24 de Janeiro de 2016.

A sua determinação não deixará, porém, de inspirar outros a chegarem àquele difícil destino. O ser humano é assim mesmo: o desbravar horizontes, o alcançar metas e progredir em busca dos seus sonhos mais profundos.

Neste exemplo que aqui vos deixo, só a morte impediu este explorador de, finalmente, se tornar no primeiro a percorrer a Antártida a pé e chegar ao Pólo Sul. Ficou apenas a 48 quilómetros do objetivo.

Nelson S Lima

A IDADE DO CÉREBRO É IGUAL À IDADE DA MENTE?


Em boa verdade, não. Por isso é que há muitos idosos com uma mente inegavelmente jovem e muita gente nova mentalmente envelhecida. Pode parecer um exagero, até mesmo uma impossibilidade, mas não é. Mais: não se trata de uma fantasia mas de uma constatação que os estudos científicos têm vindo a confirmar sucessivamente.

Isto é muito interessante porque a mente deve ser daquelas poucas coisas do Universo que, com o avançar do tempo, em vez de envelhecer revela capacidade para se manter jovem, parecendo contrariar as leis da Natureza e da Vida.

Sabemos que, com o avançar dos anos, o corpo – onde se inclui o cérebro – vai sentindo os efeitos da chamada entropia (uma importante lei da Física que tem a ver com o desgaste e a perda de energia causada pelo tempo e por outros fatores nocivos como certos estilos de vida). É o que acontece aos diferentes órgãos do nosso corpo que, cada um no seu ritmo e ao seu jeito, vão perdendo o vigor da juventude e envelhecendo. Aliás, é um processo que começa bem cedo na vida mas de que as pessoas só tomam consciência sobretudo a partir da meia-idade.

Voltando ao assunto da mente. Quer se queira quer não - e por muito que se pretenda acreditar que o cérebro e a mente são domínios distintos de uma mesma realidade - uma coisa é um neurónio ou uma rede de neurónios (observáveis, mensuráveis, etc.) e outra coisa, bem diferente, é um pensamento, uma ideia ou uma recordação. Os neurónios são células e fazem parte do cérebro; os pensamentos, as ideias e as recordações são já do domínio da psique, ainda que esta apenas seja possível graças à atividade do cérebro. O cérebro é um órgão mas a psique (ou mente) é um campo de energia e informação (produzido por aquele).

Aqui chegados já começamos a vislumbrar a natureza da mente. Esta é estruturada e dinamizada pela experiência, os estímulos e as aprendizagens obtidas em cada instante da vida. Assim, quanto mais anos de vida tiver a nossa mente, mais experiência e mais informações podemos acolher, gerir e acumular mesmo que o cérebro vá perdendo neurónios que não escapam à tal entropia (a qual conduz à chamada morte neuronal, ou seja, a morte gradual dos neurónios que pode atingir 10% dos 100 mil milhões que formam os cérebros adultos).

Levar uma vida saudável (ativa, estimulante e criativa) revigora a mente, abre as portas a novos saberes e garante a agilidade do pensamento. Mesmo que o cérebro tenha 70, 80 ou 90 anos de idade, a mente da pessoa idosa não tem que ficar prisioneira do calendário. Ela pode sempre escapar à perda de vitalidade orgânica através do aprofundamento da sabedoria e da utilização das diferentes aptidões e capacidades (novas aprendizagens, saudáveis relações sociais, novas paixões e interesses, atividades produtivas, etc.). É assim que se constrói o chamado “envelhecimento ótimo”.

As mais recentes investigações científicas garantem que uma vida ativa e mentalmente produtiva também aumenta a longevidade. E isso acontece porque o que fizermos com as nossas faculdades mentais tem influência direta no estado do organismo. É por isso que a idade cronológica (aquela que celebramos em cada aniversário) não tem de forçosamente corresponder à idade mental.

Nelson S Lima