Durante muito tempo, o estudo da mente foi uma matéria que praticamente apenas interessou aos filósofos. Ainda hoje, muitas discussões em torno do que é a mente são questões centrais da filosofia. Existe mesmo uma área especializada que se chama "filosofia da mente".Como nos diz João de Fernandes Teixeira a filosofia da mente é um estilo de filosofar que vem recolocando questões centrais da filosofia como: O que é o pensamento? Qual a natureza do mental? O que é consciência? Será o cérebro o produtor da mente? Ou apenas o seu hospedeiro biológico? Será que pensamos com nossa cabeça ou somente “em” nossa cabeça?".
Já na psicologia, o estudo da mente preocupa-se mais com os aspectos determinantes da actividade humana e que fazem parte de algo mais complexo e abrangente do que o exercício do pensar (função essencial da mente) que é a personalidade do indivíduo, com os seus recursos e talentos pessoais, a inteligência, a sabedoria, os valores, a educação, as crenças, emoções e que marcam as suas opções, o seu comportamento e, afinal, toda a sua trajectória ao longo da vida. Para a psicologia somos aquilo que é a nossa mente. Ela marca quem somos e aquilo que fazemos através das nossas realizações.
Com os avanços científicos que nos permitem hoje conhecer melhor a relação cérebro-mente criou-se uma aproximação entre as várias disciplinas - a filosofia da mente, a psicologia, a neurobiologia, as ciências cognitivas, etc. - embora ainda não suficiente. O estudo da mente continua a ser uma área intangível e inacessível. A psique é algo que não se capta através das modernas aparelhagens de pesquisa do cérebro. Há mais perguntas e dúvidas do que respostas.
Augusto Cury sabe muito bem disso. Ele afirma: "Tal dificuldade investigatória tem propiciado a produção de diversas teorias psicológicas e psiquiátricas com postulados, definições, sistemas de conceitos, hipóteses e variáveis intrapsíquicas distintas". E, por isso, as questões fundamentais da mente humana permanecem em aberto e irresolúveis segundo A. Cury.
A mente é um campo de energia
em estado de desequilíbrio dinâmico
Na sua teoria da Inteligência Multifocal, Cury define a mente como um complexo campo de energia (psíquica) não estático nem equilibrado. É um campo de actividade energética em contínuo estado de desequilibrio dinâmico porque está em permanente transformação. É nesse campo de energia que se processam as faculdades intelectuais ou processos de construção da mente que são responsáveis pela inteligência, a produção de pensamentos, as emoções e os sentimentos, etc.
Na sua teoria da Inteligência Multifocal, Cury define a mente como um complexo campo de energia (psíquica) não estático nem equilibrado. É um campo de actividade energética em contínuo estado de desequilibrio dinâmico porque está em permanente transformação. É nesse campo de energia que se processam as faculdades intelectuais ou processos de construção da mente que são responsáveis pela inteligência, a produção de pensamentos, as emoções e os sentimentos, etc.
Existe um campo a que temos acesso: a consciência. Ele contem a consciência de nós mesmo (auto-consciência) e a consciência do mundo que nos rodeia. Alguns autores acreditam que este campo consciente representa apenas 5% da nossa actividade mental. Os restantes 95% estão nos bastidores, onde se aloja o universo inconsciente.
Este universo é simplesmente fabuloso. É nele que se ocultam muitos fenómenos e variáveis inacessíveis ao conhecimento directo. São processos velozes que se operam em frações de segundos, organizando microcampos de energia psíquica que depois afloram à consciência como ideias, sensações, memórias, emoções, etc.
A psicóloga Renate Jost de Moraes, reconhecida estudiosa do inconsciente humano, afirma que este "é um potencial de energia" que nos permite encontrar a essência, "o núcleo central de cada pessoa" que se evidencia como um outro nível de percepção cognitiva, diferente do processo cognitivo consciente.
Estima-se que um cérebro adulto normal processa cerca de 400.000 operações por segundo de forma que possamos ver, ouvir, recordar, pensar, etc. Calcula-se que formamos diariamente cerca de 60 mil pensamentos conscientes. Existe também uma constante troca de informações com o corpo e o mundo exterior.
Curiosamente, todas estas transacções se desenvolvem num clima interno de caos (desorganização) psicodinâmico que permite à mente a criatividade, a diversidade de pensamentos, a inteligência multifocal, a variedade de emoções, etc. É um caos que segue as regras dos sistemas dinâmicos e que é vital para o equilíbrio e a evolução.
Viajar até aos
bastidores da mente
Augusto Cury reconhece a extrordinária importância do campo inconsciente. Ele garante que é ali que actua um grupo de fenómenos e variáveis que geram os 4 grandes processos de construção da mente: 1º a formação dos pensamentos; 2º a consciência existêncial (consciência do Eu); 3º a história intrapsíquica (os registos da vida mental do indivíduo), e, 4º a transformação da energia emocional.
Pode a mente ser ampliada e enriquecida? Sim, totalmente. A mente é um campo de energia inesgotável, não é algo estático nem inerte. Ao longo de todos os dias da nossa vida nós sentimos, pensamos, aprendemos e experimentamos novos desafios. Esse material faz com que a nossa mente se mantenha activa e ágil. Mas podemos ir mais longe. Podemos descer aos bastidores da mente para nos conhecermos melhor. "Procurar conhecer este mundo interior é uma aventura indescritível" - garante Augusto Cury. E podemos melhorar as nossas faculdades, a nossa auto-estima, a nossa inteligência de viver.
