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NÃO DÊ TRÉGUAS À INTELIGÊNCIA


Disseminou-se a crença de que nós, humanos, aproveitamos apenas 10% do cérebro. É, obviamente, um equívoco. Em estado de coma talvez isso aconteça mas servirá apenas para nos manter perto da morte. Ou seja, não se poderia viver se apenas aproveitássemos 10% do cérebro.

Outra hipótese é dizer que "aproveitamos apenas 10% das nossas potencialidades"! Neste caso, estamos mais perto da verdade se bem que não se possa dizer sequer que é uma regra geral. Nós, na realidade, tiramos maior partido desse potencial. Quantificar, ainda por cima usando um número, é que está mesmo errado.

Há pessoas que são excepcionais numa determinada área e sofríveis em todas as restantes. Mas as pessoas que se encaixam no que entendemos por normalidade retiram, obviamente, muito mais partido das suas potencialidades do que os tais 10%. O problema maior é outro: é que nem sempre temos oportunidade, motivação e condições para sermos ainda melhores.

Todos contemos alguma centelha de genialidade. Às vezes, detetamos isso bem cedo na vida. Outras vezes é mais tarde e em circunstâncias adversas que o descobrimos, quando somos desafiados a "puxar" pela inteligência e pelo que de melhor tenhamos no cardápio dos nossos recursos.

O auto-conhecimento tem, neste capítulo, um papel muito importante, até mesmo decisivo. Muitos de nós estamos mergulhados em incertezas, dúvidas, inseguranças e medos, sendo muito provável que tudo isso nos impeça de explorarmos o melhor de nós próprios. Outros têm vidas complicadas, pessoas que as aprisionam e manipulam, crenças em forças externas em quem depositam o seu destino....

Não, definitivamente nenhum de nós deve aceitar que apenas consegue usar 10% das suas potencialidades, mesmo aquelas pessoas que apresentem algumas dificuldades de foro psíquico.

Assuma-se por inteiro! Você é fruto de uma natureza cósmica (isto é, que não se restringe ao planeta Terra) que "dirige" o extenso universo em que vivemos. Você é alimentado pela energia das estrelas e é descendente de milhões de antepassados e cruzamentos bem sucedidos ao longo do tempo....

A natureza foi aperfeiçoando o organismo humano e destinou-nos um cérebro pleno de uma diversidade de aptidões. Deu-nos também uma inteligência que se auto-determinou escapando, em boa parte, das tenazes genéticas.

Temos um cérebro que aprende. A toda a hora. E sempre que quisermos. Ora não há maior liberdade do que essa. Só que, muitos de nós, não usam essa liberdade plenamente (ou porque não podem, ou porque não querem) vivendo com mentes fechadas e limitadas.

Liberte-se e viva plenamente!

Nelson S Lima

ENFRENTAR AS MANIPULAÇÕES


Foi a Cecil Beaton, famoso fotógrafo inglês (foi fotógrafo da família real inglesa, repórter na 2ª Guerra Mundial e na revista Vogue nos anos de 1950) que fui buscar este conselho: "Sê ousado, sê diferente, sê impraticável, sê qualquer coisa que defenda a integridade de propósito e a visão imaginativa contra os que jogam pelo seguro, as criaturas do lugar-comum, os escravos do normal".

Analisando em pormenor:

SER OUSADO E DIFERENTE significa evitar o conformismo e a aceitação acrítica procurando uma alternativa à vida acomodada a uma série de hábitos e confortos, à segurança do que é conhecido sabendo, porém, que isso significa a possibilidade do fracasso mas também a de tentar uma e outra vez!

SER IMPRATICÁVEL é tornar possível o que muitos outros consideram sem interesse ou inútil, é criar soluções nunca antes tentadas, é inventar (muitas das grandes invenções desafiaram o "status quo" da época em que foram criadas, foram mesmo consideradas provocadoras e despropositadas).

INTEGRIDADE E IR CONTRA OS QUE JOGAM (APENAS) PELO SEGURO. A este propósito Chris Guillebeau, escritor e viajante (visitou cerca de 200 países) escreveu que "o mundo está cheio de sonâmbulos e cínicos que cheguem; as restantes pessoas precisam da tua ajuda (inconformista); eu cometi muitos erros ao longo da minha própria viagem inconformista; o que tenho recusado fazer é acomodar-me".

Devemos pois ser nós mesmo evitando que outros nos manipulem ou nos empurrem para opções que agradem à sociedade por uma questão de conveniência social.

Nelson S Lima

PORQUE OS AFETOS BENEFICIAM O CORPO


Às vezes é muito difícil discernir quem, estando na ciência, compreende aquilo que à ciência escapa porque ela ainda não tem meios para poder observar, avaliar e confirmar (seguindo as etapas rigorosas do chamado método científico) muitos fenómenos intrigantes (como as "remissões espontâneas" do cancro).

Há inúmeros campos da vida que a biologia (e outras ciências) não compreende. Refiro-me muito especialmente às questões da saúde que hoje merecem todo o tipo de investigações mas também muito alarido na comunicação social. A tal ponto que as pessoas ficam confusas quando vêem que os próprios cientistas têm opiniões divergentes, o que nos deixa sem saber quem está mais certo e nos garanta mais confiança.

CANJA DE GALINHA
Fora da ciência vive-se muito do "diz-se que". Afirmações do género "as cenouras, porque têm vitamina A, põem os olhos bonitos" ou "o tomate cozido combate o cancro da próstata" não são cientificamente corretas mesmo que tenham o seu fundo de verdade (mas não toda a verdade pois cada pessoa tem características muito próprias e diferentes modos de reagir às doenças).

É então que entra em campo a "pseudociência" cuja autoria (a do nome) é da própria ciência. Tudo o que lhe escapa mas é apresentado como conhecimento (ancestral, tradicional, natural, etc.) e que não tenha passado pelo crivo científico é "pseudo".

Ora esquece-se a ciência que muito do que hoje apresenta com garantias científicas era anteriormente "pseudociência" pois não podia ser demonstrado, testado e comprovado. Faltava-lhe a tecnologia e o conhecimento que hoje existem. 

Penso, por exemplo, nas chamadas "remissões espontâneas" de doenças oncológicas que, à falta de melhor explicação, remete-se para o campo dos "milagres" ou da "sorte" (que muitos médicos aceitam por desconhecerem o que, de verdade, se passou no organismo anteriormente condenado). Sugiro que leiam o website da Dra Kelly Turner que fez um extenso trabalho de pesquisa sobre as curas inexplicáveis relativas ao cancro (https://radicalremission.com).

Ora quando a ciência (ou os cientistas, incluindo os médicos e terapeutas) se limita a dizer que "não sabe" ou que "é um milagre" está a passar a si mesma um atestado de ignorância. Devia então ser mais prudente para não ficar mal vista. Não se sabe? Investigue-se.

ENTÃO É PSEUDOCIÊNCIA?
Ficaria bem à ciência não se precipitar a chamar de "pseudociência" aquilo que talvez nem pretenda ser reconhecida como ciência.

Por exemplo, numerosos estudos atestam que as emoções tanto podem ser causa como cura de muitas doenças, sem que se saiba muito bem como isso acontece. Felizmente há cientistas que estão abertos para estudar o desconhecido ao contrário dos reducionistas que se limitam a seguir as regras do "cientificamente correto". Os primeiros foram procurar explicações. Os segundos, nem se interessam, ou escrevem artigos (e livros) como se fossem eles os donos da verdade e sobre a qual nada sabem.

Um simples exemplo: a solidão contribui para diminuir a esperança de vida! Ok, como se pode garantir isso quando há pessoas que apreciam a solidão e o viver sozinhas? Pois bem, funciona naquelas que têm medo de viver num estado de solidão e abandono (tão frequente hoje em dia).

Quem garante o que acabo de dizer? Eu não, mas para mim isso faz sentido. Ora procuremos sair do campo da "pseudociência". Os investigadores S. Dockray e A. Steptoe escreveram um artigo na revista "Neurocience and Biobehavioral Reviews" (nº 35, 1, pág. 69-75) intitulado "Positive Affect and Psychobiological Processes" onde concluem que receber amor e apoio de outras pessoas leva a aumentos significativos de hormonas no sangue que têm efeitos curativos (são elas as endorfinas, a serotonina, a oxitocina e a dopamina) ao fortalecerem o sistema imunitário.

A experiência também confirmada por outros cientistas (como B.N.Uchino, J.T.Cacioppo e K. Kiecolt-Glaser e outros) demonstrou (com análises ao sangue e à saliva, e ressonâncias magnéticas ao cérebro) que essas hormonas ajudam a diminuir os processos inflamatórios. Ao aumentar o número de glóbulos brancos e vermelhos, linfócitos T auxiliares e células K é de concluir (de acordo com as experiências) que a afetividade faz efetivamente bem ao organismo e à saúde. Aliás, nem é preciso ciência para se perceber isso.

UMA NOVA CIÊNCIA
Os cientistas que desconheçam isto atrevem-se desde logo a chamar a este campo do conhecimento "pseudociência" ou, no mínimo, a desvalorizar o assunto. Por isso, é raro que um médico receite "mais amor" (seja dar, seja receber amor) a qualquer doente. O mais simples (para eles) é receitar um antidepressivo. Uma solução que nem sempre é a mais acertada.

Saber como o corpo tem o poder de autocurar-se (e como o faz) é ainda um campo muito recente da ciência. Tomara que outros cientistas dediquem as suas carreiras a estudar o outro lado da barreira, pesquisando o desconhecido e aquilo que, à partida, possa ser ainda acusado de "pseudociência".

Dos cientistas também esperamos coragem, ousadia, criatividade e capacidade de explorarem novos campos que necessitam ser melhor entendidos. Para bem de todos nós e da própria ciência (para que continue a ser respeitada por todos).

Uma nota final: não me preocupa tanto a "pseudociência" quanto os "pseudocientistas" (destes é que é imperioso ter receio).

Nelson S Lima

O RETOMAR DA ESPERANÇA


Nos finais dos anos 70, a jornalista Marilyn Ferguson fez uma extensa investigação sobre as transformações pessoais e sociais que se estavam a operar no mundo. Recolheu imensos depoimentos e convenceu-se de que estávamos na alvorada de um salto para uma humanidade mais baseada no amor e na paz do que na competição e no materialismo reducionista.

A tecnologia progredia rapidamente e os estudo sobre o cérebro, a mente e a consciência estavam a romper com o desconhecido, abrindo portas para novos saberes até então tidos como tímidos e pouco consistentes. Muitos pensadores clamavam por uma nova sociedade, uma nova cultura, uma nova educação.

Parecia que, dispersos um pouco por todo o mundo, havia muita gente que estava tomar consciência da necessidade de uma mudança urgente do rumo que a humanidade estava a tomar (vivia-se o tempo da Guerra Fria, do Vietname e a sociedade mostrava algum cansaço).

Por essa época, o visionário Alvin Tofler já havia lançado o livro O CHOQUE DO FUTURO e preparava-se para publicar um outro, a 3ª VAGA (no Brasil, a 3ª ONDA), em 1980 - obras também fruto de muita pesquisa e que traçavam o perfil de um novo tempo feito de muitas mudanças, que se aproximava a passos largos.

Marilyn lançou então o interessante livro A CONSPIRAÇÃO AQUARIANA inspirado em pensadores como Thomas Kuhn, Ilya Prigogine (Prémio Nobel 1977, convicto, então, de que a humanidade se encontrava "num momento empolgante da história, talvez um momento decisivo"), Pierre Teilhard de Chardin e em muitos inconformistas e ativistas que queriam um mundo novo, mais democrático, mais aberto às novas possibilidades de expansão da consciência e do conhecimento.

Apesar do seu título um tanto esotérico, o livro de Marilyn reúne todo um conjunto dos inúmeros sinais de mudança em todos os setores da sociedade nos anos 80 - da ciência à política, da educação à transformação pessoal.

Quando comprei o livro ele já ia na 11ª edição no Brasil. Continua a ser para mim um livro de referência, altamente inspirador, tal com foram os livros de Alvin Tofler e de muitos outros pensadores.

Infelizmente, o entusiasmo e as esperanças de Marilyn mostraram-se excessivas pois as grandes transformações pessoais e sociais que ela previa foram-se esbatendo. Acontecimentos políticos (como a derrocada do socialismo e o desmantelamento da URSS) e mudanças em outros setores levaram outros autores como Francis Fukuyama (1989) a profetizarem a estagnação da sociedade e "o fim da história humana".

Depois disso, porém, outros pensadores como Ken Wilber, Amit Goswami, Bruce Lipton, Dalai Lama e Deepak Chopra entraram em cena retomando, em parte, as ideias contidas no livro de Marilyn Ferguson (que, entretanto, faleceu em 2008).

Atualmente, as consecutivas ondas de choque que assolam a humanidade têm vindo a gerar um sentimento de mudança urgente.

Relendo A CONSPIRAÇÃO AQUARIANA, pese o tempo já passado desde a sua publicação, tem-se a impressão que é preciso, sem dúvida, dar continuidade ao seu trabalho.

É tempo de um novo despertar, de um salto em frente. Cientistas e humanistas sabem disso (menos os políticos). A aceleração da história e dos próprios acontecimentos ao nível mais pessoal fazem crer que Marilyn tinha razão: a "transformação, a inovação e a evolução são as respostas naturais às crises". 

E, como escreveu John Naisbitt, autor de "Megatendências", Marilyn, apesar de ter sido considerada excessivamente otimista, estava muito à frente do seu tempo quando escreveu A CONSPIRAÇÃO AQUARIANA. O seu livro faz agora todo o sentido. Está mais atual do que nunca: não perdermos a esperança e lutarmos por um mundo diferente e melhor é o dever de cada um de nós. 

Recuperar o tempo perdido não é perda de tempo. E quanto aos pessimistas - que sempre os há - retomo John Naisbitt: "não são de utilidade nenhuma".

Nelson S Lima

A NOSSA NECESSIDADE DE ACREDITAR


Estou um bocado farto das receitas de gurus que nos prometem códigos como "Os 7 princípios da realização pessoal", "Os 10 passos para a felicidade", "Como emagrecer em 30 dias" ou "Os 50 conhecimentos cruciais para viver melhor". Assemelham-se aos livros de dietas, que estão agora na moda.

É óbvio que muitas destas enumerações são produto de uma estratégia editorial. O cérebro humano gosta de certezas para acreditar. E não há nada melhor do que quantificar. Dá-nos uma ilusória perceção do mundo mas também gera uma grande confusão nas mentes menos habilitadas a jogar com números e cálculos.

Assim, a "qualidade de vida" parece depender do cumprimento do número exato de "leis", "regras" e "códigos". Isso empurra muitas pessoas para a necessidade de se preocuparem com o acessório esquecendo ou secundarizando o essencial. Esta situação conduz-nos a viver com aparências e a lidar com enganos.

É ERRADO QUANTIFICAR A VIDA
Imagine que você quer uma ajuda para ser feliz. Ora bem. Um grande número de pessoas preferirá um livro que lhes garanta, por exemplo, 20 pistas e em pouco tempo (há autores que já garantem mudanças revolucionárias em 10 minutos!!!). Não escolherá tão facilmente um título vago mesmo que este lhe prometa alguma coisa.

Vejam este exemplo: uma revista brasileira colocou na capa o seguinte título "Tudo o que sabemos sobre FELICIDADE está errado!". Tive a curiosidade de saber onde eu também, supostamente, estaria enganado. Procurei o artigo e eis que, no interior, tinha o título "A felicidade existe" e apresenta-o usando 9 dicas para lá chegarmos. Ou seja, aquelas dicas é que estariam certas e todas as outras erradas.

Pois eu não tenho assim tantas certezas quanto ao número de métodos, estratégias e dicas que me podem garantir mais saúde ou ser mais feliz. É que nas questões da vida e do bem viver os números não são assim tão decisivos.

Se formos contar os fatores que nos podem fazer felizes poderemos perder-nos pois é tudo muito complexo e feito de conexões impossíveis de enumerar. E aquilo que nos faz feliz é muito personalizado. O que faz feliz uma pessoa pode não satisfazer quaisquer outras. Até porque é também um assunto cultural. E então são inumeráveis as coisas que podem fazer as pessoas felizes. E mais ainda, quando analizamos este tipo de matérias, temos de levar em consideração os critérios que aplicamos. E isso pode fazer toda a diferença.

Sermos felizes ou elevarmos a qualidade de vida depende, em boa medida, da nossa atitude, das nossas possibilidades, das nossas oportunidades e até um pouco da nossa inteligência. Mas não me perguntem qual é - tudo somado - o número fantástico, milagroso e atrativo que isso daria (se eu lhe dissesse que para se ser feliz talvez precisaremos de contar mais de 100 fatores você muito provavelmente desistiria de continuar!). A tarefa parecer-lhe-ia muito trabalhosa. E seria mesmo.

E, para finalizar, cito o notável pensador francês Edgar Morin: "a felicidade é algo que depende de uma multiplicidade de condições e (...) o que causa a felicidade é frágil".

Nelson S Lima

NUNCA ABANDONE SUA CURIOSIDADE

Em 2000, a UNESCO, através de um documento intitulado "As chaves do século XXI", escrito por diferentes especialistas e pensadores, perguntava, entre outras questões, qual o futuro que nos espera neste mundo em tão acelerada transformação. As respostas não foram unânimes mas nelas havia uma certeza: a de que o futuro contém sempre a incerteza e que isso deve motivar-nos para nunca deixarmos de empreender rumo a um mundo melhor.

Podemos pensar que a Humanidade segue num determinado sentido considerando as grandes tendências sociais e tecnológicas a que assistimos e das cada vez mais numerosas e fascinantes descobertas científicas. Mas o que vemos é que há diferentes caminhos possíveis e parece que estamos em todos eles em simultâneo.

Vivemos uma época em que quanto mais sabemos mais percebemos que o que nos falta saber é bem mais do que todos os conhecimentos já registados. Esse é um dilema pois, como concluiu Edgar Morin no documento atrás citado, "o nosso espírito ainda está profundamente subdesenvolvido, assim como as nossas possibilidades de conhecimento, de pensamento, de consciência e mesmo as nossas possibilidades afetivas".

Felizmente, temos a nosso favor uma inteligência criadora - um tipo de inteligência único no reino animal e que, entre outras aptidões, nos permite exercer a "arte da pergunta". E aqui reside, em meu entender, a essência da nossa liberdade existencial porque ao perguntarmos somos atraídos pela procura de respostas. Em muitas dessas respostas temos encontrado soluções para os nossos problemas o que, por sua vez, nos despertam para novas perguntas. O ciclo é pois virtuoso.

Acredito, assim, que a nossa felicidade também passa por esse desafio extraordinário que é vivermos numa constante busca de respostas. Que todos aprendamos a "arte da pergunta" para que o instinto da curiosidade nos eleve a consciência e nos cultive o pensamento. Sempre.

Nelson S. Lima

O relógio da vida: nossos ritmos biológicos


Chama‑se «cronobiologia» ao ramo da ciência que estuda a orga­nização temporal dos organismos vivos e dos mecanismos que con­trolam os diferentes sistemas vitais e as atividades químicas e elétricas de cada órgão. Verifica‑se, então, que a organização temporal da vida tem um enorme efeito sobre as estruturas e as dinâmicas dos seres vivos (e não só). Ou seja, o tempo, para nós, (que podemos dividir em segundos, minutos, horas, semanas, meses, estações do ano e anos) não é algo linear.

       Peguemos em dois exemplos: um condutor de automóvel corre um risco maior de ter um acidente de automóvel entre as 3 e as 4 da manhã numa estrada sem trâfego, do que durante o dia no meio do caos urbano; as pessoas correm um risco maior de sofrer um ataque cardíaco entre as 6 e as 9 horas da manhã no inverno do que ao fim do dia no verão.

A saúde no devido tempo

A percepção que temos do tempo é que é linear (no sentido do passado para o futuro) e simultaneamente cíclico (a noite e o dia, as estações do ano que se repetem, etc.).

Na prática, significa que, embora tenhamos a noção de que segui­mos para um tempo que designamos como futuro, há também uma «repetição» de horas, dias da semana, meses do ano e estações do ano. Assim, sabemos que o dia tem 24 horas findas as quais segue‑se mais um dia de 24 horas. Da mesma forma sabemos que ao inverno segue‑se a primavera, o verão, o outono e regressamos ao inverno  -  ainda que também saibamos que não são o mesmo inverno mas o inverno do ano seguinte.

Com a cronobiologia, a ciência passou a estudar a organização temporal dos seres vivos e a sua adaptação. Eles estão sujeitos às varia­ções cíclicas dos eventos que ocorrem na seta do tempo. Assim como à noite o nosso corpo responde com a necessidade de dormir, com o alvorecer do dia, o corpo prepara‑se para acordar e entrar em ativi­dade. Já nos animais de vida noturna, a situação é inversa.

Esta variação, que não depende tanto do tempo mas mais das variações ambientais e biológicas que afetam o ser humano, conforme as horas dos dias ou as estações do ano, é hoje, objeto de atenção cres­cente por diversas ciências, em especial as ligadas à saúde.

Com efeito, porque somos um composto complexo de trocas quí­micas que decorrem do nosso metabolismo, estamos sujeitos a varia­ções reativas e à suscetibilidade face a esse mundo oculto dos acon­tecimentos biológicos. Sabemos, por exemplo, que a pressão arterial sobe de manhã e desce à noite - não porque tenha horas marcadas para aparecer mas porque o nosso organismo assim se fez ao longo de milhões de anos de adaptação ao mundo.

       A importância que devemos dar a estas variações justifica‑se ple­namente sob pena de sacrificarmos o organismo contra a sua natureza, desencadeando distúrbios de diversa ordem. Por exemplo, os hiper­tensos estão mais sujeitos a problemas entre as 6 e as 10 horas da manhã, do que ao fim do dia porque a pressão arterial sobe natural­mente nas primeiras horas da atividade diurna.

Um outro aspeto a ter em conta é aquilo que ingerimos. Todas as pessoas conhecem casos de alguém que tem dificuldade em adorme­cer se tomar cafeína ao fim da tarde, contrariando a necessidade do sono. Outro exemplo é o efeito do álcool ao início da madrugada, que afeta os sentidos e o tempo de reação do cérebro.

Os medicamentos têm também idêntico efeito. Ou seja, as horas a que são tomados também surtem efeitos mais ou menos acentuados. A chamada «cronofarmacologia» representa as variações rítmicas dos efeitos dos medicamentos ao longo do dia (de um lado, temos as horas da sua máxima eficácia e do outro, aquelas em que a sua toxidade pode aumentar bastante). Por exemplo, o efeito da aspirina varia conforme a hora em que é tomada. A sua eliminação pelos rins é mais reduzida quando é ingerida às 19h00 e mais longa quando é tomada às 7h00 (a diferença é muito grande: cerca de 25%).

Uma vez ocorreu um grave acidente aéreo nos EUA, em que pere­ceram todos os passageiros e tripulantes por razões durante muito tempo inexplicáveis, dado que tanto o avião como as condições atmos­féricas, não tinham estado na origem do acidente. Depois de extensas investigações chegou‑se à conclusão que os pilotos cometeram graves erros minutos antes do acidente porque os seus cérebros estavam a funcionar com um adiantamento de 5 horas sobre a hora efetiva e por isso, não estavam nas melhores condições para tomarem decisões (tinham dormido muito pouco nas últimas 24 horas tendo atraves­sado vários fusos horários).

      O estado do nosso organismo varia em função das horas, dos dias e dos meses. Por exemplo, o nosso corpo «fabrica» mais cortisol (a hormona do stresse) de manhã, por volta das 8h00 (o que explica o risco elevado de complicações cardiovasculares nesse período). A produção de prolactina é mais elevada de noite, quando a secreção do cortisol é mais fraca (a prolactina é uma hormona produzida numa área do cérebro chamada «hipófise», que coordena outras glândulas vitais do corpo e está implicada em aptidões como a memória, o racio­cínio e o próprio desempenho da inteligência).

Compreender os ritmos biológicos

O tempo sujeita o corpo aos seus caprichos e funciona de acordo com os ritmos. Mas o que se entende por «ritmos biológicos»? Vejamos com mais pormenor: um ritmo é uma variação periódica de algo no tempo. O ritmo do coração é um bom exemplo. Em média e numa situação de repouso, o coração humano bate cerca de 70 vezes por minuto. Já de noite ou em estado induzido de relaxamento (atra­vés da meditação ou de medicamentos) esse ritmo pode descer até 50 ou menos pulsações por minuto.

Os «ritmos biológicos» nos seres vivos (animais e plantas) são genéticos, hereditários e visam o equilíbrio e a eficiência corporal, a adaptação ao ambiente, a saúde e a sobrevivência.

Um ritmo tem várias características, a saber:

Período - é o espaço de tempo entre dois eventos regulares (por exemplo, as batidas do coração); o período dos ritmos corpo­rais mede‑se em segundos, minutos, 24 horas, 28 dias, um ano, etc.); o chamado «ritmo circadiano» é o mais estudado - representa o espaço de tempo de 24 horas em que ocorre a alternância do dia e da noite; existe também o «ritmo circamensal» (que dura cerca de 28 dias) e o «ritmo circanual» (que dura cerca de um ano);

Fase - é o ponto mais elevado ou mais baixo de uma variação; a «acrofase» é a fase mais elevada (ou o pico de uma atividade corporal) e a «batifase» indica o valor mais baixo de um ritmo;

Amplitude - é a diferença entre os valores mais baixos e mais altos obtidos durante cada período;

Nível médio do ritmo - dá‑nos a média do ritmo após várias veri­ficações; esta análise é importante na prática médica, nomeadamente quanto à administração de medicamentos e as suas dosagens. Alguns exemplos são suficientemente esclarecedores.

      O nosso «relógio biológico» é controlado por uma estrutura nervosa cerebral - o cha­mado núcleo supraquiasmático, localizado no hipotálamo anterior - que assinala todas as funções do organismo, ditando os ritmos relacionados com a duração do dia (níveis de luz), da temperatura corporal, etc.

A influência dos ritmos biológicos nos processos químicos do organismo talvez seja a maior prova de como nós estamos profunda­mente mergulhados nos diferentes campos de energia que compõem a vida e como estamos em interação constante com o ambiente terreste.

Os ritmos biológicos incidem sobre a dinâmica da vida, incluindo a forma como o corpo e os nossos comportamentos reagem a estímu­los «influenciados» pelo momento temporal. Esta organização crono­lógica do organismo atingiu, efetivamente, um grau de complexidade impressionante, de tal forma que ignorar ou lutar contra ela pode ser altamente perigoso.

A grande contribuição do estudo da cronobiologia é a de fornecer diretrizes da forma como o nosso organismo se comporta em deter­minados períodos. Por exemplo, o chamado ritmo circadiano é um dos mais importantes, pois estende‑se por 24 horas. Nesse período de tempo, ocorrem múltiplos eventos no corpo, que são mais ou menos ativos, conforme as horas. O ritmo do sono é o mais conhecido.

O estudo dos mecanismos dos marcadores de tempo na intimi­dade dos organismos, ou «sistemas de temporização», permite‑nos também compreender como somos sistemas abertos, sujeitos a gran­des oscilações, o que nos afasta bastante de uma visão mecanicista do corpo, cuja eficiência é a mesma em qualquer momento.

É óbvio que os ritmos biológicos variam de pessoa para pessoa. Deparamos então com os «cronotipos» que são determinados geneti­camente. Por exemplo, existem as pessoas matutinas, que funcionam melhor de manhã e as vespertinas que atingem o seu ponto mais alto ao entardecer. Este grupo é o mais predominante, abrangendo cerca de 80% da população. Por isso as manhãs são geralmente menos produ­tivas do que as tardes, não tanto por serem mais curtas, mas porque o ritmo biológico dessas pessoas está orientado nesse sentido.  

Os outros ritmos e funções corporais são menos dados a altera­ções. As variações da temperatura, da pressão arterial e das muitas outras atividades eletroquímicas do organismo, obedecem a um ritmo semelhante em todas as pessoas, sejam matutinas ou vespertinas.

O equilíbrio biológico na saúde

Com o desenvolvimento da sociedade industrial e a ampliação do tempo em atividade, os seres humanos passaram a andar, em geral, descoordenados do seu relógio biológico. E então, temos atualmente uma sociedade ensonada e cansada na maior parte dos dias. Viajamos de noite, divertimo‑nos de noite, dormimos de dia, trocamos as horas de alimentação e sofremos de jet‑lag (descompensação horária origi­nando uma extrema fadiga decorrente de alterações no ritmo circa­diano). Com isto estamos, muitas vezes, a submeter o nosso orga­nismo a um stresse tal, que pode colocar a nossa vida em perigo.

Como já vimos, cada sistema do nosso organismo tem o seu ritmo biológico. Num organismo saudável, o conjunto de ritmos estão coor­denados, o que permite que o corpo responda com eficácia a todas as variações ambientais. Uma boa noite de sono é reparadora e permite um desempenho diário mais elevado do que uma noite em que dor­mimos pouco. Mesmo tentando repor o sono dormindo durante o dia, a recuperação nunca é total porque o sono diurno é diferente do sono noturno.

Os efeitos cognitivos do ritmo biológico são também notáveis. Por exemplo, a eficácia da concentração e da memória não dependem apenas da motivação e do empenho, mas também das horas do dia. É depois das 10h00 que a aprendizagem é mais fácil. À tarde funciona melhor a memória de longo prazo. Em alguns sujeitos, o estudo é mais produtivo por volta das 20h00.

De facto, a concentração aumenta lentamente ao longo do dia e diminui depois das 21h00, atingindo o seu ponto mais baixo entre as 3h00 e as 5h00 - precisamente o período em que, comparativamente ao que se passa de dia, há uma maior probabilidade de acidentes rodo­viários.

Também sabemos que a concentração no sangue de várias hormo­nas como o cortisol, a testosterona, a adrenalina e a noradrenalina é menor precisamente nos picos de fadiga.

Por sua vez, a ingestão de tranquilizantes ou de estimulantes con­forme a hora do dia em que se tomam, vai também alterar o ritmo biológico do cérebro e os efeitos dos químicos ingeridos. Há situações em que ficamos próximos da toxidade máxima correndo perigo de vida sem darmos conta. Será necessária uma educação médica sobre a matéria, para que se consiga obter a melhor conjugação entre a inges­tão de alimentos e de medicamentos e as horas de recetividade ideal do organismo.

Concluindo, a toda a hora o nosso metabolismo apresenta uma dinâmica de acordo com o relógio da vida. Não há ainda aparelhos que permitam dizer‑nos com exatidão quais as horas do dia, do mês e do ano em que estamos mais aptos a lidar com os diferentes compo­nentes da vida.

Embora saibamos que o inverno «mata» mais do que o verão ou que o álcool de manhã é mais tóxico para o organismo do que de madru­gada (embora de noite tenha consequências mais perigosas no cérebro ao reduzir a capacidade de reflexos), o resto é ainda uma grande incóg­nita, e tanto mais que cada pessoa tem caraterísticas únicas. 

Nelson S. Lima 

EU SOU, TU ÉS, ELE É....

Pintura de Fernand Khnopff, I Lock the Door Upon Myself, 1891

EU sou EU? Encontrei esta pergunta num texto de Nicholas Humphrey, psicólogo, doutorado em Fisiologia (autor de vários livros sendo um deles "A História da Mente",1992) e a quem o conhecido filósofo Daniel C. Dennett chamou de ser um "cientista romântico".

Nicholas levantou uma outra questão que ele entendeu pertinente: "Como podem um corpo e um cérebro humanos serem também uma mente humana?"

Para tentar dar uma resposta convincente, Nicholas estudou vários anos. Estas coisas que nos parecem do senso comum são, porém, bastantes complexas e não podem ser resolvidas com uma resposta intuitiva que nada diz sob o ponto de vista da verdadeira Ciência.

A pergunta poderia ser respondida por filósofos, especialmente os que se dedicam ao estudo da mente. Mas, Nicholas é psicólogo e investigador. Desenvolveu uma teoria que chamou de "consciência reflexiva". Quando escreveu os livros Consciousness Regained (1983) e The Inner Eye (1986) o famoso biólogo evolucionista Richard Dawkins declarou, entusiasmado: "Acho que ele acertou em cheio! Temos por fim a resposta para uma grande questão: como evoluiu a consciência humana!".

Afinal, o próprio Nicholas verificou que estava ainda tudo por resolver. Disse ele que a consciência pode existir a níveis muito baixos, sem existir reflexão, como uma experiência do ser em bruto, a sensação do tempo presente e sensações primitivas como as proporcionadas pelos sentidos. Ou seja, pode-se ser consciente com um mínimo de informações sensoriais. Ele chama a isso o "momento espesso" da consciência. É o que acontece quando uma pessoa se sente viva e viva no momento presente sentindo o mundo à sua volta.

A questão que ele levanta é o da qualidade das sensações recebidas. São essas que permitem a sensação consciente. O seu trabalho em laboratório deu-lhe pistas. Estudou a preferência estética dos animais. Descobriu, por exemplo, que os macacos gostam do azul/verde forte, não apreciam o amarelo, o laranja e o vermelho e o azul acalma-os. Percebeu que os macacos são muito mais sensíveis às cores do que os seres humanos e que, por outro lado, são insensíveis aos sons musicais preferindo o silêncio.

Mais tarde propôs que os constituintes básicos da consciência são os sentimentos e as sensações em bruto (aproximando-se do que António Damásio defende). Para Nicholas a consciência é "a reação imediata do corpo aos estímulos". Já para o seu colega Daniel Dennett esses constituintes são as ideias, os juízos e as predisposições pelo que a consciência só ocorre depois da mente ter construído uma história e "ter feito um relatório".

Diz Nicholas: "Eis o meu modelo de realidade: eu sou eu. Estou a viver uma existência corporizada, no momento espesso do presente consciente" e cita um poema de E.E.Cummings:

"Como o sentir está primeiro
quem presta atenção
à sintaxe das coisas
nunca beijará inteiramente"

O biólogo Francisco Varela (já falecido) não achou a explicação de Nicholas muito convincente. Mas concordou que a ideia de usar a experiência direta - as sensações - para descrever os processos cerebrais da consciência foi muito esclarecedora. Para Varela o "sentido do Eu existe porque nos dá uma interface com o mundo". Embora a consciência do EU não exista como substância, ele acontece como resultado das permanentes interações com o mundo.

Quando perdemos a consciência o que acontece? Deixamos de interagir com o mundo. Quando esta interação reaparece, a consciência apodera-se de nós. Voltamos a estar conscientes. Tal como aconteceria com outros animais. Só que nós vamos mais longe. Como temos uma autoconsciência sabemos quem somos ("ou, pelo menos, acreditamos nisso" - diriam alguns).

Mas ainda subsistem muitas dúvidas nesta matéria. Sabemos o que é a consciência e o que é a autoconsciência. Não temos, porém, ainda respostas para perguntas como as que o professor de biologia cognitiva e comportamental Christof Koch, do California Institute of Technology, lançou na revista Scientific American.

Diz ele que, apesar dos cientistas estarem a revelar a base material da mente consciente (usando recursos como a ciência da informação e a matemática!) falta ter certezas sobre questões como:

- um paciente gravemente doente pode estar consciente? Que nível de consciência?
- quando é que uma criança adquire consciência si?
- um cachorro não tem mesmo autoconsciência?
- e quanto à internet, com seus milhões de milhões (bilhões) de computadores conectados, poderá um dia adquirir uma consciência?

Nelson S. Lima 

SER FELIZ: SEGREDO PODE ESTAR NA MEMÓRIA


À medida que vamos conhecendo melhor o que é, afinal, a FELICIDADE, há uma descoberta relativamente recente que trouxe nova luz sobre esta matéria: é o papel da MEMÓRIA.

Ora em que medida a memória interfere na nossa felicidade? Resumidamente passa-se o seguinte:

1º a felicidade é um estado subjetivo que resulta de um conjunto de fatores, incluindo a sensação de harmonia e bem-estar físico e psicológico; se já tivermos vivido experiências positivas (que estão guardadas na memória) temos mais hipóteses de voltar a copiá-las pois já aprendemos como elas se alcançam;

2º a felicidade não "acontece" porque a procuramos (ela não está em lado nenhum) mas porque a construímos sendo um processo íntimo embora influenciado pelo ambiente, pelas interacções pessoais, pela concretização de projetos, etc.;

3º a felicidade é muito influenciada pela memória de experiências de vida "felizes", "agradáveis" e "gratificantes" que moldaram a nossa própria natureza, incluindo a personalidade; as pessoas felizes tendem a voltar a ser felizes mesmo depois de experiências negativas e até traumáticas; isto sugere que a felicidade é passível de ser aprendida (eis a memória, de novo);

4º a felicidade é também influenciada pela memória de projectos que idealizámos no passado e que ainda não abandonámos; manter esses projectos em aberto é positivo e dá entusiasmo (exemplo: "não desisto de lutar enquanto não conseguir aprender outro idioma");

5º a felicidade é influenciada por expetativas guardadas na memória (por exemplo: se tivermos uma ideia positiva de um país ou de um lugar e acreditarmos que ali as pessoas parecem ser mais felizes - e isto está registado na memória mesmo que seja apenas uma ideia baseada em crenças - então poderemos tentar mudarmo-nos para lá. Por exemplo, para 72% dos norte-americanos e muitos estrangeiros a Califórnia é apontada como um estado onde as pessoas parecem ser mais felizes do que, por exemplo, as que vivem num estado isolado e frio do norte do país; essa percepção é influenciada pelas imagens das praias, do clima, das cidades como Los Angeles, San Francisco, de Hollywood e do cinema, etc.);

6º a felicidade é influenciada mais por fatores intangíveis do que tangíveis (a felicidade não é influenciada pelo dinheiro que se tem mas muito mais pelo uso que se faz desse dinheiro; é por isso que ser rico não garante felicidade embora possa garantir mais bem-estar).

MINHAS DICAS:
1. Procure experiências de vida positivas e alegres assim como pessoas que sejam também positivas e alegres; isso vai ficando registado na sua memória autobiográfica ou existêncial e facilita o aparecimento de novos momentos felizes no futuro.

2. Recorde, sem nostalgia desnecessária e evitável, bons momentos do passado (momentos da infância, passeios, viagens, festas, etc.). Ao fazê-lo, isso reaviva as suas "boas memórias", elas ficam mais acessíveis ao seu consciente e podem influenciar positivamente o seu estado de espíríto.

3. Acredite que outras experiências de vida semelhantes não são impossíveis de voltar a acontecer! Não deseje apenas; lute por elas!

Nelson S Lima

SABERES DA INTUIÇÃO

A intuição é uma faculdade que está presente em quase todas as tomadas de decisão, mesmo nas mais complexas. A sua importância é tal, que um dos seus estudiosos recebeu um prémio Nobel pelo trabalho sobre a intuição nas tomadas de decisão (Herbert A. Simon, Nobel de Economia em 1978).

Há autores que nos aconselham a seguir mais as intuições do que a lógica dos raciocínios ponderados. Mas não será arriscado confiar assim tanto na intuição dada a sua natureza subjetiva? Talvez. Mas depende de cada caso e depende das pessoas, já que a natureza e a segurança da intuição variam de pessoa para pessoa. De facto, há pessoas bastante intuitivas, enquanto outras são um desastre (as suas intuições não são de confiar).

Reconsideremos a definição. Segundo as últimas propostas dos investigadores, a intuição é um processo que assenta em mecanismos mentais inconscientes ligados à percepção, à aprendizagem e à memorização em si mesma. Tudo reunido chega-se à conclusão que a intuição pode também ser entendida como uma forma de «conhecimento implícito», ou seja, um conjunto de informações que guiam as pessoas nas tomadas de decisão e nas ações sem que elas tenham consciência da sua proveniência.

O segredo reside no facto de captarmos muita informação e aprendermos muitas coisas sem que tenhamos consciência disso. A nossa mente consciente tem uma capacidade limitada de gerir a informação mas a um outro nível e através das várias portas sensoriais (os sentidos) há mais informação que é assimilada.

RESSONÂNCIA EMOCIONAL

O psicólogo canadiano Eric Berne, o pai da «análise transacional», referiu que o «conhecimento intuitivo» é construído a partir de elementos sensoriais discretos (ou subliminares) em que a percepção e a síntese ocorrem abaixo do nível da consciência. Na verdade, o pensamento, a memória e o comportamento funcionam de forma permanente sob um duplo nível: consciente e deliberado por um lado e nãoconsciente e automático por outro.

O cérebro tem como uma das suas principais responsabilidades a chamada regulação vital. Capta a todo o instante os sinais (informações e estímulos) vindos do exterior e do interior do corpo e toda essa informação que chega de forma ininterrupta contribui para o estabelecimento das atividades mentais, em especial das vivências emocionais.

Talvez todo este trabalho de cartografia sensorial possa colaborar na formação da intuição. A intuição alimenta-se das experiências e informações acumuladas ao longo do tempo. Será pois uma espécie de arquivo inteligente guardado na memória implícita.

Todd Lubart, da Universidade Paris V, elaborou uma teoria a que chamou de «ressonância emocional» que também ajuda a explicar a intuição. Através desse processo, cada elemento que se apresente na nossa memória é associado a traços emocionais, correspondentes a experiências vividas anteriormente.

Cada vez que nos confrontamos com as várias situações da vida, o cérebro estabelece umaligação com os conhecimentos armazenados levando a uma associação criativa de conceitos na nossa mente (isso ajudanos a manternos conhecedores do mundo que nos rodeia e a entender o que se passa). É um trabalho contínuo de reconhecimento da realidade e que nos permite cartografar mentalmente o que se passa remetendo todo o material novo para a memória, associando ao que já lá existe armazenado.

Se a inteligência é o resultado de uma série de conjugações e de fatores, podemos admitir que a intuição não lhe é estranha. O indivíduo inteligente é alguém que sabe usar a sua intuição. Ele aprende a ler nas subtilezas dos eventos, nos pormenores que escapam à maioria. E faz outra coisa deveras importante: reúne muita informação. Não se satisfaz apenas com o que sabe, é um curioso e gosta de saber mais e mais, indo além da sua especialização. A sua intuição é assim o resultado de saberes e experiências acumuladas.

Se é verdade que tomar uma decisão consiste numa análise da tarefa, na planificação, na decomposição e na seleção de uma estratégia especial de execução, não é menos verdade que a informação, a emoção e a intuição são três forças que não podem ser ignoradas.

Razão versus emoção é a equação das decisões inteligentes (prudentes, ajuizadas, críticas). A intuição fornece impressões que partem de um outro nível, menos precisa na sua definição mas amplamente usada pelas pessoas inteligentes. É um saber que não se sabe de onde vem (estará espalhada por diferentes regiões do cérebro) mas que está lá na hora das decisões, pronto a ser usado.

A elaboração mental de uma escolha deve pois juntar a razão, a emoção, a memória e a intuição. É certo que nada fica garantido quanto ao sucesso de uma decisão, pois muitos outros fatores nos escapam. Mas isso tratase de um risco que sempre corremos e do qual é difícil fugirmos.

Dizse também que a intuição é uma forma de inteligência muito antiga, que ainda possuimos. Em épocas primitivas, em que o saber era muito reduzido e pouco se conhecia do mundo, a mente humana desenvolveu um sentido de sobrevivência baseado em impressões e emoções primordiais que ajudaram a desenvolver a intuição. Esta explicação agrada-me.

Nelson S. Lima 

MUDANDO A PERSONALIDADE...


Gosto muito da teoria do professor espanhol José António Marina (autor, entre outros, do livro Inteligência Criadora) sobre a construção da personalidade. Ele distingue três fases na emergência da personalidade no ser humano: a personalidade recebida (a matriz pessoal, geneticamente condicionada cujos principais elementos são as funções cognitivas básicas, o temperamento e o sexo); a personalidade aprendida (conjunto de hábitos afectivos, cognitivos e operativos a partir da personalidade-básica e que formam o carácter) e a personalidade escolhida (que inclui o projecto vital e o sistema de valores e que traduz o modo como a pessoa concreta, numa situação concreta, enfrenta ou aceita o seu carácter).
Resumindo, temos:

Funções básicas + temperamento + sexo = personalidade recebida
Personalidade recebida + hábitos = personalidade aprendida 
Carácter + comportamento = personalidade escolhida.

Temos pois, como ponto de partida, uma matriz biológica (onde se destaca o temperamento) sobre a qual se constroem as fases seguintes.

Quer isto dizer que a personalidade é algo dinâmico que permite ao sujeito um amplo espaço de liberdade de escolher e agir no mundo. Não obstante, aquele que, por exemplo, vive sobre o efeito poderoso da matriz biológica está muito dependente do temperamento e do acaso.

Esta sua teoria, refere Marina, está próxima da de Walter Michel, o qual considera que os traços principais da personalidade são:

- Os valores subjectivos, preferências, metas.
- O modo como um sujeito constrói e processa a informação referente a si mesmo, aos outros e aos acontecimentos do mundo.
- As expectativas sobre as consequências da acção.
- As competências cognitivas e comportamentais.
- Os sistemas auto-reguladores e a capacidade do sujeito para manter os planos a longo prazo.

Não sendo tão prisioneiros dos genes e da hereditariedade (como antes se pensava) podemos então concluir que aquilo que define a personalidade é o modo como escolhemos e realizamos os nossos planos pessoais com a ajuda das nossas faculdades, aptidões e aprendizagens.

Um estudo recente publicado numa revista da Association for Psychological Science (USA) concluiu que, ao contrário do que se pensava antigamente, vários traços de personalidade podem mudar ao longo da vida, mesmo depois dos 60 anos de idade.

O carácter flexível de várias características, influenciado por numerosos factores (meio, educação, auto-aprendizagem, etc.), tornam as pessoas diferentes à medida que avançam na idade. É evidente que essas alterações variam de indivíduo para indivíduo mas o estudo realizado atesta que ninguém escapa a esse processo de mudança.

No caso, por exemplo, da "estabilidade emocional" ela tende a acentuar-se com a idade sendo mais evidente em idades mais avançadas no que nas idades mais jovens. A "estabilidade emocional" é um dos factores da personalidade conhecido como "neuroticismo". Outros traços, como a "abertura à experiência" e a "sociabilidade", tendem também a sofrer alterações.

Um dado muito curioso é que, na generalidade, as mudanças ocorridas na nossa personalidade ao longo da vida são de sinal positivo. Por outras palavras, tornam a personalidade mais agradável.

Nelson S. Lima 

A EDUCAÇÃO E O FUTURO DO MUNDO


O grande recurso que vai diferenciar as nações - muito mais do que o dinheiro e os recursos naturais (entre outros bens) - será o conhecimento que souberem reunir e utilizar nos diferentes domínios, em especial na economia, na ciência, na tecnologia e na cultura.

Em última instância, o que vai diferenciar os países pobres e os países ricos, será o conhecimento e o "know how" (o saber fazer) mais a capacidade de cada um para gerar boas ideias e inovações, e saber aplicá-las, enriquecê-las e também exportá-las.

(Recordo-me de ter aprendido, algures nos anos 80, que o Japão tornou-se numa potência económica quando passou a centrar-se na formação e no conhecimento. Lembro-me de ter lido uma vez no semanário Expresso um artigo sobre a "imitação criativa" que os japoneses tão bem souberam fazer (os japoneses não têm fama de ser um povo de inventores mas de inovadores; eles "limitaram-se" a melhorar aquilo que no Ocidente já estava inventado - e assim se tornaram excelentes na eletrónica, no sector automóvel e em outros outros a partir dos anos 70/80).

Ora é através de políticas de educação ousadas e intensivas que, no mundo atual, as nações poderão gerar riqueza.

DIZ-ME O QUE SABES....

E, a um nível mais pessoal, é assim que, no futuro, "o fosso entre ricos e pobres será muito mais estreito" porque "dependerá muito menos do lugar onde moramos e mais do nível de educação de cada um de nós" - escreveu a editora da "The Economist", Zanny M. Beddoes. Para esta jornalista, "um melhor nível de educação é a melhor forma de reduzir a desigualdade de rendimentos".

Investir numa nova educação, que prepare jovens para mercados de trabalho bem diferentes do que eram até há apenas 5 anos (e investir também numa atualização de conhecimentos, reciclagem e requalificação de trabalhadores adultos), será pois uma das mais inteligentes e oportunas decisões que os países poderão tomar visando aumentar a riqueza e o bem-estar da população.

Também por isso, e porque estamos num mundo cada vez mais afastado do que conhecemos até agora, é urgente uma reforma completa na educação (nos conteúdos, nos modelos, nos métodos, nos meios, etc.).

Em muitos países, como Portugal e Brasil, a educação sofre ainda de um grande atraso pois rege-se por reformas e remendos que ainda não escaparam da influência da Era Industrial. As escolas são ainda, na generalidade, mais parecidas com depósitos de estudantes do que como verdadeiros centros de conhecimento, pensamento e criatividade.

Nelson S. Lima

A MENTE É UM LABORATÓRIO

 

Uma das mais belas referências à "inteligência" humana é do sempre eterno Einstein, um dos mais notáveis representantes da ciência moderna. Ele disse o seguinte: o verdadeiro sinal de inteligência não é o conhecimento, mas a imaginação.

O que mais me intriga é que nada ou pouco mais que nada se tem feito para dar à imaginação (que alimenta a criatividade e a inteligência) o devido lugar na imensa lista de possibilidades da mente.

Por exemplo, na maioria dos sistemas de ensino, a criatividade está limitada. Salvo casos muito raros, não há lugar para a imaginação pois nem sequer há liberdade para a ter. O ensino tem um formato que aprisiona a mente (raras são as excepções e poucos os modelos de aprendizagem que a estimulam).

O PENSAMENTO COMO FERRAMENTA DE TRABALHO

Ora, gostaria de alertar os pais e os professores (e os ministros da educação) que, em muitas atividades, é no campo da imaginação que tudo acontece. Por isso Einstein deu tanta importância a essa faculdade. É que ele - tal como muitos outros cientistas - não usava um laboratório para experimentar os seus conhecimentos. As suas experiências eram MENTAIS.

Como explicou físico teórico Dr. Michio Kaku, Einstein "estava constantemente a realizar sofisticadas simulações mentais do futuro; por outras palavras, a sua mente era o seu laboratório".

Sabemos que cientistas teóricos como Einstein e Michio Kaku - e como muitos outros que não são cientistas - dedicam a maior parte do tempo a PENSAR por meio de "experiências mentais" pois é nesse espaço virtual que acontecem grandes coisas e o conhecimento é processado e, em regra, avança e prospera.

Nelson S Lima

OS ROBOTS SOCIAIS E OS SEUS DIREITOS


Como diz a letra de uma canção portuguesa "o mundo pula e avança". E aqui temos um salto civilizacional: os "direitos" das máquinas inteligentes!

Surpreendido? Não fique. Já estão a ser preparados por entidades como a Sociedade Americana para a Prevenção de Violência contra Robots (ASPCR) e também por governos como o da Coreia do Sul que espera ter uma lei já em vigor em 2020 onde atesta que "os robots têm o direito de existir livremente e de serem protegidos contra violência e abusos" (suponho que por parte dos humanos e de outros robots).

Não me surpreende que já tenham sido constituídas sociedades de amigos dos robots da mesma forma que existem sociedades amigas dos animais tal como existem clubes de admiradores e colecionadores de automóveis, aviões e outros aparelhos.

Tudo isto resulta do facto de estarmos cada vez mais perto de uma sociedade servida por "robots sociais" que nos ajudarão na medicina, na segurança, na educação, na gestão de edifícios inteligentes, no tráfego urbano, etc.

Para a investigadora Kate Darling, do conceituado Massachusetts Institute de Technology (MIT), "importa estabelecer regras que protejam as máquinas inteligentes pois elas estarão cada vez mais presentes na nossa vida".

Convém recordar que o nosso futuro estará cada vez mais associado a máquinas "inteligentes" e isso parece-me irreversível. Por exemplo, no Japão, há robots que sabem cozinhar e que trabalham em restaurantes. Também existem robots músicos e robots que executam trabalhos domésticos.

Mas o mundo das máquinas inteligentes não se reduz aos robots. Estão a ser construídos olhos artificiais que restituirão a visão a pessoas cegas bem como próteses destinadas a substituir órgãos ou partes de órgãos (como o cérebro) através de pequeníssimas máquinas inteligentes.

Poderá levar um século até que a inteligência dos robots se aproxime e até ultrapasse a inteligência de muitos humanos. O futuro está em aberto. Tudo pode acontecer!

Nelson S. Lima 

Nota:
Recordo que a palavra "robot" deriva da antiga palavra checa para "trabalhador" tendo sido aplicada pela primeira vez em 1920 na peça de teatro "Robots Universais Rossun", de Karel Capek, que conta a história de uma raça de seres mecânicos de aspecto humano.
Nessa história, os seres humanos passaram a menosprezá-los e a tratá-los violentamente, o que levou à sua revolta e à consequente destruição da raça humana. Os robots tomaram então conta da Terra mas foram envelhecendo e desaparecendo sem se reproduzirem. No final da peça, porém, dois robots apaixonam-se e fica em aberto a possibilidade de um novo mundo.

QUANDO AS EMOÇÕES NOS APRISIONAM


Todas as doenças são psicossomáticas visto que envolvem funções orgânicas e estados e processos mentais. No seu estudo está a Medicina Psicossomática propriamente dita e que representa um novo paradigma médico.

Ela relaciona-se, por exemplo, com a Medicina Integral, em que corpo e mente não mais são entendidas como entidades separadas mas integradas num todo que é o Kosmos (toda a unidade total do Universo, das coisas espirituais aos objectos inanimados e às matérias científicas).

Sabemos que a saúde e a doença são resultantes de múltiplas linhas de força, biológicas, psicológicas, culturais e sociais. Uma mesma doença desenvolve-se de forma particular em cada caso, em cada pessoa, em cada época, em cada lugar, em cada contexto. Não obstante, o contexto psicológico e emocional têm, na saúde, uma importância extraordinária.

A palavra “psicossomático” vem do médico Heinroth, em 1818. Ele sabia que as emoções influenciavam as doenças. Também criou o termo “somatopsíquico” para dizer que o corpo também modifica a psique. Em 1876, outro autor, Maudsley, escrevia que “se uma emoção não se libertar, fixar-se-á nos órgãos e perturbará o seu funcionamento”.

Actualmente, tem-se consciência que os factores responsáveis pela saúde ou pela doença constituem um SISTEMA no qual os factores psíquicos e comportamentais assumem valores diferentes na origem (patogénese) das diferentes doenças.

Já as perturbações somatoformes (as doenças que afectam o estado psíquico) são consideradas plurifactoriais onde interagem factores genéticos, emocionais, as crenças de saúde e de doença de cada pessoa, certas características da personalidade assim como acontecimentos da vida. Na maior parte dos casos, os pacientes apresentam uma mistura de factores orgânicos e psicológicos em qualquer doença, influenciando-se uns aos outros.

A verdade é que a mente (a sua natureza, a personalidade, os conteúdos de pensamento, os estados emocionais e outros factores) afecta a susceptibilidade de cada um a qualquer doença e pode até ter uma influência substancial no seu envelhecimento e na natureza e no momento da sua eventual morte.

Nelson S. Lima

A FELICIDADE VARIA COM A IDADE?

Em Ljubljana, capital da Eslovénia, um país eslavo. Em 2016, com 70 anos de idade
É-se mais feliz em criança, na adolescência, na vida adulta ou na velhice? Ora, dirão muitos de vocês, esta pergunta não tem cabimento. Pode-se ser feliz em qualquer altura da vida, da mesma forma que a infelicidade pode agarrar-nos em qualquer outra etapa.

Não obstante, há estudos referindo que, para além de muitos outros fatores que estão presentes na felicidade, a época da vida também tem a sua influência. Mas tudo isto tem de ser visto no seu conjunto. E não separadamente.

Falando por mim, quis a vida (ou o destino, caso se acredite nele) que me sinto mais feliz agora do que quando era mais jovem. Com excepção da infância de que tenho boas memórias. Ou seja, a infância e a idade sénior, no meu caso pessoal, foram mais benéficos (têm sido), o que vem confirmar alguns estudos.

NA VIDA ADULTA NÃO FALTAM DECEPÇÕES
Vejamos. Na infância é-se feliz porque vive-se um mundo sem preocupações, o imaginário ocupa nossa mente, a inocência predomina e as brincadeiras são uma constante. E na idade sénior (depois dos 60) já se viveu o suficiente para se atingir a maturidade e uma certa sabedoria que nos proporciona uma agradável serenidade. Já nos sentimos realizados, a família está constituída e olhamos com algum distanciamento mas muito interesse (no meu caso) os problemas do mundo.

Durante o resto do tempo - no fim da adolescência e durante a vida adulta - as canseiras e as preocupações são bem maiores do que nas outras idades, afetando a felicidade (stress ocupacional, divórcios, complicações diversas, esforço de realização profissional, etc.). Na verdade, é na casa dos 35-45 anos de idade que as pessoas têm mais problemas e têm menos momentos de felicidade.

É certo que a felicidade não é um estado permanente. Ela é feita de oportunidades, ou seja, de momentos felizes. Creio, porém, que na infância e na velhice esses momentos são mais prolongados no tempo pois há menos sobressaltos e aborrecimentos.

A FELICIDADE A QUE TEMOS DIREITO
Bem, meus amigos, isto não é nenhuma teoria nem pretendo afirmar nada de novo. É apenas uma opinião alicerçada no que a vida me ensinou e no que vi nos outros, incluindo meus amigos. Mas acredito que se a minha vida tivesse sido outra (tivesse nascido noutra época, noutro país, noutra família) eu poderia ter uma opinião diferente. É óbvio.

Então, e em jeito de conclusão, digo: a cada um a sua felicidade. E isso é um direito que deveria estar nas Constituições de todos os países. Ou seja, deveria ser uma obrigação de todos os Estados proporcionarem condições para que o seu povo pudesse ser o mais feliz possível.

Nelson S Lima