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AMIZADES NO MUNDO VIRTUAL

Relações humanas, entre o real e o virtual

A conhecida escritora Inês Pedrosa, numa recente entrevista à "Visão", disse que a "amizade virtual vale zero". E sobre isso nada mais acrescentou. Eu também já tive a mesma opinião sobre as amizades que aqui se fazem mas depois fui mudando e percebendo que também há amizades verdadeiras mesmo que, tecnicamente falando, possamos consentir chamá-las de "virtuais" (o que não significa que sejam "falsas" ou "inexistentes").

Nas relações humanas, aquilo que é "virtual" é entendido como algo que não é formalmente verdadeiro (mas que também não é falso) e aciona o nosso cérebro para lhe dar algum "corpo", o que nos ajuda a aceitá-la como estando próximo da realidade conforme nossos sentidos nos dão a perceber.

A "realidade virtual" é, com efeito, uma realidade feita de outros elementos mas onde o principal ponto é que não se pode tocar, cheirar e "sentir" a presença de alguém (e não nos iludamos: esses sentidos são deveras importantes nos animais sociais).

Conheci pessoas e realizei amizades neste mundo virtual, feito de imagens e sons, mas sem o toque nem o cheiro. Não obstante, algumas tornaram-se fortes e viçosas. Outras distinguem-se pela sua presença constante e leal. E outros relacionamentos, tal como na vida "real", ficaram perdidos na distância e no silêncio.

Há um estudo que diz que, acima de 150 pessoas, é difícil mantermos contactos regulares com todas elas. E isso eu constato. Tendo mais de 4.600 pessoas registadas na minha página do Facebook é-me completamente impossível, por exemplo, acompanhar o que todos escrevem e comunicam.

A maioria mantém-se, outros afastam-se por algum motivo (e pode haver muitos motivos perfeitamente honestos e compreensíveis) e não sei mais deles. Perderam-se na "núvem" - este universo de conexões imensas que assenta na internet (e que eu gosto de chamar "sociosfera").

QUANTO VALEM AS AMIZADES VIRTUAIS?

Vem tudo isto a propósito do valor da "amizade virtual". Se para a escritora Inês Pedrosa "vale zero" (opinião que respeito) para mim a "amizade virtual" valerá mais ou menos conforme nós a cultivarmos e investirmos nela. Pode então haver belas amizades "virtuais", melhores, mais honestas e íntegras do que muitas e hipotéticas amizades "reais" que qualquer um de nós terá.

As regras da "amizade virtual" são simples. Não diferem da "amizade real". O que torna qualquer uma delas importante é o que elas significam para nós. Tenho "amigos virtuais" de que não prescindo. E isso quer dizer que eu estou nos dois mundos (se bem que o filósofo Pierre Lévy tenha declarado que ambos são reais, distinguindo-se apenas na forma como estamos em cada um deles).

Sejam pois bem-vindos os "virtuais" tanto como os "reais". A amizade será o que quisermos que ela seja. E isso é da responsabilidade de cada um de nós.

Nelson S Lima

COMO PODEMOS ENTENDER O PROGRESSO?


A palavra progresso deve ser das mais usadas dos últimos 150 anos. O progresso aparece quase sempre associado à técnica, à indústria, aos negócios e também à ciência. No geral, o progresso é entendido como sinónimo de modernização e aperfeiçoamento em diferentes campos da atividade humana.

Esta perspetiva do progresso é, porém, redutora porque o progresso deve também incluir valores mais elevados como os intelectuais, os estéticos, os morais e os espirituais.

Temos assim uma diversidade de progressos onde eu destaco o progresso moral e o progresso espiritual que, na realidade, são os que, baseados em diversos valores, devem nortear a humanidade.
Infelizmente, os níveis de progresso variam bastante. Por exemplo, há quem diga que avançamos mais rapidamente no progresso tecnológico do que no progresso moral ou até no espiritual. E daí as dificuldades que vivemos atualmente devido ao desfasamento desses níveis.

Seja como for, qualquer progresso deve ter como aspiração a melhoria da qualidade de vida da humanidade e, então, torna-se necessário que as pessoas entendam o progresso como um valor multidisciplinar integral (técnico, científico, estético, moral e espiritual).

O PROGRESSO PESSOAL
O progresso deve ser usado como uma motivação para melhorar os padrões de vida da sociedade em todos os aspectos e não apenas num ou dois.

A ideia de progresso deve ajudar-nos a fazer apelo à nossa capacidade de criar, fazer e executar com diligência, rigor e prontidão o que quer que seja que nos torne mais civilizados, mais altruístas, mais generosos, mais criativos e mais íntegros.

Aprender ou ensinar esta ideia mais vasta e abrangente do que deve ser o progresso teria repercussões no nível de vida das pessoas, na saúde, na política, na educação, nos negócios, no trabalho e no desenvolvimento do potencial de cada um de nós.

Nelson S Lima

PODEMOS MELHORAR AS EMOÇÕES?


Numa época caracterizada por medos, incertezas, pensamentos acelerados, angústias e depressões, "treinar a emoção é desenvolver as funções mais importantes da inteligência tais como aprender a gerenciar os pensamentos, proteger a emoção dos focos de tensão, pensar antes de agir, se colocar no lugar dos outros, perseguir os sonhos, valorizar o espectáculo da vida" - escreve A. Cury no prefácio do livro "Treinando a Emoção para Ser Feliz".

Há, nesta obra, uma advertência muito curiosa e oportuna: "muitos livros de auto-ajuda vendem uma ideia inadequada do que é ser feliz" - escreve Cury. "A felicidade - diz ele - tem muitas filhas e filhos: o amor, a tranquilidade, a sabedoria, a alegria, a paciência, a tolerância, a solidariedade, o perdão, a perseverança, o domínio próprio, a bondade, a auto-estima. Nunca se viu uma família tão unida!".

E essa unidade aqui descrita através dos nomes dos seus vários membros (amor, alegria, perdão, etc.) não pode ser desfeita. "Se você maltratar alguns dos seus membros, tem grande chance de perder a família toda" - adverte Augusto Cury.

De forma que a melhor maneira de você cultivar a felicidade é "aprender a conhecer o mundo da emoção". Veja: a felicidade, diz o mestre, é amiga do tempo e nós precisamos de tempo para treinar a emoção. Mas, como treinar a emoção? Não são as emoções demasiado biológicas, arreigadas em nosso organismo e nossa psique, para poderem ser treinadas? Sim, as emoções são feitas de estruturas pesadas.

O medo, por exemplo. É uma emoção básica, essencial à vida. Em doses normais, o medo apenas aparece quando se justifica. Ajuda a nos proteger contra os perigos. Mas, quando incentivado por uma sociedade complexa como a nossa, o medo pode tornar-se num monstro horrível e aniquilar nossas potencialidades para sermos felizes (você sabia, por exemplo, que 1% das crianças têm medo de aprender assuntos novos?)

Parece estranho quando sabemos como as crianças são curiosas e gostam de aprender. Pois é. Mas há crianças que têm medo que as coisas novas que vão aprender na escola lhes tragam surpresas desagradáveis e abalem as suas crenças e como vêem o mundo. Preferem o "estado de ignorância". Infelizmente, muitos adultos também sofrem do mesmo problema e optam por manter-se incultos e analfabetos, recusando novos saberes que poderiam enriquecer suas vidas.

As emoções podem ser chamadas de "básicas" ou primitivas quando, como o medo ou a ira, vêm inscritas em nosso código genético como instrumentos de defesa e sobrevivência. Nascemos com elas. Outras, como a vergonha, são aprendidas. São emoções de 2º nível. Adquirimo-las ao longo do nosso crescimento através da interacção social com os outros. Veja como os outros podem então ser determinantes para a nossa vida emocional: podem fazer-nos sofrer ou fazer felizes. Podem ajudar-nos a sermos senhores de nossas emoções ou escravos delas (pais e professores tenham cuidado com o que dizem às crianças!).

Para que possamos viver mais felizes, Augusto Cury ofecere-nos algumas dicas precisosas. Veja:

- não faça o velório antes do tempo, não sofra por antecipação (os que sofrem por antecipação treinam ser infelizes, gastam uma energia vital, fazem de suas vidas um canteiro de preocupações e stress);
- não faça de sua vida enocional uma lata de lixo social; proteja-se dos focos de tensão, não permita que as perdas e as frustações invadam sua vida;
- não seja carrasco de si mesmo (não seja ambicioso ao ponto de colocar metas inatingíveis para si, não tenha medo de falhar e errar, proiba-se a si mesmo de sentimentos de culpa e nem cobre dos outros o que eles não podem dar!).

Nelson S. Lima 

COMO UM ALUNO BRINCALHÃO SE TORNOU FAMOSO


1. Já todos viram ou ouviram falar da série televisiva "Os Simpsons" (veja a ilustração). Ela teve início em 17 de Dezembro de 1989, nos Estados Unidos e rapidamente alcançou o sucesso, sendo passada em muitos países. Foi considerada a melhor série do século XX pela revista "Time" e tem ganho inúmeros prémios.

2. Recuemos uns anos. Matt Groening era um aluno obscuro. Na escola distraía-se a desenhar "bonecos". Mais tarde tornar-se-ia cartoonista vivendo precariamente com o que lhe era encomendado.

3. Um dia, o canal de televisão Fox convidou-o para criar uma curta animação. Ele pensou em algo que, de imediato, percebeu que não condizia com aquilo que a empresa pedira. E o maior problema é que ele tinha apenas uns minutos para encontrar uma solução. Estava na sala de espera da sede da Fox.

4. Foi ali e naqueles momentos que teve a ideia de sugerir um filme sobre uma família disfuncional. Mas faltava-lhe o título. Foi quando lhe ocorreu dar-lhe o nome de alguns dos seus familiares: Simpsons!

5. A ideia foi aprovada e a primeira animação foi concluída em Abril de 1987. Depois evoluiu para a conhecida série com o mesmo nome e que deu também origem a livros e a brinquedos com todo o sucesso que lhe conhecemos.

Esta breve história de vida de Matt Groening é idêntica a muitas outras. Alunos que passam despercebidos acabam por superar mais tarde os colegas de maior sucesso na escola.

Neste caso, o talento de Groening assentava sobretudo no seu espírito brincalhão. Ele dizia que nunca deixara de ser criança e que isso acelerava a sua criatividade.

Numerosos estudos atestam que o bom-humor e a brincadeira, mesmo nos adultos, tem numerosos efeitos positivos, desde a saúde ao trabalho. O caso que deu origem aos "Simpsons" é um dos mais interessantes.

Nelson S Lima

Os homens mentem mais, mas as mulheres...


Por muito que queiramos erradicar a mentira da sociedade, ela acontece muitas mais vezes do que poderemos imaginar e veio para ficar. Há mais população, mais complexidade, maior competição.....Ora então, isto são condições ótimas para a proliferação da mentira.

Até ao momento, todos os estudos revelam que o ser humano usa a mentira como instrumento social a fim de obter algum benefício. O problema é que todos somos mentirosos e nem os "santos" escaparam.

Há mentirosos compulsivos mas todas as outras pessoas, frequentemente, fogem à verdade, aos factos, mentindo. Numa simples entrevista de emprego as pessoas mentem para valorizar a sua imagem. Por exemplo, todas as pessoas entrevistadas dizem-se sociáveis e capazes de trabalhar em equipa. Neste caso, cerca de 30% mentem pois são introvertidas, tímidas e não gostam de trabalhar em grupo.

Há grandes mentiras e pequenas mentiras. Há mentiras perigosas e mentiras inofensivas. Seja como for, elas fazem parte dos relacionamentos humanos e muitas delas são apenas formas de fugir às responsabilidades. É o caso da pessoa que chega atrasada a uma reunião matinal e culpa o trânsito quando, na verdade, simplesmente se levantou tarde.

Não fiquemos surpreendidos. Outros primatas também usam da trapaça para enganar os seus companheiros. Truques, engodos e fingimentos são usados para arranjar parceira sexual ou para alcançar uma posição hierárquica no grupo. A mentira tem uma origem animal, biológica.

A MENTIRA HUMANA É PERIGOSA
O problema com o ser humano é que ele pode levar a mentira ao extremo e causar grandes danos, mesmo tendo consciência disso. Os psicopatas, que não se compadecem com os outros, usam a mentira e a falsidade com extrema habilidade.

Como para dizer uma mentira temos de reprimir uma verdade é difícil, por vezes, sustentar o engano. E é isso que leva a que, inadvertidamente, os mentirosos sejam desmascarados em muitas situações. Mas muitas mentiras (algumas de grande impacto histórico) nunca chegam a ser desmascaradas.

Há vários estudos científicos muito interessantes sobre esta matéria. Um deles confirma que os homens mentem mais do que as mulheres. Um dos momentos altos da mentira masculina é na sedução. Fiquem pois atentas, minhas amigas. E, senhores, acautelem-se. Tenho aqui um outro estudo que diz que as mulheres são boas detetoras de mentiras.

Nelson S Lima

EDUCAÇÃO SOCIAL


Sendo os humanos seres sociais, o seu cérebro possui estruturas e padrões de funcionamento adaptados desde longa data para a interação, a comunicação e a expressão emocional.

Mesmo durante a nossa vida, o cérebro, estando programado para a socialização, pode ser ajustado para um melhor funcionamento nas interações com os outros. A neuroplasticidade - que dá ao cérebro a possibilidade de se adaptar, aprender e modificar-se - tem aqui um papel crucial, sobretudo nos primeiros anos de vida e também durante toda a vida, com mais ou menos amplitude.

Alguns "defeitos" estruturais e funcionais levam a que certas pessoas tenham comportamentos anti-sociais que não são diretamente devidos a uma educação deficiente ou omissa.

Não obstante, o papel do ambiente social sobre o comportamento e o cérebro não deve ser descurado. A educação pode, assim, ajudar a mudar o próprio cérebro fazendo reajustes (mais ou menos limitados, naturalmente) para que ele se torne mais "sociável" favorecendo boas relações humanas e contribuindo para a saúde social e para o conforto emocional.

Nelson S Lima 

PORQUE FICAMOS DOENTES?

É durante a infância que nos livramos de muitas doenças na vida adulta!

Com o desenvolvimento da sociedade industrial e a ampliação do tempo de atividade, os seres humanos passaram a andar, em geral, descoordenados do seu relógio biológico. E então temos atualmente uma sociedade ensonada e cansada na maior parte dos dias. 

Viajamos  de noite, divertimo-nos de noite, dormimos de dia, trocamos as horas de comer e sofremos de "jet-lag" (que significa uma descompensação horária  originando uma extrema fadiga decorrente de alterações no ritmo circadiano). Com isto estamos, muitas vezes, a submeter o nosso organismo a um stress tal que pode fazer perigar a nossa vida.

Como já vimos, cada sistema do nosso organismo tem o seu ritmo biológico. Num organismo saudável o conjunto de ritmos estão coordenados, o que permite que o corpo responda com eficácia a todas as variações ambientais. Uma boa noite de sono é reparadora e permite um dia em que o desempenho é mais elevado do que num dia em que dormimos pouco. Mesmo dormindo de dia a recuperação nunca é total porque o sono diurno é diferente do sono noturno.

Os efeitos cognitivos do ritmo biológico são também notáveis. Por exemplo, a eficácia da concentração e da memória não dependem apenas da motivação e do empenho mas também das horas do dia.  É depois das 10 da manhã que a aprendizagem é mais fácil. À tarde funciona melhor a memória de longo prazo. Em alguns sujeitos é por volta das 20 horas que o estudar é mais produtivo.

De facto, a concentração aumenta lentamente ao longo do dia e diminui depois das 21 horas atingindo o seu ponto mais baixo entre as 3 e as 5 horas da manhã - precisamente o período em que, comparativamente ao que se passa de dia, há maior probabilidade de acidentes rodoviários.

Também sabemos que a concentração no sangue  de várias hormonas como o cortisol, a testosterona, a adrenalina e a noradrenalina é menor precisamente nos picos de fadiga.

Por sua vez, a ingestão de tranquilizantes ou de estimulantes conforme a hora do dia vai também alterar o ritmo biológico do cérebro e os efeitos dos químicos ingeridos. Há situações em que ficamos próximos da toxidade máxima correndo perigo de vida sem darmos conta. Será necessária uma educação médica sobre a matéria para que se consiga obter a melhor conjugação entre a ingestão de alimentos e medicamentos e as horas de receptividade ideal do organismo.

Concluindo, a toda a hora o nosso metabolismo apresenta uma dinâmica de acordo com o relógio da vida. Não há ainda aparelhos que permitam dizer-nos com exatidão quais as horas do dia, do mês e do ano em que estamos mais aptos a lidar com os diferentes componentes da vida. Embora saibamos que o Inverno "mata" mais do que o Verão ou que o álcool de manhã é mais tóxico para o organismo do que de madrugada (embora de noite tenha um efeito mais perigoso no cérebro reduzindo a capacidade de reflexos) o resto é ainda uma grande incógnita tanto mais que cada pessoa tem caraterísticas individuais únicas.

A minha sugestão é que adotemos tanto quanto possível um estilo de vida que nos aproximem dos ritmos e dos ambientes naturais. Somos seres vivos e não máquinas. Estamos sujeitos às leis da vida e não às da morte mas frequentemente estamos mais perto da condenação à finitude do que da energia que nos fornece vitalidade. Neste capítulo, o auto-conhecimento é de uma importância vital!

Nelson S Lima

VIVER ENTRE INSTINTOS E INTELIGÊNCIA


Existem muitas coisas na vida que, já estando registadas no cérebro, não devemos interferir pois acabaremos por sabotá-las. Muitas outras merecem que façamos uma reavaliação sob pena de nos deixarmos ultrapassar por acontecimentos novos e, num instante, ficarmos confrontados com mais problemas.

Existem "forças" no cérebro que estão em permanente confronto. As mais resistentes são as antigas, têm centenas de milhões de anos de evolução e estão na base do cérebro (os instintos são um bom exemplo). As mais frágeis estão no topo do cérebro, têm apenas algumas centenas de milhares de anos, no máximo um milhão de anos, quando surgiram os primeiros hominídeos de quem descendemos.

Quando enfrentamos problemas novos a razão (resultante do cérebro superior) pode ditar-nos uma decisão mas os registos antigos (inscritos nas zonas baixas do cérebro) podem tentar contrariar-nos. É por isso que a publicidade é direcionada para as zonas antigas e inconscientes do cérebro pois é mais suscetível de nos influenciar do que o pensamento crítico e racional. É assim que acontecem as compras e as decisões impensadas, feitas por impulsos inconscientes e destituídas do filtro da razão. Depois do neuromarketing surgiu agora o paleomarketing que ensina os vendedores a conhecerem os nossos desejos instintivos!

Se o cérebro trabalha assim, devemos então aprender a desenvolver o juizo crítico, o pensamento elevado e a atenção concentrada. Mas - e nestas coisas há sempre um "mas" - devemos ter também em consideração os limites da nossa própria consciência. É que a consciência nem sempre nos revela a realidade total mas apenas fragmentos ou, pior ainda, ilusões cognitivas e erros de percepção (veja-se como os bons ilusionistas nos conseguem "enganar").

Viver em sociedades complexas como as nossas está a exigir cada vez mais capacidades das pessoas mas parece que estamos a claudicar, a sermos incapazes de manter o equilíbrio ideal (vejam-se os comportamentos das pessoas, cada vez mais stressadas, ansiosas, aceleradas, inseguras, viciadas num série crescente de defesas).

Quem disse que a vida é fácil, enganou-se. Não é fácil. É um permanente desafio à nossa resistência (física, emocional e cognitiva).

Nelson S Lima

O MUNDO NÃO EXISTE


Segundo o jovem filósofo Markus Gabriel (considerado uma revelação e um menino-prodígio), esta coisa da vida é mais complicada porque... O MUNDO NÃO EXISTE. Ou talvez exista mas não como o pensamos.

Não nos inquietemos. No seu livro "Porque o mundo não existe" (2014), o autor apazigua-nos de qualquer sobressalto e declara, afinal, que "o nosso planeta existe, tal como existem os meus sonhos, a evolução, os autoclismos, a queda de cabelo, a esperança, as partículas elementares e até mesmo os unicórnios na Lua, só para citar algumas coisas". Ou seja, "o princípio de que o mundo não existe significa que TUDO ISTO EXISTE MAS DE MANEIRA DIFERENTE".

Sem entrar em detalhes nem análises sobre o livro, aquilo que resultou da minha leitura, é que nós vivemos em muito mundos e não apenas num (aquele que julgamos ser "o mundo" que nos ensinaram a "ver").

Ora o mundo, por exemplo, não é o Universo. O Universo é apenas uma parte do mundo tal como eu e você, ou uma bactéria, ou uma poeira, somos parte de um mundo qualquer.

O mundo, segundo o princípio defendido por Markus Gabriel, é TUDO onde também cabe o dito universo onde brilham as estrelas. Mas este TUDO (conceito que se aproxima do de Ken Wilber com o seu "Kosmos") inclui até os nossos pensamentos mesmo que ninguém os veja (os pensamentos realizam-se no mundo mental e, por isso, afastados da nossa capacidade de os olhar de frente ainda que possamos pensar sobre eles - já ouviu falar em "pensar sobre o pensar"? - é isso, e chama-se metacognição).

Se existem muitos mundos que fazem um mundo enorme em qual deles vivemos? Vivemos num só ou vivemos em vários? Temos o mundo das ideias, o mundo das emoções e sentimentos, o mundo das crenças, o mundo das políticas, o mundo das coisas materiais, o mundo das coisas imateriais e por aí adiante. São muitos os mundos que cruzamos ao longo da vida e que fazem de nós pessoas únicas pois cada um desses mundos é vivido de forma particular. Nós mesmos somos um mundo.

Hoje vivemos tempos atribulados e excitantes, feitos de incertezas e contradições, o que traz para primeiro plano uma crescente sensação de desorientação que tem como resultado, por exemplo, o desenvolvimento de doenças como a depressão (considerada já a doença mais disseminada nas sociedades industrializadas e urbanizadas com 2/3 da população já afetada).

Parece-me que, à medida que avançamos no tempo, mais complicado ele se apresenta e quando isso acontece temos problemas de orientação. Já não sabemos o que é verdade ou o que é real pois as fronteiras entre a mentira, a ilusão e a alucinação começam a esbater-se cada vez mais. Por isso é que anda por aí cada vez mais gente confusa e enganada, tomando decisões com base em quase nada mais do que emoções desencontradas da inteligência (aqui entendida como discernimento).

Naveguemos (na vida) com cautela.

Nelson S Lima

O QUE PODEMOS GANHAR COM A SERENIDADE?


Vivemos em constante agitação. Podemos pensar que estamos isentos da sua influência mas é de todo impossível evitarmos que este mundo tão turbulento e tão rápido na produção de novos acontecimentos (políticos, sociais, tecnológicos e outros) não deixe as suas marcas na nossa vida.

Estive hoje a pesquisar sobre o stresse e há cada vez mais consenso entre os diferentes investigadores que o stresse, nas suas diferentes formas, pode ser extremamente perigoso. Ele não apenas sujeita o organismo a uma pressão bem perceptível como também atua de uma maneira silenciosa, discreta e sem que tenhamos percepção do problema. O seu antídoto é a serenidade espiritual.

A serenidade é um estado do nosso ser que devemos praticar para fugirmos ao sofrimento da angústia, da inquietude e da intranquilidade. A serenidade é, em rigor, uma atitude perante a realidade da vida e que tem a vantagem de nos permitir avaliar objetivamente o que nos rodeia e aquilo que nos acontece. Ela também abre espaço a múltiplos valores e potencialidades que poderão nunca se revelar sob o efeito do stresse, da ansiedade e da angústia.

Só serenamente poderemos aceder à perspicácia e até ao pleno uso da inteligência. Assim, a serenidade é um recurso humano que, mais do que nunca, deveremos exercitar. Ela é como o sol que rompe e vence o nevoeiro que tantas vezes paralisa a nossa vida.

Nelson S Lima

MEU NOVO LIVRO EM CONSTRUÇÃO

Nosso cérebro: uma obra de engenharia biológica!

1ª Parte O UNIVERSO DAS NEUROCÊNCIAS   
Depois da "década do cérebro", nos anos 90 do passado século, que permitiu grandes avanços no conhecimento, estão agora a ser investidos bilhões de dólares em grandes projetos envolvendo instituições internacionais como a União Europeia, governos e instituições privadas. Destacam-se o Human Brain Project's financiado pela União Europeia, The BRAIN Initiative promovido pelo Governo dos Estados Unidos da América, o Human Connectome Project e o Allen Human Brain Atlas, os quais reúnem milhares de cientistas de diversas áreas desde a Antropologia à Biologia Evolutiva.
Os novos conhecimentos obtidos sobre o sistema nervoso têm permitido a expansão da neurociência aplicada a novos campos do universo humano como a neuroeducação, a neuroeconomia, o neuromarketing, a neuropolítica além das mais variadas aplicações médicas.

2ª Parte A MARAVILHA DO SISTEMA NERVOSO
Três características do sistema nervoso se destacam dos demais sistemas orgânicos: a rapidez de ação, a flexibilidade e a adaptabilidade.
O cérebro desenvolve-se através de um processo dependente da experiência e da estimulação. Ao longo da vida acumula um acervo formidável de conhecimentos que são registados num complexo sistema de memórias.
O conhecimento das estruturas do sistemas nervoso e de como interagem desde o interior das diferentes células neurais até aos grande grupos (redes) de células nervosas (neurónios, neuroglias, etc.) é imperativo para o avanço da ciência e da sua aplicação em diferentes áreas.

3º Parte NASCIMENTO E MORTE DO CÉREBRO HUMANO
O sistema nervoso forma-se cedo, no início da gestação, e desenvolve-se em diferentes ritmos conforme as várias etapas da vida revelando uma plasticidade extraordinária e uma interação ativa e necessária com o ambiente.
As funções do sistema nervoso são cruciais para a formação e desenvolvimento de todo o organismo e para os posteriores confrontos com os diferentes desafios da vida que ocorrem ao longo da infância, da adolescência, do amadurecimento adulto e da terceira e quarta idades.
O "envelhecimento cerebral" poderá ser um período longo de mais de 30 anos com maior ou menor perda de capacidades  devido ao aumento da esperança de vida. Nesta fase da vida, o sistema nervoso e em particular o cérebro estão sujeitos a numerosas anomalias e doenças

Nelson S Lima 

O VALOR RELATIVO DO DINHEIRO


Diz o povo na sua sabedoria milenar que “quem trabalha por gosto não cansa”. Significa isto que é o prazer da realização que deve motivar-nos. Movidos pela paixão acabamos por chegar mais próximo e até atingirmos a perfeição. O nosso valor será então reconhecido e em troca teremos não apenas o reconhecimento e a admiração dos outros. É que isso não deixa de valer dinheiro, por vezes mesmo muito dinheiro.

Se assim fizermos, se nos dedicarmos a algo socialmente útil, seremos recompensados. Pode ser um salário como podem ser muitas outras formas de distinção que, direta e indiretamente, se transforma facilmente em dinheiro. Dinheiro que depois deveremos saber gerir e não nos deixarmos enfeitiçar por ele. 

Será pois desejável que centremos as nossas energias na conquista do reconhecimento e da recompensa mais do que na focalização do dinheiro. Se trabalharmos “apenas” para ganhar dinheiro ficaremos escravos dele. Todas as nossas energias serão para ele canalizadas, muitas vezes até ao esgotamento total. 

A busca pelo dinheiro – seja de que forma for – desestrutura-nos a alma e pode transformar-nos em vilões, em pessoas “avarentas” e preocupadas funcionando como peões do xadrez capitalista.

O dinheiro - e as suas diferentes formas de representação - é, para já, insubstituível. Sem ele não poderemos viver numa sociedade de troca. Daí o desespero de quem não consegue ter um emprego pois é uma das formas honestas de o obter.

Mas ter um emprego é algo mais do que um meio para chegar ao dinheiro. O trabalho, sobretudo o trabalho produtivo, é que é o garante da sobrevivência mas também da fama que tantos procuram. Daqui resulta que, se quisermos ser livres, deveremos centrar-nos no auto-desenvolvimento e na melhoria dos nossos recursos, habilidades e conhecimentos. Não tanto no dinheiro. Ele deve ser uma consequência.

É isso que nos tornará ricos enquanto pessoas independentemente do pouco ou do muito dinheiro que consigamos obter em troca do que fizermos.

Todos os estudos apontam para o facto de que, em menos de um ano, as pessoas que se tornam milionárias nos jogos de lotaria não se sentem mais felizes do que antes. Em muitos casos as suas vidas tornaram-se até mais complicadas e atormentadas. O valor do dinheiro é pois limitado.

Nelson S. Lima 

QUANDO OS LIMITES NOS TRAVAM


Herry Worsley, herói de nosso tempo!
Estou a escrever sobre o inglês Herry Worsley, de 55 anos, com experiência de combate na Bósnia e no Afeganistão. Já retirado do exército, dedicou-se, entre outras atividades, às grandes aventuras como aquela que fez dele o primeiro homem a ir sozinho do Canadá ao Pólo Norte (em 2003) e realiando também várias travessias no continente antártico.

Acompanhei as notícias da última aventura dele. O objetivo era chegar ao Pólo Sul caminhando sozinho cerca de 1 500 kms pelo grande continente gelado da Antártida tal como já fora tentado por Ernest Shackleton (em 1915).

Desta vez, a natureza foi mais impiedosa e já quase no fim da longa jornada ele atingiu o limite das suas forças. Ficou dois dias sem se poder mexer após o que morreria por esgotamento já no hospital de Punta Arenas, no Chile. Seria a jornada da sua vida, algo com que havia sonhado desde criança.

Antes de desfalecer ainda teve tempo de transmitir uma mensagem já com uma voz quase impercetível: "A minha jornada chegou ao fim. Fiquei sem tempo e sem capacidade física - "I have shot my bolt". Tinha estado 71 dias a caminhar penosamente contra as forças da natureza. Tudo terminou no dia 24 de Janeiro de 2016.

A sua determinação não deixará, porém, de inspirar outros a chegarem àquele difícil destino. O ser humano é assim mesmo: o desbravar horizontes, o alcançar metas e progredir em busca dos seus sonhos mais profundos.

Neste exemplo que aqui vos deixo, só a morte impediu este explorador de, finalmente, se tornar no primeiro a percorrer a Antártida a pé e chegar ao Pólo Sul. Ficou apenas a 48 quilómetros do objetivo.

Nelson S Lima

A IDADE DO CÉREBRO É IGUAL À IDADE DA MENTE?


Em boa verdade, não. Por isso é que há muitos idosos com uma mente inegavelmente jovem e muita gente nova mentalmente envelhecida. Pode parecer um exagero, até mesmo uma impossibilidade, mas não é. Mais: não se trata de uma fantasia mas de uma constatação que os estudos científicos têm vindo a confirmar sucessivamente.

Isto é muito interessante porque a mente deve ser daquelas poucas coisas do Universo que, com o avançar do tempo, em vez de envelhecer revela capacidade para se manter jovem, parecendo contrariar as leis da Natureza e da Vida.

Sabemos que, com o avançar dos anos, o corpo – onde se inclui o cérebro – vai sentindo os efeitos da chamada entropia (uma importante lei da Física que tem a ver com o desgaste e a perda de energia causada pelo tempo e por outros fatores nocivos como certos estilos de vida). É o que acontece aos diferentes órgãos do nosso corpo que, cada um no seu ritmo e ao seu jeito, vão perdendo o vigor da juventude e envelhecendo. Aliás, é um processo que começa bem cedo na vida mas de que as pessoas só tomam consciência sobretudo a partir da meia-idade.

Voltando ao assunto da mente. Quer se queira quer não - e por muito que se pretenda acreditar que o cérebro e a mente são domínios distintos de uma mesma realidade - uma coisa é um neurónio ou uma rede de neurónios (observáveis, mensuráveis, etc.) e outra coisa, bem diferente, é um pensamento, uma ideia ou uma recordação. Os neurónios são células e fazem parte do cérebro; os pensamentos, as ideias e as recordações são já do domínio da psique, ainda que esta apenas seja possível graças à atividade do cérebro. O cérebro é um órgão mas a psique (ou mente) é um campo de energia e informação (produzido por aquele).

Aqui chegados já começamos a vislumbrar a natureza da mente. Esta é estruturada e dinamizada pela experiência, os estímulos e as aprendizagens obtidas em cada instante da vida. Assim, quanto mais anos de vida tiver a nossa mente, mais experiência e mais informações podemos acolher, gerir e acumular mesmo que o cérebro vá perdendo neurónios que não escapam à tal entropia (a qual conduz à chamada morte neuronal, ou seja, a morte gradual dos neurónios que pode atingir 10% dos 100 mil milhões que formam os cérebros adultos).

Levar uma vida saudável (ativa, estimulante e criativa) revigora a mente, abre as portas a novos saberes e garante a agilidade do pensamento. Mesmo que o cérebro tenha 70, 80 ou 90 anos de idade, a mente da pessoa idosa não tem que ficar prisioneira do calendário. Ela pode sempre escapar à perda de vitalidade orgânica através do aprofundamento da sabedoria e da utilização das diferentes aptidões e capacidades (novas aprendizagens, saudáveis relações sociais, novas paixões e interesses, atividades produtivas, etc.). É assim que se constrói o chamado “envelhecimento ótimo”.

As mais recentes investigações científicas garantem que uma vida ativa e mentalmente produtiva também aumenta a longevidade. E isso acontece porque o que fizermos com as nossas faculdades mentais tem influência direta no estado do organismo. É por isso que a idade cronológica (aquela que celebramos em cada aniversário) não tem de forçosamente corresponder à idade mental.

Nelson S Lima

Envelhecimento, Longevidade e Imortalidade


Lembro-me de, quando era criança, acreditar que iria viver muitos anos porque achava a vida um processo muito interessante, merecedor de tempo suficiente para ser apreciado. Penso que essa minha esperança se devia ao facto de sempre ter vivido com meus avós e ainda por constar na família que uma minha trisavó teria chegado aos 120 anos de idade.

Talvez por isso eu viria a interessar-me por todas as ciências que direta ou indiretamente estudam o processo do envelhecimento e da longevidade - temas que abordo com alguma frequência no facebook (nelson.s.lima).

TEMPO DE VIVER MAIS
Com a melhoria geral da qualidade de vida nos últimos 100 anos, a esperança de vida humana subiu para valores nunca antes conhecidos. O número de idosos centenários e até supercentenários (mais de 110 anos) está também a aumentar em alguns países.

Esta capacidade de se poder viver mais tempo ainda é um dado frágil se bem que também o número de idosos ativos e saudáveis esteja a crescer. Os "truques" são simples e não passam de 3 ou 4 os fatores-chave que podem ser controlados, sendo um deles uma alimentação adequada.

Mas os cientistas já não se contentam com isso e muitos biólogos procuram entender os mecanismos do envelhecimento estudando não apenas os idosos excepcionais mas os animais que praticamente são imortais ou quase (pelo menos quando comparados connosco).

Atualmente são conhecidos alguns que vivem imensos anos, por vezes sem mostrarem sinais de envelhecimento, o que não deixa de surpreender.

O cardiologista e nutricionista francês Frédéric Saldmann, autor de vários livros sobre o assunto, revela alguns pequenos animais que se destacam pela sua resistência ao envelhecimento ou pela capacidade de viverem centenas de anos (existem outros animais, como algumas espécies de tartarugas, mas aqui são apenas considerados os “excecpionais”, uma classe à parte como poderão constatar).

São eles:
- o rato-toupeira africano que consegue viver 30 anos (o que equivale a 600 anos de vida humana) e que resiste a tumores malignos e a doenças cardíacas; 
- a rã "sylvatica" do extremo-norte do Canadá que é capaz de sobreviver completamente congelada por longos períodos (o seu corpo cria um tipo de gel natural que a protege); 
- alguns tipos de medusas que conseguem o extraordinário feito de rejuvenescer após cada reprodução mantendo-se imortais; 
- o molusco "arctica islandica" (foi encontrado um exemplar com 405 anos de idade) e, por fim...
- o minúsculo "urso de água" que consegue resistir a temperaturas extremas como 250 graus negativos ou 150 graus positivos e mesmo a fortes radiações (crê-se que este animal terá chegado à Terra num meteorito, o que abriu já uma nova linha de investigação sobre vida extraterrestre).

TEMPO DE VIVER MELHOR
O animal mais interessante para a compreensão do processo da longevidade e da imortalidade é o das medusas da espécie “turritopsis nutrícula” originárias dos mares das Caraíbas e que retomam a juventude após se reproduzirem. O que se passa com esse animal é ainda um mistério para a ciência. Como é que ele recupera de forma rápida a sua anterior juventude e assim se mantém imortal colonizando as águas profundas de todos os oceanos?

Existem várias teorias para além da curiosidade natural que este caso suscita. É óbvio que este molusco e os outros animais nada têm de semelhança com o ser humano e nada permite que da sua longa resistência e longevidade se possam tirar “lições” para o nosso próprio processo de envelhecimento. Seja como for, estes autênticos “fenómenos da natureza” abrem as portas para o estudo do envelhecimento, da longevidade e da imortalidade a vários níveis.

Relatos histórico-religiosos, embora não consistentes devido à falta de dados seguros, falam de alguns seres humanos que terão vivido centenas de anos. Abraão é um deles. Estaremos a entrar no campo da mitologia ou da pura especulação, mas há quem, na ciência, não ponha completamente de parte a hipótese da longevidade poder ter sido uma possibilidade em alguns redutos da humanidade em tempos recuados. O futuro talvez nos traga as respostas que faltam, incluindo a sua negação.

O médico Frédéric Saldmann que, como digo acima, faz investigação nesta área (e chamo a atenção que não é único) lembra, num artigo do número especial da Sciences et Avenir (Janeiro 2016), que em 1932, os mais respeitáveis cientistas garantiam que o homem nunca conseguiria chegar à Lua devido à força de gravidade da Terra. Todos sabemos como estavam longe da verdade.

NUNCA SE DIGA NUNCA
Ciência e descoberta andam de mãos dadas. A curiosidade e a motivação sempre foram os motores do desenvolvimento humano. E também se aplicam à longevidade.

As pessoas curiosas de saber e que perseguem propósitos bem definidos costumam envelhecer mais lentamente e com mais saúde, vencendo doenças e fragilidades que normalmente surgem com o avançar dos anos.

Há quem consiga, sem sombra de dúvida, retardar o processo do envelhecimento. Isso é um facto indesmentível pois os exemplos abundam e cada vez em maior número. Assim sendo, é lógico que se continue a investigar não apenas o envelhecimento humano como aquilo que se passa com outros seres vivos, incluindo aqueles que guardam o segredo da longa vida e até da imortalidade.

Nelson S. Lima

A EDUCAÇÃO QUE EU DEFENDO


Aprendi a ler na escola do Estado Novo (anos 50 e 60), acompanhei a escola de meus filhos mais velhos (anos 70 e 80), observei a escola de meus filhos mais novos (de 1997 até ao momento) e estive em mais 200 escolas onde dirigi workshops, seminários e sessões de esclarecimento para professores do ensino público e privado (a partir de 2002 e até muito recentemente).

Não vou criticar nada neste breve trecho. Venho aqui apenas defender uma educação para a Sociedade do Conhecimento, esta em que vivemos e que é dominada pelo "ciberespaço" de que faz parte a World Wide Web, essa imensa teia de ligações executadas na internet - o maior conglomerado de redes de comunicações à escala mundial. Ciberespaço significa o espaço virtual para a comunicação por meio de tecnologias de informação.

Temos pois o espaço físico onde nos movimentamos (o mundo das pessoas, dos objetos, das ruas, das cidades e das nações) e o espaço virtual (feito de vivências e comunicações não presenciais e não tácteis como acontece na internet).

Nós já estamos (agora mesmo aqui na internet) nesse mundo de transição mas as crianças e os adolescentes de hoje vão ter de viver num universo muito mais multidisciplinar, multifocal, de intensas e constantes comunicações, em que as ligações virtuais ocuparão um lugar de destaque. 

Aliás, este é um dos motivos porque o mercado de trabalho está também em ruptura com o passado e gera desemprego. Os computadores estão por todo o lado, incluindo nos nossos carros; há profissões em queda irreversível e há novos modos de produzir como acontece com o teletrabalho (é o meu caso).

Numa sociedade que tende para a diversidade (e não para a uniformização como muitos acusam) e a complexidade levanta-se uma pergunta: COMO DEVE SER A EDUCAÇÃO perante estes novos cenários de mundivivências?

Não me digam que aquilo que é preciso é "saber vários idiomas" pois não é por aí que se resolve a educação. O mundo é agora feito de outros problemas que a globalização criou (globalização que começou há muitos milhares de anos).

Depois da invenção do fogo, dos transportes, da escrita, da revolução industrial e do computador (que representaram outras tantas mudanças de paradigma) eis-nos perante novos desafios intelectuais, sociais, económicos, antropológicos, filosóficos e psicológicos.

A sociedade está finalmente unida em torno de um elo comum e que começa a fazer sentido: o factor "humanidade global", feita de gente planetária (como diz o filósofo P. Lévy), independentemente das linguas faladas e das grandes diferenças culturais e que cada vez mais está à distância do teclado de um computador ou de um telemóvel (celular) para se comunicar e trocar ideias, saberes e afetos.

PRECISAMOS de uma educação que compreenda que a sociedade, nesse capítulo, está mais adiantada do que nos parece. E a educação - cujos efeitos se fazem sentir anos depois e não tanto no imediato - deverá SER REVISTA para revelar aos nossos filhos o futuro (que já está aqui) e as suas múltiplas possibilidades.

Mantê-los aprisionados num sistema que tem mais de tradicional e conservador do que futurista é condená-los ao atraso face a outras sociedades onde os alunos têm do mundo uma visão mais completa e realista.

O assunto fica em aberto....

Nelson S Lima

PSICOLOGIA EXTREMA DA PERSUASÃO


Chama-se "túnel" ao processo de adesão incondicional a uma causa de tal forma que passamos a fazer parte de um mundo fechado e por vezes isolado com as suas regras, princípios, normas e obrigações e com as quais nos identificamos.

A entrada num desses "túneis" obriga-nos a despir o nosso ego e até perder um pouco da nossa identidade. Passamos a ter um número, uma alcunha ou qualquer outra identificação e a fazer parte de um grupo, uma seita, uma elite ou algo parecido. Entramos numa missão e tornamos-nos numa simples célula de um tecido maior onde as leis são muito próprias e inquestionáveis para manter a coesão do "grupo".

Nesta fase, entram em cena os rituais, hinos, cânticos, bandeiras e outros símbolos, obrigações e muito especialmente uma dedicação leal, indiscutível e insuspeita à causa. O transe hipnótico está muitas vezes presente.

A característica central do efeito de "túnel" é que ele separa os seus membros do mundo "exterior", libertando-os das amarras sociais em que estavam inseridos (familiares, amigos, etc.) e colocando-os numa posição de abnegação e subserviência aos ideais do grupo. As "deserções" são muitas vezes punidas, nos casos de grupos extremistas, com a morte.

Ao longo da história humana sempre existiu este efeito de "túnel" porque desde cedo se formaram organizações em torno das mais diversas causas. Esse tipo de organizações continua a proliferar, por vezes de forma secreta. O recrutamento faz-se hoje de forma mais direta e a internet é, por exemplo, um meio de captação. Muitos jovens aderem a "grupos" sem saberem que aquilo que buscam vai empurrá-los para um "túnel" que os engolirá como um "buraco negro".

Se há pessoas que sabem perfeitamente a que grupo ou causa estão a aderir, muitas outras, à procura de um abrigo para as suas carências e o seu isolamento social, acabam por ser apanhadas na rede como peixe indefeso. Entrarão no "túnel" e lá ficarão por tempo indeterminado. Uns sentir-se-ão felizes e integrados na disciplina e no espírito de missão a que aderiram. Outros talvez descubram, tarde demais, que o "túnel" é escorregadio e não permite voltar atrás. E que estavam (ou foram) enganados!

Nelson S Lima

NÃO PRECISAMOS DE MILAGRES!

SOMOS UM TODO INTEGRADO NUM TODO MAIOR

Sob o atual paradigma holístico (isto é, na perspectiva de que o mundo e a vida são um todo da qual tudo faz parte, tudo está integrado e tudo se processa em interdependência e inter relação), a psique não mais se pode apresentar como algo inseparável do corpo, do ambiente, da cultura, do lugar, da época e de muitos outros elementos e processos.

Como o nosso corpo/organismo é o resultado da atividade de vários sistemas interligados e interdependentes, convém perceber que a ideia de separação corpo-mente está visivelmente ultrapassada (chama-se a essa visão "dualista").

O nosso organismo não pode ser visto como independente das faculdades e processos mentais nem estas separadas do organismo. Tudo é energia e informação, ou seja, diferentes formas de energia e diferentes conteúdos de informação.

Matéria, vida e psique são, elas próprias, energias subtis que se manifestam de modo próprio. Servem-se de sistemas em atividade e mutação constante. Podemos dizer que são acontecimentos transitórios em que PROGRAMAÇÃO, INFORMAÇÃO, CONSCIÊNCIA e CONHECIMENTO se apresentam como seus principais constituintes.

Os eventos mentais - de que se ocupa a Psicologia - não estão isolados nem do resto do organismo nem do resto do mundo. A mente humana (à escala individual) não tem fronteiras e não está aprisionada no crânio. Ela faz parte do que hoje é conhecido como "consciência cósmica" (já referido por William James há muitos anos).

Principais aspectos a considerar:
- mente/organismo são inseparáveis (por isso todas as doenças são psicossomáticas e/ou somatopsíquicas, isto é, estão relacionadas: corpo>>mente e/ou mente>>corpo); não há separação;
- tudo é subjetivo;
- a mente é feita (processa-se) de acontecimentos (eventos);
- a mente individual - que se exprime através da linguagem, dos comportamentos, etc. - está ligada às outras mentes individuais;
- existem diferentes estados de consciência (e a realidade objetiva em que nos sentimos viver é função do estado de consciência em que nos encontramos);
- a psicologia não se confina às três dimensões do espaço/tempo;
- a mente (ou os eventos mentais) vive num campo de múltiplas possibilidades (quase infinitas);
- toda a nossa evolução pessoal não está confinada ao intelecto e ao emocional mas também ao instintivo, ao intuitivo, ao transpessoal e ao parapsicológico (fatores PSI e subfatores PES e PK de Rhine);
- possibilidade de vivências de realidades extra-sensoriais que explicam determinados acontecimentos até agora tidos como "milagres" (não há milagres mas transformações que resultam do campo aberto e ilimitado em que a mente atua);
- abertura da medicina corpo-mente a terapias não convencionais como a psicossíntese, a bioenergética, as terapias de transe, a hipnoterapia, a filosofia clínica, a terapia transpessoal, a síntese transacional, o yoga, o tai-chi, etc.);
- estudos sobre a cosmopsicologia (antiga astrologia) tornam-se cada vez mais aceites pela ciência do novo paradigma holístico como um campo de pesquisa a considerar.

Tudo isto reflete algo mais importante e revolucionário que se está a verificar para bem de nós todos: a ciência vive, finalmente, um mudança de paradigma, isto é, uma mudança dos princípios e axiomas básicos que a tem sustentado. Hoje, os médicos (e os psicólogos) devem orientar-se pelo princípio de que é mais fácil prevenir do que curar e também pela máxima de que, mais importante do que a doença, é o doente!

Por isso, é o doente como um todo que deve ser tratado e não apenas a sua doença, pois esta está relacionada até com a sua personalidade e muitos outros fatores pessoais, ambientais, estilo de vida, visão do mundo, etc.

Nelson S. Lima

O RETOMAR DA ESPERANÇA: A NOVA "NEW AGE"


Nos finais dos anos 70, a jornalista Marilyn Ferguson fez uma extensa investigação sobre as transformações pessoais e sociais que se estavam a operar no mundo. Recolheu imensos depoimentos e convenceu-se de que estávamos na alvorada de um salto para uma humanidade mais baseada no amor e na paz do que na competição e no materialismo reducionista.

A tecnologia progredia rapidamente e as pesquisas sobre o cérebro, a mente e a consciência estavam a romper com o desconhecido, abrindo portas para novos saberes até então tímidos e pouco consistentes. Muitos pensadores clamavam por uma nova sociedade, uma nova cultura, uma nova educação.

Parecia que, dispersos um pouco por todo o mundo, havia muita gente que estava tomar consciência da necessidade de uma mudança urgente do rumo que a humanidade estava a tomar (vivia-se o tempo da Guerra Fria, do Vietname e a sociedade mostrava algum cansaço).

Por essa época, Alvin Tofler já havia lançado o livro O CHOQUE DO FUTURO e preparava-se para publicar um outro, A 3ª VAGA (no Brasil, é A 3ª ONDA), em 1980 - obras também fruto de muita pesquisa e que traçavam o perfil de um novo tempo feito de muitas mudanças, que se aproximava a passos largos.

Marilyn lançou então o livro A CONSPIRAÇÃO AQUARIANA inspirada em pensadores como Thomas Kuhn, Ilya Prigogine (Prémio Nobel 1977, convicto, então, de que a humanidade se encontrava "num momento empolgante da história, talvez um momento decisivo"), Pierre Teilhard de Chardin e em muitos inconformistas e ativistas que queriam um mundo novo, mais democrático, mais aberto às novas possibilidades de expansão da consciência e do conhecimento.

Apesar do seu título um tanto esotérico, o livro de Marilyn reúne todo um conjunto dos inúmeros sinais de mudança em todos os setores da sociedade nos anos 80 - da ciência à política, da educação à transformação pessoal.

Quando comprei o livro ele já ia na 11ª edição no Brasil. Continua a ser para mim um livro de referência, altamente inspirador, tal com foram os livros de Alvin Tofler e de muitos outros pensadores.

Infelizmente, o entusiasmo e as esperanças de Marilyn mostraram-se excessivas pois as grandes transformações pessoais e sociais que ela previa foram-se esbatendo. Acontecimentos políticos (como a derrocada do socialismo e o desmantelamento da URSS) e mudanças em outros setores levaram outros autores como Francis Fukuyama (1989) a profetizarem a estagnação da sociedade e "o fim da história humana".

Depois disso, porém, outros pensadores como Ken Wilber, Amit Goswami, Bruce Lipton, Dalai Lama e Deepak Chopra entraram em cena retomando, em parte, as ideias contidas no livro de Marilyn Ferguson (que, entretanto, faleceu em 2008).

Atualmente, as consecutivas ondas de choque que assolam a humanidade têm vindo a gerar um sentimento de mudança urgente.

Relendo A CONSPIRAÇÃO AQUARIANA, pese o tempo já passado desde a sua publicação, tem-se a impressão que é preciso, sem dúvida, dar continuidade ao seu trabalho.

É tempo de um novo despertar, de um salto em frente. Cientistas e humanistas sabem disso (menos os políticos). A aceleração da história e dos próprios acontecimentos ao nível mais pessoal fazem crer que Marilyn tinha razão: a "transformação, a inovação e a evolução são as respostas naturais às crises". E, como escreveu John Naisbitt, autor de "Megatendências", Marilyn, apesar de ter sido considerada excessivamente otimista, estava muito à frente do seu tempo quando escreveu A CONSPIRAÇÃO AQUARIANA. O seu livro faz agora todo o sentido. Está mais atual do que nunca!

Não perder a esperança e lutar por um mundo diferente e melhor é o dever de cada um de nós. Recuperar o tempo perdido não é perda de tempo. E quanto aos pessimistas - que sempre os há - retomo John Naisbitt: "não são de utilidade nenhuma".

Nelson S Lima

SOBRE A LIBERDADE

A liberdade pode ter múltiplas interpretações e aplicações. Em nome dela muita agitação humana aconteceu ao longo dos tempos: guerras, revoluções, levantamentos populares, manifestações de protesto, leis garantindo liberdades e direitos, fugas (de casa, das escolas, das prisões), etc.

Não obstante, a liberdade que julgamos alcançar é causa de muitas frustrações. Porque o sujeito que é livre plenamente assume a responsabilidade pelos seus atos. E isso nem todos são capazes de assumir pelo que preferem a dependência de poderes superiores que os protejam e até ajudem a fazer escolhas. Há quem se dependure em Deus ou numa outra autoridade moral.

Sobre isso, o escritor norte-anericano Eric Hoffler, foi peremptório e disse: "a liberdade de escolha põe toda a culpa do fracasso nos ombros dos indivíduos".

Muitos de nós preferem viver numa aparente liberdade (convencidos da sua autenticidade) que lhes permita algum espaço de manobra em sociedade. Enfim, toda a liberdade é relativa.

Nelson S Lima

MATURIDADE COGNITIVA

A "informação" alimenta o cérebro e a sociedade. Ela é determinante para o desenvolvimento económico, tecnológico, científico e social. Ela flui através de múltiplos canais que cobrem o planeta como uma rede cada vez mais extensa - a infosfera.

O "conhecimento" forma-se através da pesquisa, da arte da pergunta, da curiosidade intelectual e da ciência e fornece a humanidade de novos saberes e novas competências que lhe permitem progredir rumo a um mundo que se renova todos os dias e que cada vez mais influencia os contornos do nosso futuro pessoal e coletivo.

A "sabedoria", fruto da informação acumulada, da vivência experimentada, do conhecimento partilhado, da inteligência multifocal e multidimensional, do crescimento humanista e da maturidade espiritual, oferece-nos um sentimento de segurança e uma visão mais esclarecida do mundo em que vivemos.

Nelson S. Lima
Em Liubliana (Eslovénia)

O Poder do Corpo


Assiste-se atualmente a um paradoxo: quanto mais avançamos no conhecimento e nos saberes sobre "qualidade de vida" mais se assiste à proliferação de muitas doenças que estão matando milhões de pessoas em todo o mundo (doenças oncológicas, cardiovasculares, etc.). São as chamadas "doenças da civilização" ou, para ser mais exato, "doenças de incompatibilidade" (onde também se incluem novas alergias).

Por que isso acontece? Há os que dizem que se deve ao facto de vivermos mais tempo e, sendo assim, ficamos mais expostos ao desgaste. Mas eu não concordo. Isso não é uma resposta que me satisfaça.

O que nós estamos fazendo é viver de forma anti-natural (80% do que nos alimenta é fabricado e manipulado para se conservar longo tempo, por vezes anos em embalagens duvidosas), seguindo estilos de vida marcados por alta pressão nervosa, dormindo pouco e a fora de horas, vivendo rodeados de poluição, ou seja, expondo-nos a situações que são incompatíveis com a natureza biológica do nosso organismo.

Não confiemos em que apenas o Poder da Mente vai proteger-nos contra todos os malefícios e resolver todos os problemas do corpo e da vida. Grave engano.

O verdadeiro Poder da Mente sobre o organismo está em sabermos introduzir mudanças de hábitos e padrões de comportamento que protejam nossas células, nossos órgãos e nossa vida. Ele existe, ele pode ser poderoso, ele pode ajudar, mas não descuremos a realidade: somos seres vivos e nosso corpo segue as leis da natureza e não as leis dos homens (que são leis de natureza cultural).

Nunca se esqueça do Poder do Corpo para poder ter uma vida saudável, longa e equilibrada. Pense nisso.

Nelson S Lima

Como desenvolver a vontade!


A concretização da vontade - que a psicologia associa à motivação - não é coisa fácil, por vezes. Ter vontade é uma dimensão mais complexa do que parece. Filósofos como Schopenhauer, Kant e Nietzsche dedicaram-lhe muita atenção.

No essencial, a vontade é uma energia mental direcionada para algo. Às vezes é instintiva. Outras vezes, intencional e consciente. A instintiva está frequentemente ligada às estratégias de sobrevivência (a vontade de comer, por exemplo). A intencional pertence aos domínios do desejo e da necessidade.

A vontade só se cumpre através de estratégias. Ela exige processos cognitivos como analisar, optar e decidir. Mas isso é apenas o começo pois a vontade pode morrer antes mesmo de se cumprir.

A pessoa pode ter "vontade de" mas falta-lhe algo mais: podem ser recursos, falta de oportunidade e também energia emocional suficiente para dar o passo seguinte. E as coisas também não terminam aqui pois a vontade está relacionada com valores, hábitos, crenças, princípios e até normas socioculturais da pessoa.

Embora a "força de vontade" tenha algo de biopsicológico (o temperamento tem aqui uma palavra a dizer pois o temperamento é a estrutura biológica da personalidade) e, por isso, esteja dependente da nossa natureza emocional (o indivíduo apático, por exemplo, tem quase ausente essa tal "força de vontade" enquanto o impulsivo perde-se com sucessivas "vontades de" que vai abandonando por perda de motivação) é algo que também pode ser aprendido se a desenvolvermos como um hábito.

Nos primeiros anos de educação podemos (como pais ou como professores) ajudar as crianças a desenvolverem a capacidade de lidar com "desejos", "motivações" e "escolhas".

As nossas crianças têm hoje em dia quase tudo aquilo que querem. Isso é errado. Não desenvolve nelas a "vontade". Elas querem e elas recebem. Deveriam aprender a assumir suas vontades (brincar, estudar, etc.) e aprender a não desistir à mínima contrariedade.

Se isso não acontecer poderão tornar-se adultos sem grande força de vontade para superarem metas e objetivos. Deixarão de desenvolver a capacidade de iniciativa e de empreendedorismo, tão necessárias no mundo atual e futuro.

Os pais têm, nesse capítulo, um papel decisivo. Uma vida familiar organizada, com objetivos, uma disciplina flexível, planos e projetos pelos quais todos lutem irmanados num espírito de entreajuda é uma forma acessível de desenvolver a "força de vontade" e também o carácter.

Nelson S Lima
Texto do meu livro "Evolução e Mudança"

INTELIGÊNCIA E EMOÇÕES NAS EMPRESAS


Documento integral da minha entrevista dada à jornalista Amanda Gomes (www.tematica-rs.com.br), Brasil.

O que significa ser inteligente no ramo empresarial?
Nelson S Lima: A complexidade das organizações empresariais exige faculdades pessoais e competências profissionais que assegurem uma elevada performance. Os mercados mostram-se crescentemente exigentes devido a fenômenos como a globalização, a vertigem da mudança de paradigma nos negócios, a eclosão de uma diversidade enorme de nichos de mercado, as flutuações e incertezas próprias de uma economia fragilizada por sucessivas crises, tudo isto obriga os profissionais a terem um preparo psicológico de alto rendimento e resistência (física, emocional e intelectual).

- A inteligência está ligada ao sucesso? Por quê?
NSL:Neste cenário de complexidade, a inteligência se perfila como uma faculdade que deve ser levada em consideração e trabalhada. Três tipos de inteligência são requeridas no mundo dos negócios: a analítica, a executiva e a inteligência de risco as quais, no seu conjunto, podem ser consideradas como essenciais para o sucesso. Esta inteligência integral focalizada em três grandes áreas não dispensa, naturalmente, habilidades como a regulação emocional para uma boa gestão da ansiedade, do stress, dos relacionamentos humanos e do equilíbrio corpo/mente. Na inteligência se destaca também a necessidade de aprimorar o senso crítico e  uma boa organização mental que permita elaborar um eficaz mapeamento das múltiplas tarefas e etapas de todos os processos empresariais e negociais.

- No momento de fechar um negócio, que ponderações são consideradas inteligentes?
NSL: A ponderação é a mãe da boa tomada de decisões, sobretudo tendo em consideração que no mundo dos negócios existe também muita subjectividade. Essa subjectividade resulta de problemas vários que estão sempre presentes nas atividades humanas como o acaso, a surpresa, a falibilidade e o imprevisto. Assim sendo, a ponderação apela a nossa capacidade de "juízo crítico" (competência intelectual para fazer boas avaliações das situações), a reunião de informação considerada essencial, o foco nos pontos críticos e decisivos e o distanciamento emocional (para evitar decisões precipitadas e forçadas por emoções indesejáveis). Por fim, é necessário assegurar uma outra aptidão que tem sido descurada: trabalhar dentro de um horizonte de tempo que permita agir mentalmente num futuro não-improvável. Que significa isto? O horizonte de tempo é a capacidade que nos permite trabalhar com indicadores que nos forneçam elementos sobre o "amanhã". Um bom exemplo de um indicador é a análise de tendências. Outro é o "ciclo de vida" dos mercados em que trabalhamos (em que ponto eles estão e qual a "esperança de vida" deles).
Esta atenção cuidada pode evitar ser-se apanhado de surpresa, por exemplo, por um mercado em "fim de vida" apesar dos bons desempenhos que ainda reflitam vitalidade, mas que dispensam novos investimentos avultados. Uma boa "varredura" que ajude à elaboração regular de análises estratégicas a mercados, produtos e outros elementos é também uma ferramenta indispensável do decisor inteligente.

- Em momentos decisivos, que importância tem a inteligência?
NSL: É nos momentos decisivos que a inteligência (que é muito mais do que a habilidade para resolver problemas) se mostra de crucial importância. A pessoa menos dotada será mais lenta e indecisa em situações críticas. Uma boa destreza e flexibilidade mental, uma abertura para o novo (exigindo pensamento criativo) e uma capacidade de se focar no essencial combinados com boa formação cívica e profissional, experiência significativa e personalidade empreendedora fazem da inteligência um instrumento de sucesso. Ou seja, a inteligência, pese embora a sua importância, deve ser sempre acompanhada de mais atributos para um alto desempenho.

- As emoções podem atrapalhar a inteligência?
NSL: No capítulo das emoções, o ponto ideal é o equilíbrio. Emoções extremas (positivas ou negativas) podem, sim, atrapalhar a afirmação de comportamentos inteligentes, nomeadamente as tomadas de decisão.
O estado atual do universo dos negócios exige pessoas qualificadas e com um perfil psicológico adequado às funções (analíticas, executivas ou estratégicas) que lhes sejam atribuídas. Uma boa administração do tempo, da saúde (com especial relevo para uma alimentação nutritiva) e das relações humanos ajudam também a uma maior dinâmica profissional. 
Todo o profissional deve pugnar por uma boa saúde emocional, sendo preferível afastar-se do seu trabalho até se sentir capaz quando está sofrendo de problemas que o tornem agitado, inseguro, ansioso ou desmotivado. Pessoas carregando estresse crónico ou vivenciando sentimentos depressivos podem tomar decisões erradas, por vezes com grandes perdas para a empresa e gerando, depois, sentimentos de culpa e outras consequências mais ou menos graves para elas.

Nelson S Lima

OS 9 NÍVEIS DA MENTE

EVOLUÇÃO

Ao longo de milhares e milhares de anos a mente humana desenvolveu-se em função da alteração das condições de vida e da evolução biológica e cultural. Hoje, é possível distinguir as diferentes etapas da evolução psicológica da humanidade.

Originariamente desenvolvemos uma mente instintiva que ainda reside em nós (onde se formam os instintos) e cuja origem vamos encontrar em seres muito antigos e de quem herdámos as estruturas do nosso cérebro atual. Seguiram-se, assim, de forma sucessiva, novos tempos que geraram novas mentes, novas formas de existência psicológica e comportamentos que podemos resumir no seguinte parágrafo.

A EVOLUÇÃO DA MENTE HUMANA
Nível 1: mente instintiva (dominou até há 100 mil anos);
Nível 2: mente animista (surgiu há 50 mil anos);
Nível 3: mente impulsiva (predominou a partir de há 10 mil anos);
Nível 4: mente determinada (desenvolveu-se a partir de há 5 mil anos);
Nível 5: mente realizadora (originou-se há mil anos atrás);
Nível 6: mente comunitária (apareceu há 150 anos);
Nível 7: mente integrativa (revelou-se a partir dos anos 60 e 70 do século XX);
Nível 8: mente holística (surgiu a partir dos anos 80 do século passado);
Nível 9: mente global e interplanetária (atual/futuro).

Hoje, cada um de nós atingiu já todos ou apenas alguns dos primeiros níveis mentais e existenciais. Dependerá do nosso nível de evolução psicossocial e biológica alcançado.

Por exemplo, o conjunto que mais vigora atualmente nas sociedades de consumo vai até à "mente realizadora" também conhecida como "racional" (predomínio do egocentrismo e do materialismo). A partir desse nível, o número de pessoas com mentes mais desenvolvidas, diminui drasticamente ao ponto do filósofo Ken Wilber (que também se debruçou sobre esta matéria) sugerir que as dotadas da "mente global e interplanetária" (a mente do futuro) não representarem ainda mais do que 1% da humanidade.

Nelson S Lima

O que influencia nossa personalidade?


O que faz alguém de índole calma ter uma explosão de violência? Como surge a homossexualidade? Por que algumas pessoas se tornam líderes enquanto outras, igualmente inteligentes, têm um destino medíocre?

Explicar o comportamento humano em seus diversos aspectos - no círculo de amizades, no trabalho, no amor, na fé religiosa - sempre foi um desafio para psicólogos e cientistas. Até hoje, as pesquisas sobre o tema produziram duas correntes antagónicas, que contrapõem a natureza e o ambiente social. De um lado estão os defensores da tese de que todos nascem iguais e a personalidade é formada pela aprendizagem e pelas experiências pessoais. Do outro lado, crê-se que os traços da personalidade são definidos pela herança genética, assim como a cor dos olhos.

Uma série de descobertas recentes terminou com essa discussão. A ideia de que só o ambiente ou só o DNA forma a personalidade foi substituída por outra mais flexível. Todo comportamento tem um componente genético, mas a sua manifestação depende de factores ambientais/sociais. Sob essa visão, genética e sociedade interagem para moldar o jeito de ser de cada pessoa.

AS TRÊS FONTES DA PERSONALIDADE

A revolução nos conceitos da chamada genética do comportamento, nome dado à ciência que estuda a influência dos genes na personalidade, ocorreu por causa dos avanços na engenharia genética e na biologia molecular. Os cientistas são capazes de fazer uma busca minuciosa em todo o genoma e encontrar regiões com genes capazes de influenciar o comportamento humano.

Essas regiões podem ser identificadas em análises de amostras de sangue de irmãos ou familiares com os mesmos traços psicológicos. Já foram encontrados genes e regiões genómicas que tornam as pessoas mais vulneráveis a adoptar comportamentos agressivos ou a sofrer transtornos psíquicos. Também já foram detectados genes relacionados com a orientação sexual e a vícios como alcoolismo e tabagismo.

Os pesquisadores advertem que possuir esses genes não significa que a pessoa necessariamente desenvolva o comportamento ligado a ele. Não existe total determinismo genético, apenas predisposição. Os genes podem se expressar ou não. Alguns são ligados ou desligados pela própria dinâmica do genoma. Outros, pelas experiências pessoais, familiares e pelo ambiente em que a pessoa vive.

Um estudo do Instituto de Psiquiatria do King's College de Londres encontrou dois genes que actuam na libertação de neurotransmissores no cérebro. Esses genes são responsáveis pela depressão e pelas atitudes anti-sociais, mas só se manifestam em pessoas expostas a situações de grande stress, como perda de emprego ou morte de familiares.

Conclusão: ter predisposição genética à depressão não leva ninguém a ficar deprimido. O mesmo acontece com os distúrbios alimentares. Cientistas da Universidade da Carolina do Norte identificaram regiões genéticas similares em amostras de sangue de mais de 400 pacientes com anorexia ou bulimia. Os mesmos marcadores apareceram em pessoas sem os distúrbios, o que comprova a acção do ambiente.

Recentemente, investigadores do Instituto de Psiquiatria de Londres encontraram regiões do genoma que podem influenciar a inteligência. Um gene chamado LIMK1 produz uma proteína que ajuda a desenvolver a cognição espacial. As pessoas que têm esses genes levemente alterados também são inteligentes, mas não têm habilidades para desenho, por exemplo. Outro gene, o IGF2R, está associado à alta inteligência - a sua existência acarreta 4 pontos a mais no QI do portador.

A tendência para o suicídio também já foi identificada no genoma. Cientistas da Universidade de Ottawa, no Canadá, descobriram que pacientes portadores de uma mutação no gene responsável por codificar um dos receptores da serotonina, o neurotransmissor que causa sensação de bem-estar, apresentavam duas vezes mais risco de cometer suicídio.

A descoberta de genes que influenciam aspectos específicos da vida é o que há de mais novo na genética do comportamento. Grande parte das características humanas, porém, é produto de muitos genes - e não de apenas um, como ocorre com a maioria dos traços físicos e doenças.

O fator biológico determina a "personalidade recebida". Dela fazem parte os elementos principais e duradouros como são as funções intelectuais básicas e o temperamento. 

A psicóloga americana Judith Rich Harris foi uma das primeiras pesquisadoras a tentar medir a importância da genética, da família, do círculo de amizades e das experiências pessoais na formação da personalidade.

No seu livro No Two Alike (Não Há Dois Iguais) a Dra. Judith diz que os nossos genes serão responsáveis por cerca de 40% do que somos. Em segundo lugar vêm os amigos, a maior influência que recebemos. E, por último, a família. No caso dos pais, façam o que fizerem, eles não são capazes, sozinhos, de evitar (ou de os proteger) de outras influências muito poderosas e que vêm das comunidades em que os filhos estejam inseridos (localidade, escola, círculo de amigos, etc.).

Por exemplo, a maneira como somos vistos por nossos amigos faz com que passemos a investir em determinados comportamentos. Se o grupo costuma rir das brincadeiras de uma criança, ela se percebe como uma pessoa divertida e tenta repetir esse jeito de ser, incorporando-o para o resto da vida.

Mas nem todos os traços de personalidade, porém, sofrem influência tão marcante das experiências pessoais. Já se comprovou que o desenvolvimento da inteligência depende em grande parte de um ambiente familiar que a estimule. Os geneticistas estimam que, em breve, será possível rastrear regiões genómicas em quantidade suficiente para conseguir mais do que pistas sobre a influência dos genes no comportamento. Graças à associação da psicologia e da genética, está aberto o caminho para elucidar a anatomia da personalidade.

EM CONCLUSÃO

Todos os nossos comportamentos são pois ditados por diversos fatores, desde os biológicos aos sociais. O social é um fator a considerar. Praticamente tudo o que somos, fazemos e como fazemos acontece no que se designa "campo social". Vivemos numa densa rede de influências e, como refere o filósofo espanhol J.A Marina, assim como as recebemos, também nós exercemos "influências educativas, boas ou más, por ação ou por omissão".  Um velho provérbio africano diz isso mesmo: "Para educar uma criança é preciso a tribo inteira".

Tudo isso resulta na "personalidade aprendida" onde se incluem os traços mais estáveis e duradouros, e que se adquirem mais fortemente até ao fim da adolescência.

Por fim, genes e aprendizagens, contribuindo para a personalidade, deixam ainda espaço para o que Marina designa por "personalidade escolhida" - aquilo que, juntando hábitos, carácter e comportamento, desenha o nosso perfil final (mas não finito nem inflexível pois estaremos sempre mudando ao longo da vida tendo como base ou ponto de partida as nossas estruturas biológicas e genéticas).

Nelson S Lima 
in "Evolução e Mudança", de Nelson S Lima, Ed. Ômega, Lisboa, 2016