Augusto Cury é, acima de tudo, um pensador e um pedagogo. Um filósofo e também um despertador das consciências. Ler a sua obra é expor-nos a algumas provocações e surpresas, necessárias para o enriquecimento da nossa própria inteligência.Na obra Inteligência Multifocal, Cury faz várias alusões ao sistema de ensino ocidental. Preocupa-o, sobretudo, o estado da educação: o que se aprende e como se aprende.
Na escola actual, que descende dos modelos da Era Industrial, continua a insistir-se num ensino rígido, fechado, limitado nos seus horizontes, intelectualmente estratificado e que usa e abusa da capacidade de memorização dos alunos mais do que da sua inteligência e criatividade.
Na visão de A. Cury as salas de aulas tornam-se, não poucas vezes, "em cemitérios de ideias". Nelas, as informações são transmitidas com técnicas e eficiência psicopedagógica, porém, de maneira inerte, não viva e incapaz de provocar o desenvolvimento da inteligência, estimular o debate das ideias e catalisar o desenvolvimento da consciência crítica.
O ensino provoca, no entender de Cury, o que ele designa como "mal do logos estéril", algo como uma doença psicossocial que se expressa através de vários sinais tais como a falta de consciência crítica, a aprendizagem passiva e apenas memorativa, a falta de interesse e curiosidade por saberes novos, a ausência do espírito de questionamento e indagação, etc.
