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A grande cidade da memória!

A escrita criativa de Augusto Cury esconde, por vezes, a sua erudição e talento científico. Augusto Cury não é apenas um psiquiatra que virou escritor de auto-ajuda. De modo algum. Seus livros traduzem seu profundo interesse em falar de coisas complexas que ele domina apresentando-as de forma simples e naturalmente acessível aos seus milhões de leitores e fãs em todo o mundo.
O seu trabalho baseia-se em anos de pesquisa sobre a mente humana, suas estruturas, dinâmica e modos de funcionamento. Não é um qualquer curioso, com habilidade para a escrita, que resolveu falar sobre psicologia positiva. Ele é acima de tudo um médico e um cientista envolvido no estudo da mente e do comportamento humano.
Ele próprio fez ciência quando introduziu terminologias como a MUC (memória de uso contínuo, central e consciente) e a ME (memória existencial, não consciente).
A MUC inclui aquela que nós, neuropsicólogos, chamamos de Memória de Trabalho ou Operacional. Mas não só. A MUC está sempre presente e percebemos a sua existência. É ela que nos permite produzir pensamentos quotidianos, tomar decisões, lembrarmo-nos do que vamos fazer a seguir, etc. Já a ME (memória existencial), sendo inconsciente, representa a memória que contem os segredos da nossa história passada. É diferente da Memória Autobiográfica que nos permite recordar a nossa vida e nos ajuda a saber quem somos. A ME repousa nas profundezas do inconsciente e nela se encontram milhares de arquivos com bilhões de informações produzidas desde o tempo em que eramos ainda um simples mas vigoroso feto. Arquivos de emoções positivas, medos e conflitos repousam nesta forma de memória.
Vivemos assim utilizando a Memória de Uso Contínuo e ao mesmo tempo sendo influenciados pelas memórias dinâmicas alojadas na Memória Existencial que, de alguma forma, influencia nossos comportamentos e decisões, bem assim como a nossa personalidade. Muitas inibições e problemas actuais da nossa vida dependem daquilo que está registado na Memória Existencial.
Augusto Cury descreve de forma muito inteligente como estas duas memórias funcionam. Imaginemos uma cidade. A MUC corresponde ao centro, com toda a sua agitação e ruas de grande acividade. A ME são os bairros periféricos onde estão as memórias da nossa infância e dos tempos passados. A todo o momento há um trânsito entre as duas zonas: memórias de hoje que se deslocam para a memória existencial (ME) e memórias do passado que são resgatadas e regressam ao nosso conhecimento e consciência (MUC). Portanto, como acentua A. Cury, o "trânsito" entre o mundo consciente e inconsciente faz-se nos dois sentidos, é enorme e contínuo.
Para viver precisamos muito da memória. Sem ela, entraríamos em colapso, em ruptura e a vida perdia todo o sentido e significado. Por isso, cuide da sua memória mas, sobretudo, faça com que a sua vida cheia marcada por memórias positivas pois elas vão influenciar de forma benéfica e saudável o seu futuro.
Nelson S Lima